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Oathbreaker – Rheia

Oathbreaker

Rheia| 2016

PONTUAÇÃO:

6.8

 

 

 

Os Oathbreaker são uma das bandas que atualmente mais medra no ninho da Deathwish Inc. (fundada por Jacob Bannon, dos Converge). Nos seus dois primeiros LPs – Maelstrøm em 2011 e Eros|Anteros em 2013 – revelaram-se habilidosos a combinar black metal com hardcore. Agora, com Rheia, talham as mesmas correntes de black metal e shoegaze que celebrizaram uns Deafheaven.

A comparação entre ambos os grupos pode ser feita sob diversas perspetivas, mas que distorcem as virtudes deste álbum. Todos os grandes trabalhos artísticos, antes de representarem uma determinada estética (ou uma comunidade, no caso da música alternativa), caracterizam-se com uma grande força íntima. É ela que desabrocha na voz atormentada que canta “Needles in your Skin”, onde a cantora se despede da avó quando esta se apaga numa cama de hospital, ou a devoração lenta que é “Being Able To Feel Nothing”, com a bateria a reagir à performance vocal, nua, a aproximar-se calmamente do ouvinte.

A voz (cantada) de Caro Tanghe é encantadora e cria um contraste interessante com o seu screamo. É ela que, de uma maneira geral, faz destacar esta música. Por cima das investidas de guitarras em overdub e da alternância entre blast beats e grooves mais lentos, ela posa a sua figura sorumbática e profere as suas letras como numa evocação. Falam de memórias, desapontamento, sexo. Todas elas são muito pessoais, resultado de uma postura de honestidade bruta com ela própria e com a folha onde as escreveu. Numa entrevista à CVLT Nation, Caro explica que o título é uma analogia. Rheia é a “mãe dos Deus” da mitologia grega, mas não é um Deus, da mesma forma que a vocalista foi criança e cresceu num meio onde não estava integrada. “Tomei conta de toda a gente à minha volta sem ter ninguém a tomar conta de mim”, confidencia. Escondido atrás da distorção e da atmosfera misteriosa, este é o pilar do álbum.

Quanto ao resto da banda, responsáveis pela parte instrumental, fazem um melhor trabalho a intensificar a performance da vocalista do que a acrescentar algo “novo”, que não esteja preso aos cânones destes géneros musicais. Ainda assim, há que destacar a vontade ambiente de “I’m Sorry, This Is”, o enorme arpejo a meio de “Immortals” e o drone vocal e percussão industrial de “Begeerte”.

Se nos focarmos nesta parte, não estamos perante um trabalho particularmente interessante. No entanto, é óbvio que é Caro quem está na frente do palco. Para se saborear este álbum, é preciso ouvi-la.

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Por Goncalo Tavares / 19 Novembro, 2016
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