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Opeth - Sorceress

Review
Opeth Sorceress | 2016
João Ricardo 17 de Novembro, 2016
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Oathbreaker - Rheia

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Sorceress, é o décimo-segundo álbum do mítico coletivo sueco Opeth, que mais uma vez nos transmite uma sensação setentista do rock com inúmeras influências progressivas. Todas as mudanças e a azáfama que a banda tem vivenciado ao longo de 26 anos de existência tornam-na em uma das mais emergentes e notáveis do seu género, seja pelas aliciantes e inconfundíveis partes melódicas e acústicas. Ou pelas suas mais variadas influências sonoras, bebendo de um metal mais extremo e cru conciliado com uma veia ilustre de folk nórdico como é possível avaliar pelos seus primeiros lançamentos, ou de um prog rock mais moderno (distintamente incutido pelo frequente colaborador/produtor da banda e músico Steven Wilson). Ou simplesmente pelos tão abrasivos e ríspidos como tocantes e relaxantes vocais de Mikael Åkerfeldt denotando uma procura incessante de inovar e recriar música.

Tal como já é costume, esta gravação arrosta diversas questões e críticas por parte de um leque infindável de fãs ferrenhos e críticos fatigantes. Apesar da estável formação que o grupo atualmente detém, os álbuns antecedentes a Sorceress foram revestidos de uma enorme dualidade “amor-ódio”, fazendo com que os músicos tenham falhado em agradar a uma porção significante da sua fan base mas também possibilitaram a aquisição de um desmedido número de fãs menos intrínsecos ao metal. Era de prever a continuação de uma atmosfera divisória, levando muitos a perpetuar críticas negativas aos passos e às alterações que a banda tem praticado nas suas sonoridades, principalmente ao facto de terem abandonado a integração de growls nas suas composições tornando-se o regresso dos mesmos a central indagação a flutuar em torno dos desenvolvimentos e produção deste disco.

Contudo, as declarações proclamadas por Åkerfeldt afirmando que adotariam uma sonoridade mais pesada levaram a que me sentisse mais entusiasmado e curioso para ouvir o que teriam para oferecer e a aguardar ansiosamente por um regresso ao trabalho realizado em prestações antigas. A verdade é que o front man não mentiu. De facto, Sorceress é significativamente mais pesado e agressivo que Heritage e Pale Communion devido ao uso de guitarras com distorções mais assertivas e de construções melódicas mais intensas e cromáticas, contudo continua a possuir absurdas repercussões das suas influências.

Já como referi antes, este disco deixou-me dividido: primeiramente, o grupo abandona de uma forma quase total todos os elementos que os caraterizavam e as misturas sónicas que foram construindo e desenvolvendo ao longo das décadas de carreira, optando por realizar uma “semi cópia” daquilo que são os alicerces das suas referências musicais e nem sequer procurar incorporar qualquer coisa que os distinguisse dessas referências. Em vários momentos, podemos ouvir a influência de King Crimson, Rush e Genesis na composição e arranjo das músicas, desde as estruturas à tonalidade dos órgãos e ao piano clássico em Era. A veneração ao folk e prog tradicional na faixa The Wilde Flowers, a semelhante interação de sonoridades entre as guitarras e teclas a Deep Purple. Strange Brew tornando-se uma belíssima e bem orquestrada canção sendo provavelmente a melhor deste esforço juntamente com o single Sorceress, no qual é possível notar a existência de um pequeno rasto de alguma sonoridade caraterística da banda. E obviamente, a incontornável semelhança a Jethro Tull na canção Will o the Wisp. Noutros momentos, podemos encarar uma qualidade de produção que pode relembrar instantes na discografia de Black Sabbath e Van Der Gaaf Generator, o que é justificado pelo estúdio escolhido a dedo pela banda para a gravação deste álbum, Rockfield Studios. Estúdio por onde já passaram, não só Black Sabbath, Van Der Gaaf Generator como também Rush, Iggy Pop, Simple Minds, Carcass, Sepultura e é ainda, a casa que albergou a construção e gravação do inigualável hino musical Bohemian Rhapsody dos Queen.

Segundamente, apesar desta direção que a banda toma e as parecenças com supergrupos de outrora, é impossível negar que o casulo criativo em que os Opeth se envolveram levou ao aparecimento de uma excelente e exímia performance musical e tributo aos deuses da música progressiva, transcendendo a maioria daqueles que pessoalmente tenha ouvido até à data, apesar do abandono de o seu som tão reconhecível. Esta forma de pensar, leva-me a confrontar o que estou a ouvir de uma forma totalmente diferente, não como uma gravação de estúdio altamente pensada e com o objetivo de puxar barreiras estabelecidas, mas como um simples, no entanto, perfeitamente executado tributo a todos aqueles que tornaram possível o estabelecimento da incrível sonoridade destes titãs da música progressiva na atualidade.

Através de um espetro mais negativo, as letras de Åkerfeldt sofreram um substancial decréscimo de qualidade comparativamente a outras peças escritas em tempos passados. Por exemplo, em Sorceress canta-se: “I am a sinner and I worship evil/ Blood is thinner but you will never know/Can you confess that you thrive in chaos?/You're a sorceress and your eye is on the lost”  ou “Until I take my final breath/In a year or even less/I hope you will give me all your time/And do not forget me down the line” em Sorceress 2. Na minha ótica, este liricismo não transmite qualquer intensa emoção ou sentimentalismo ou qualquer existente reminiscência de algum sentimento e reflexão possível, contrastando fortemente com harmoniosas e graciosas letras do passado, como acontece em Lepper Affinity da obra-prima Blackwater Park: “Lost are days of Spring /You sighed and let me in, keep the beast inside, shackled within my hide/ Screaming out too late, losing to my hate/Grew together, with your skin and paced the, trails of sin.” ou o simples mas aterrorizadoramente bem colocado  verso You sleep in the light, yet the night and the silent water still so dark.” no final de The Night and The Silent Water, canção que toca no íntimo assunto do falecimento do pai de Mikael.

Concluindo, Sorceress demonstra-se como um disco que despertará emoções e opiniões bastante contraditórias mais do que, provavelmente, qualquer outro álbum lançado pelo grupo até à atualidade. Não deixa, no entanto, de ser um lançamento sólido e agradável de se escutar de tempos em tempos e identificando-se como uma forma de recordar todo um aglomerado de clássicos da música de há 40 anos atrás.
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