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Pain of Salvation - In the Passing Light of Day

Review
Pain of Salvation In the Passing Light of Day | 2017
Ricardo Rodrigues 07 de Março, 2017
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Os suecos Pain of Salvation são já um nome de referência dentro do rock/metal progressivo, com uma discografia composta por nove LP’s, um EP e quatro live albums lançados de forma relativamente regular desde o nascimento do projecto em 1991. O seu trabalho tem sido caracterizado pela oscilação entre música pesada orientada por riffs de guitarra ferozes e baladas com peso emocional acentuado, tudo isto com a constante componente conceptual que envolve todos os álbuns lançados pela banda até à data.

Os últimos lançamentos da banda consistiram num álbum de reinterpretação acústica de temas já conhecidos, a remistura de Remedy Lane (originalmente lançado em 2002) e um álbum ao vivo portanto foi com grande entusiasmo que os fãs de Pain of Salvation receberam a notícia do lançamento de In the Passing Light of Day seis anos após o lançamento do último álbum de música 100% nova. Logo à partida é notável a forma como este LP pega na fórmula implementada pela banda em Road Salt One e Road Salt Two e a leva um passo adiante em todos os níveis, com uma produção muito mais clara e equilibrada e uma utilização mais matura de sintetizadores, spoken word entre outros elementos que são já característicos na música da banda. Tematicamente este álbum expõe a batalha que o vocalista e guitarrista Daniel Gildenlöw travou com uma infecção bacteriana que quase lhe custou a vida em 2014.

Com a primeira faixa intitulada “On a Tuesday” temos logo uma ideia da paleta sonora que compõe este álbum, desde o início abrupto e agressivo com um riff sincopado de guitarra ao refrão triunfante, do interlúdio calmo ao build-up que este cria e ao clímax final da música. O trabalho de guitarra neste álbum destaca-se claramente, com grooves inesperadamente intoxicantes em faixas como “Tongue of God” e “If This is the End” e secções melódicas que estabelecem a ambiência musical em faixas como “Angels of Broken Things” e “The Passing Light of Day”. A percussão nunca foi um elemento de destaque em Pain of Salvation e este álbum não muda esse facto, no entanto o talento de Léo Margarit é absolutamente inegável. A forma como não só acompanha mas estabelece e enriquece estruturas rítmicas e poli-rítmicas complexas é espantosa e onde pode por vezes faltar alguma originalidade Margarit compensa com precisão, especialmente nas secções pesadas do álbum. A utilização de sintetizadores neste álbum é louvável pois consegue tornar passagens relativamente simples e desinteressantes em trechos musicais absolutamente envolventes e atraentes. Exemplos óbvios disto podem ser encontrados nos refrões e temas principais de “Meaningless” e “Full Throttle Tribe” enquanto que exemplos talvez menos óbvios mas nos quais a utilização de synths é absolutamente crucial podem ser encontrados em “The Taming of a Beast”. O baixo de Gustaf Hielm é outro elemento que não se destaca de forma berrante mas que tal como a bateria tem um papel fundamental em manter a coesão instrumental. Quando Hielm nos presenteia com alguns traços melódicos estes sobressaem de imediato como constatamos facilmente nos versos de “The Taming of a Beast”. Para surpresa de ninguém a voz de Gildenlöw domina por completo a atenção do ouvinte com a sua riqueza e singularidade tímbrica, a forma como consegue ser subtil e emocional nas faixas mais calmas e íntimas e agressiva, apaixonada e mordaz nas secções mais pesadas torna-a um dos elementos mais preciosos no arsenal musical do projecto. Aliás, se existe elemento que consegue impressionar em todas as faixas a voz é certamente esse elemento, com destaque para as passagens emocionais e cruas na faixa “Silent Gold”, as vozes dobradas em “Reasons” ou até o refrão de “On a Tuesday”.

Infelizmente este trabalho não está isento de pontos fracos. Existem momentos em que os crescendos levam a resoluções um pouco anti-climáticas que não apresentam a força necessária para realmente acertarem no alvo, isto pode ser verificado tanto na primeira como na última faixa. No geral, um álbum composto por passagens tão diversificadas podia beneficiar de um maior leque sonoro, uma vez que isso não acontece aqui as faixas acabam por se fundir um pouco mais do que o desejado e os momentos altos perdem o seu impacto. Possivelmente o ponto mais fraco deste LP será o uso e abuso de spoken word como substituição de canto em muitos versos ao longo de uma grande parte das faixas. As faixas “Tongue of God” e “Meaningless” padecem especialmente deste problema, com versos que acabam por perder interesse sobretudo tendo em conta o potencial instrumental para uma voz cantada. A inclusão de cordas e instrumentação adicional em algumas secções do álbum é um elemento bastante bem-vindo que contribui para uma massa sonora mais rica e interessante, como é evidenciado em “If This is the End”, especificamente com a utilização do acordeão.

No global este álbum entrega a mistura matura e interessante do material pesado que os primeiros LPs da banda estabeleceram e a riqueza das canções dos Road Salts, com uma sequência de faixas que conta efectivamente a história de um breve encontro com a morte e tudo o que este encontro pode despontar numa pessoa. A produção é extremamente orgânica e dá a sensação de uma performance ao vivo, sem quantizações e sem grandes edições a mascarar erros que acabam por contribuir para a experiência. Ao contrário de álbuns anteriores, a mistura acaba por entregar este ambiente natural de uma forma bastante clara e coesa. Embora esteja longe de perfeito este é mais um trabalho que vem mostrar a singularidade desta banda e a forma como continuam a expandir os limites criativos dentro do género, com uma sonoridade bastante única, melodias intoxicantes e uma entrega emocional excepcional.

Nota: este autor usa o Antigo Acordo Ortográfico.
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