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peixe:avião - Peso Morto

Review
peixe:avião Peso Morto | 2016
Xavier de Sousa 06 de Dezembro, 2016
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clipping. - Splendor & Misery

Ulcerate - Shrines of Paralysis


 

Numa "época de ouro" do rock alternativo português, os peixe:avião são o preto no branco! Estas são a cores opacas utilizadas no conceito geral da banda, não só reflectida, conceptualmente, na vertente musical mas também na expressão visual do grupo oriunda de Braga. Não nos deixemos enganar, o futuro não poderia ser mais radiante, desde cedo mostraram potencial e agora completando quase dez anos, têm até à data, um EP e três álbuns de estúdio.

Pela peculiaridade do nome, entendemos que peixe: avião é um grupo que pretende abstrair-se o quanto mais do convencionalismo e das suas referências, que procura quebrar a limitação entre eles e o público através da experimentação electrónica e vocal numa composição, simultaneamente, cautelosa e arrojada.

Apresentam-se e tocam, actualmente, em círculo voltados entre si, não com o espírito de rejeição, bem pelo contrário, tentam transmitir um lado mais íntimo. Sente-se uma maior proximidade entre os elementos da banda e a plateia, ao transportarem este posicionamento físico que têm no seu espaço de ensaio e processo criativo para o palco.

Ao chamar Peso Morto ao mais recente e negrume disco, a banda projecta um carácter simbólico que nos remete para uma face mais pesada e crua, ainda a explorar por eles em comparação aos outros trabalhos. Até mesmo a estética do álbum é obscura, compacta, sóbria e um tanto minimalista, o que demonstra uma honestidade ainda maior do grupo neste trabalho.

“Engrenagem” é a peça mecânica que permite o funcionamento da máquina mas também o nome da primeira track deste álbum, da qual percepcionamos a existência de uma certa intenção translatícia entre o sentido literal do nome e a música em si. São sete minutos, onde tudo pode acontecer! Carregamos no play e naquela espera do primeiro som, numa concentração silenciosa, surge um crescendo sintetizado sob uma sonoridade densa e assombrosa, como um arranque lento e mecanizado. Durante um minuto, à medida que volume aumenta, encaixa-se a bateria, mais efeitos e gradualmente somos induzidos na sua composição, até que convidados, pela voluptuosa voz de Ronaldo Fonseca, a entrar neste espaço-tempo conceptual e sensorial. “Engrenagem” termina numa enorme salsada de efeitos e destoantes batidas electrónicas, do qual sobressai os tons agudos de órgão e ressoar dos metais, demonstra o crescimento de cada indivíduo e uma maior maleabilidade com os instrumentos e a produção deste álbum.

É o cartão de visitas a toda estética sonora do disco, à evolução e aos novos horizontes expandidos pelo grupo.

Com uma maior complexidade, é notório o trabalho e evolução da bateria. Neste álbum houve uma procura intensiva de sons sujos e metálicos a batidas processadas para fortalecer essa ideia de um ambiente industrial e cerrado. Para nossa surpresa, “Torto” é a excepção, mostra uma força bruta imparável do não há fuga, “Entre a espada e a parede“. Um frenesim de batidas tribais, não há como resistir e abanar a cabeça ou marcar o tempo com o pé ou as mãos, confesso que dou por mim numa tentativa falhada de “airdrum”.

O single “Quebra” merece estar entre as músicas do ano, um exemplo das capacidades do grupo de conseguir tornar o caos numa bela obra, viciante! Sem dúvida a melhor para representar o novo conceito do álbum, quer a lírica, quer o instrumental remetem para uma imagem do homem moderno, dos nossos dias, e sua constante agonia e contacto com um mundo que pouco a pouco vai sendo mais frio, menos humano … até que finalmente quebra.

A cada trabalho que é realizado, há sempre a questão da voz, que perante a uma banda tão forte instrumentalmente pode cair na tentação de a negar, mas já em muitas declarações a banda não se encontra preocupada com o rumo que possa levar. A voz continua a estar presente, assume-se cada vez mais como um instrumento e dilui-se entre a sonoridade, como podemos verificar em “Miragem”. A palavra deixa o seu sentido carnal e transcende-se num nirvana frenético, quase em uníssono, com as notas suspensas e cortantes dos instrumentos embebidos em efeitos. Ronaldo Fonseca é um sintetizador analógico com o dom da palavra.

Em suma, peixe: avião demonstra maturidade num rock caótico e desfragmentado ao expoente. Peso Morto é um álbum do ano, um produto da introspectiva e crescimento como banda e como músicos. Convido-vos acompanhar esta banda de perto, pois vai longe.

[Este autor utiliza o Antigo Acordo Ortográfico
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