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Perfume Genius – Too Bright

Perfume Genius

Too Bright | 2014

PONTUAÇÃO:

8.0

 

 

Mike Hadreas aka Perfume Genius estreou-se em 2010 com Learning, um álbum de contradições suaves, produzido essencialmente entre as teclas do piano a soarem a um lo-fi básico juntamente com uma guitarra desvanecida. Em 2012, com Put Your Back Into It, Perfume Genius mantém a mesma base do álbum de estreia mas numa reportagem autobiográfica focada na esperança e exposta a diversos sentimentos.

Ao terceiro álbum, Too Bright, Hadreas reinventou a sua sonoridade. A estética musical é agora, mais que nunca, um dos factores base na composição deste novo trabalho na carreira do produtor. Canções como “Longpip”, “Queen”, a mais recente lançada “Grid”  (a sofrer uma produção genial na conjugação de vocais díspares) e a genial “My Body” são o retrato de um artista contemporâneo: o uso de sintetizadores a apostarem num som distorcido, guitarras a terem uma conotação superior (o que é visível essencialmente em “Queen”), numa tentativa de expor o pânico pessoal através do som. Se soava a arrojada a nova experimentação sonora, parece que a aposta foi muito bem jogada e sem deixar de parte, claro, o piano que é a base que suporta cerca de cinquenta por cento de Too Bright.

Evoluções positivas são importantes,  e se,  em “Fool” Perfume Genius arrisca num início característico aos temas disco dos anos 80, que rapidamente acaba por atingir um declínio voltando a ser a base das composições habituais de Hadreas mas com uma experimentação vocal adquirida. Ao longo da música os díspares sons unem-se tornando-se uma composição interessante também pelos instrumentos que a integram. “No Good” e “Don’t Let Them In” são o retrato da evolução expectável de Put Your Back Into It – Perfume Genius e um piano, resultante numa áurea mágica.

Too Bright poderia muito bem ter uma certa tendência, criada especialmente pelos ouvintes de LearningPut Your Back Into It mas acabou por sofrer um tratamento ao nível da produção, que mudou essa tendência inicialmente pensada. “I’m A Mother” traduziu na distorção dos violinos que a arte contemporânea, no que toca a música, é o resultado de um acto experimental bem conseguido e com uma certa arrogância na sua concepção, o que prova que um Perfume Genius futurista, até nem seria de tudo mal pensado. Há essa surpresa no resultado das audições consecutivas deste novo disco. A introdução dos sintetizadores foi um desafio muito bem superado, que até seria de agrado de antigos e novos fãs, mas foi também importante manter a sua sonoridade original, a fim de denotar o quão bom um simples instrumento e uma bela voz conseguem transmitir em 2014.

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Por Sónia Felizardo / 21 Setembro, 2014

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