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Pharmakon - Contact

Review
Pharmakon Contact | 2017
Frederico Figueiredo 11 de Maio, 2017
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A transgressividade de Contact começa antes ainda da música nos acertar nos tímpanos, desferindo o golpe inicial com uma capa tão nociva quanto a sensualidade do ruído que nos é servido. A invasividade das mãos que poluem a lividez da face que figura na cover, encontra paralelo no caráter intrusivo das (de)composições que nos impelem para o muco de drone que caracteriza o trabalho de Pharmakon.

O terceiro registo do projeto de Margaret Chardiet (membro ativo na cena nova-iorquina de música experimental desde os 17 anos, com cadastro nos Red Light District Collective), apresenta-nos um conjunto de seis composições que continuam na veia “pornográfica” dos álbums precedentes, representando o equivalente sonoro ao voyeurismo de quem rejubila em assistir a acidentes e mutilações. O presente trabalho apresenta contudo uma maior expansividade, nomeadamente na amplitude rítmica que se faz sentir em “Transmission” ou, na variação das vocais no jugo da vociferação em “The Nakedness of Need”.

Angústia e desejo são texturizados num compasso narcótico de erosivos crescendos de harsh noise, denunciando a febre que anseia por libertação sob a epiderme de frequências de estática. A sonâmbula intermitência de ruído embrenha-nos numa latejante lascívia como manifestação de indulgência em prazeres proibidos. Em “Transmission”, são as vocais de Chardiet que instrumentam a batida fantasma para coreografias de espasmos como movimentos de dança; porém, é na faixa “Sleepwalking Form” que o álbum aumenta a sua dilatação térmica. Este, sendo um dos temas mais solenes e auspiciosos na discografia de Pharmakon, desvela uma latência gótica que torna o desconforto de Contact mais imersivo.

A escarificação da laringe ecoa o talento da enigmática Diamanda Galas na variação entre o carpido e a declamação, entre o grito e o gemido, sempre em tom de urgência, atingindo o seu apogeu em “No Natural Order”, uma imponente marcha fúnebre amolgada entre o industrial e o power electronics. Contact, embora ainda tenha os incisivos afundados nas táticas de choque de projetos como Brighter Death Now, consegue manifestar aptidão para alcançar a sublime cacofonia de Tim Hecker ou Ben Frost.

Debruçando-se na exploração de estados de transe como elo empático, o último produto de Pharmakon caracteriza-se como um trabalho marcadamente corpóreo e visceral (como a restante discografia), conseguindo contudo excisar espaçosos momentos de transcendência à violência do êxtase e ao êxtase da violência.  

 
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