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PJ Harvey – The Hope Six Demolition Project

Review
PJ Harvey The Hope Six Demolition Project | 2016
João Rocha 02 de Junho, 2016
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Nothing - Tired of Tomorrow

Abbath - Abbath


 

 

Em maio de 63 explodia nos Estados Unidos da América The Freewheelin’ Bob Dylan, obra maior de um artista que ainda não se tinha rendido às emoções. Inspirado largamente nas canções tradicionais do folk clássico americano, Dylan explorava em forma de protesto, problemas do então quotidiano do mundo, como era o caso da crise dos mísseis com Cuba. Músicas como “Blowin’ in the Wind” ou “A Hard Rain’s a-Gonna Fall”, tiveram um impacto nuclear em toda a sociedade, garantindo assim a sua constante réplica no livro da História.

Não era possível começar a falar do novo registo de Polly Jean sem antes fazer a referência a este álbum de Bob Dylan, não por ser a primeira vez que a ouvimos a fazer música de intervenção (como no caso do brilhante “Let England Shake”, onde em jeito de ode fazia renascer os horrores da 1ª Guerra Mundial), mas por ser a primeira vez que o faz de uma forma tão crua e hodierna.

The Hope Six Demolition Project é muito mais do que um simples álbum. Desde logo, para o conceber, PJ Harvey passou vários anos a visitar e a conhecer as diferentes realidades vividas, e por quem as vive, em zonas como Washington, Kosovo e o Afeganistão. O próprio título do álbum é uma clara referência ao Projeto HOPE VI, que visava a reabilitação urbanística de bairros problemáticos, mas que teve como efeito final o despejo de muitos moradores que não conseguiram acompanhar o aumento das rendas. Para além de um álbum, estas vivências experienciadas durante estes anos de viagem, conseguiram gerir um álbum de poesia The Hollow of The Hand, e como um reflexo irrefletido de querer consciencializar o mundo para as injustiças com que se deparou, abriu as gravações do álbum ao público, para que todos pudessem assistir ao seu processo criativo. E que injustiças são essas?

Desde as dificuldades de quem vive com deficiências motoras à diáspora de todo um povo que foge da guerra, a mestria de todas as canções deste álbum, ao contrário das suas personagens, nunca se esconde. PJ Harvey faz um retrato direto e incisivo sobre cada história, cada acontecimento, cada tragédia, sem atribuir à narrativa qualquer tipo de embelezamento lírico ou justiça poética. É esta capacidade que faz de The Hope Six Demolition Project o grande álbum que é. Em “The Community of Hope” é feita uma descrição super pormenorizada de um bairro condenado a deixar de sê-lo à medida que o desenvolvimento vai chegando. “Dollar, Dollar” é o murro autoinfligido que PJ Harvey reserva para si mesmo. A história de como, também ela por vezes, nem sempre consegue ajudar o mais próximo e a vergonha de o saber. Mergulhado numa grande mensagem social, a curiosidade que desperta este álbum é relatada em “The Orange Monkey”, expoente máximo de um álbum, onde surge a triste epifania de que o tempo tem diferentes ritmos neste mundo.

Este é um daqueles álbuns onde as letras ganham primazia, e a orquestração tenta acompanhá-las. Pouco melódico e com uma sonoridade estranha de apanhar à primeira audição, mesmo para uma artista que nos habituou a viajar do lo-fi para ambientes mais negros e tenebrosos, é à medida que vamos conseguindo sentir-nos parte integrante dos saxofones e coros que muitas vezes surgem, que nos apercebemos estar ao lado de PJ Harvey na sua viagem por um mundo que ela, através deste álbum, não quer que nos esqueçamos que também existe. É dessa aura que se cria que sabemos estar perante um verdadeiro álbum de protesto.
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