Porcelain Raft - Microclimate - Wav
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Porcelain Raft - Microclimate

Review
Porcelain Raft Microclimate | 2017
Diogo Rocha 09 de Março, 2017
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Se alguém nos fala em Itália, as primeiras coisas que nos vêm à mente são as pizzas, as pastas e o Papa. O império romano e o renascimento, seguem-se. Se nos falam da sua música, recordamos que Itália exportou para o mundo vários artistas que fizeram das coisas mais ecléticas, Luciano Pavarotti e Andrea Bocelli, como das mais pop, Laura Pausini e Eros Ramazzotti. Mas Itália (Roma) também é o berço de Mauro Remiddi, o mentor de Porcelain Raft e da sua indie/dreampop inconfundível. Depois de Strange Weekend, Permanent Signal e alguns EP’s pelo meio, dos quais destacamos Gone Blind e Half Awake, Mauro Remiddi lançou o seu terceiro longa-duração intitulado Microclimate, neste mês de Fevereiro.

Microclimate nasceu de forma a que o artista italiano sediado em Nova Iorque conseguisse agrupar todos os sentimentos e sensações obtidas durante as suas viagens, nos últimos tempos, e que fosse possível transmitir essas mesmas sensações aquando da audição do álbum. Como uma foto-reportagem (neste caso com músicas), o intuito é fazer com que quem ouve estas suas novas obras consiga viajar até ao local que Remeddi nos tenta remeter, sem sairmos do sítio onde nos encontramos. Como um guia que poderíamos comprar numa livraria. E a escolha do seu nome, Microclimate, é uma metáfora ao que foi vivido em cada local. Cada um com uma história diferente, cada um com pessoas únicas e cada um com a sua saudade, isto é, cada um com o seu próprio micro-clima. A única coisa que parece ser comum a todo o álbum é a espera por um outro alguém, a sua companhia.

Esta viagem sensitiva começa com “The Earth Before Us” onde Remeddi, através da sua doce e confortável voz, nos transmite o desejo de ver coisas nunca antes vistas, sentir coisas nunca antes sentidas “I never felt like this before, sea lions under the sun/ Shapes and colors from heaven, melting into one/ I wish I could see now, what they see when they dream/ In the deepest oceans, where no one’s ever been”. De seguida, em “Distant Shore”, temos a sensação que é aqui o início da jornada, é aqui que levantamos voo. Como o próprio nome da música indica e à medida que reconhecemos a influência pop dos anos 80 trazida pelos seus sintetizadores, vamos em direcção a uma costa distante, ao que está do outro lado do oceano, em direcção ao que não sabemos existir. “Big Sur”, descrita por alguns como o ponto de encontro entre o mar e a terra mais bonito do mundo, é uma zona situada na costa da Califórnia. É também o nome da terceira faixa de Microclimate e o desejo de “Distant Shore” que Mauro Remeddi tanto ansiava. Mas não só a Califórnia serviu de inspiração ao italiano. Em “Kookaburra” (referência à Oceânia) o álbum atinge o dreampop característico de Porcelain Raft e Mauro Remiddi ganha asas para nos descrever o que vê lá do alto, como se fosse um pássaro “From here I can see, the tallest buildings surrounded by highways/ Mechanical birds flying by, flying by/ A second Moon in the sky/ Cities hanging upside down, oh if you could see them now”. Regressamos ao deserto californiano com “Accelarating Curve” – riff de guitarra marcante com blues à espreita, distorções e reverbs bem conseguidos e musculados – onde é invocada a incerteza da sobrevivência em tão inóspito local. Até ao final de Microclimate, relaxamos e deixamo-nos ser controlados pelo imaginário conseguido através das letras misteriosas e do cenário nostálgico das melodias electrónicas.

Quando é feita a aterragem no mundo real, o sentimento que emana dos nossos ouvidos é de satisfação. Mauro Remiddi, com Microclimate, voltou a fazer-nos sorrir como já o tinha feito em Strange Weekend. Apesar de o tema das letras das músicas não variarem muito entre si, o imaginário criado pela electrónica, pelas guitarras, piano e voz é minucioso, pormenorizado e bastante agradável a quem ouvir o álbum de inicio ao fim. Para tal contribuiu imenso Chris Coady (Beach House, TV On The Radio, Yeah Yeah Yeahs, etc) que fez a sua mistura. Caso se ouça uma música solta na rádio, contem que ela fique convosco durante algum tempo. Porcelain Raft foi um regresso bastante ansiado e que não desapontou.

Nota: este autor usa o Antigo Acordo Ortográfico.
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