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Portrayal of Guilt - Let Pain Be Your Guide

Review
Portrayal of Guilt Let Pain Be Your Guide | 2018
João "Mislow" Almeida 04 de Dezembro, 2018
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The Ocean - Phanerozoic I: Palaeozoic
Seja pela tonalidade geral do álbum, pela produção de Matt Michel (Majority Rule) ou até mesmo pela masterização do grande Brad Boatright (Sleep, Oathbreaker, Beastmilk), o novo álbum dos Portrayal Of Guilt, Let Pain Be Your Guide, tem um charme brutal. Desde que foi lançado, a banda transitou da total obscuridade do underground, para a troposfera do mercado. O quarteto de texas apresenta um hardcore punk rápido, urgente e emotivo, mas não ficam só por aí. O facto de terem adotado elementos de noise, industrial, death e black metal, ajudou o grupo a encontrar um som que reformula uma narrativa nostálgica, mas com uma postura atual e moderna. A amplitude do som, lembra uma mão cheia de nomes como Orchid, Jeromes Dream, pg.99, Reversal Of Man e até mesmo Converge no final década de 90. Todos estes, sem exceção, foram nomes centrais na subcultura do hardcore punk à entrada dos anos 2000. Apesar dos tempos mudarem, as tendências são mais do que claras em Portrayal Of Guilt. A banda assume-se como fã do dito nicho. Quer seja pela música pesada, letras pessoais ou atitude D.I.Y.,  o background é esse.

Após um ténue fio de lançamentos neste último ano e pouco, a banda apresenta Let Pain Be Your Guide. Um álbum que ilumina uma narrativa pessoal sobre trauma, ansiedade, traição e auto-rejeição. As letras propagam-se como desabafos ao espelho despido num antro de desespero. Vocais rasgados, growls e até mesmo spoken words refletem uma plataforma em catarse e auto-descoberta. A dinâmica do grupo encontra terreno comum, e em grande estilo, a partir das variações de velocidade, das transições fluidas e da mastigação dominadora do próprio som. Evidenciam-se com claro domínio, tanto nas secções mais lentas e introspectivas, como nas descargas de intensidade, onde os blast beats caóticos reinam e a dissonância propaga como uma queda livre. A excentricidade e a melodia coexistem em perfeita harmonia, sem  que em algum singelo momento, os texanos percam o senso de coesão e consistência.

Faixas como a “A Burden” e a “Life Holds Nothing” disseminam com uma força demolidora as paredes da consciência. Os riffs que se afogados em reverb de black metal, transpõem a velocidade como uma espiral penetrante, e a tarola vinca entre as basslines pujantes como marteladas secas no centro da cabeça. Os blast beats ajudam a encorpar a sonoridade, mas são as ghost notes distribuídas por toda a anatomia dos ritmos que preenche os flancos de vácuo. Para a corrosão, serve a “Your War”, onde vemos uma dualidade de contrastes com um refrão que retumba as palavras “I let the waves wash over me, cleansing what innocence I have left.” uns instantes após a abismal contribuição de Dylan Walker (Full Of Hell). Um autêntico antro de nojo e distorção. Naturalmente, quando as coisas tendem a acelerar um pouco, os americanos tentam condensar o máximo de ação num curto espaço de tempo, e apesar disso resultar num clarão de castigo triunfante, é quando a banda alonga a tela, que encontra o verdadeiro auge no seu desenvolvimento. Isso salienta-se em grande plano, na “Daymare” e “Until We’re Dust”.

Ambas são gritos de guerra, um tributo em definitivo, uma ode digamos, a tudo que o punk deu à banda, sob forma de catarse. São estas as faixas que melhor encapsulam toda a energia, entrega e definição, da estética fundamental do álbum. Simplesmente devastador. O grupo já o disse inúmeras vezes. O foco está em tocar. Ocupar o número máximo de palcos e atirar o álbum o mais longe que conseguirem. Vê-los voltar à estrada com um contributo deste calibre, só eleva a fasquia para o que ainda está para vir. Este é o seu álbum de estreia, lançado através da americana Gilead e inglesa Holy Roar. Vale a pena.
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