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Posse – Soft Opening

Posse

Soft Opening | 2014

PONTUAÇÃO:

8.3

 

 

O que têm em comum Nirvana e Fleet Foxes? Pearl Jam e Modest Mouse? Soundgarden e Band Of Horses? Alice In Chains e The Postal Service? Seattle. Epicentro do terramoto que abalou as fundações do rock no fim dos anos 80/início dos anos 90 e que lançou para o estrelato as bandas de Cobain, Vedder e Cornell e Staley, A Cidade Esmeralda é hoje bem mais do que a cidade do grunge.

Para além de Fleet Foxes ou Modest Mouse, duas das bandas porta-estandarte do indie actual, há hoje uma grande transversalidade de estilos explorados pelas bandas de Seattle que vai muito para além da distorção, angústia e apatia grunge. Da folk campestre da banda de Robin Pecknold ou de outra mais experimental e lo-fi do grupo de Isaac Brock, passando pelo Indie Rock mais convencional de Band Of Horses, The Postal Service ou Death Cab For Cutie, pelo black metal dos Sunn O))) ou pelo confessional Damien Jurado, há de tudo para ouvir em Seattle neste momento. E parte do que mais interessa está nos Posse.

Soft Opening não nos traz, na verdade, nada de novo. Mas não precisa. Quase que em ritmo de conversa, Sacha Maxim e Paul Wittmann-Todd vão trocando frases que se sobrepõem a um rock sem truques, sem pretensiosismos, simples, para não dizer simplório. Mas a verdade é que este disco dos Posse nos traz aquilo que é mais preciso e nem sempre é o mais fácil de conseguir: é genuinamente bonito.

Explorando terrenos desde o surf rock a um pós-punk mais dançável, a simplicidade das canções, na estrutura, na letra, nos instrumentos, é o que torna “Soft Opening” uma vitória incontestável. O songwriting combina na perfeição com os riffs de guitarra que, novamente, são descomplicados e que só raramente dão lugar a solos (ouvir o malhão “Shut Up”).

A slowcore de “Talk” faz-nos lembrar uns Galaxie 500 ou Yo La Tengo em topo de forma, enquanto que “Afraid” é como que uma personificação chuvosa dos Real Estate “juvenis” de Days. A já referida “Shut Up” termina de forma catártica, sendo um dos pontos altos de um disco sem más canções.

“Don’t touch me / I’m in my zone”. Assim termina Soft Opening, em tom confessional e quase penitente. À segunda tentativa, os Posse trazem-nos finalmente um álbum que está cá para afirmar que Seattle ainda é uma das capitais do Indie internacional. Disco de um songwriting com sentido de humor, urbano e actual mas, acima de tudo, lindo até dizer chega. Venham mais destes.

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Por Luís Sobrado / 17 Junho, 2014

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