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Purity Ring – Another Eternity

Review
Purity Ring Another Eternity | 2015
João Rocha 07 de Abril, 2015
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Um dos desafios mais interessantes que um amante de música pode colocar a si mesmo, é o de chegar ao fim de um ano e ordenar uma lista dos melhores álbuns que ouviu durante aquele período de tempo. É um exercício de reflexão e revisão pelos álbuns que mais conquistaram o nosso ouvido, aqueles que nos lembramos logo, aqueles que nunca esquecemos, aqueles que nos surpreenderam pela técnica, aqueles que nos fizeram companhia a ultrapassar certos momentos. Em 2012 a fazer essa minha, e só minha lista, haveria colocado nos 15 primeiros uma banda que tinha tomado de assalto as minhas audições. Vindos do Canadá, traziam uma combinação bastante interessante entre o trap e o witch house, e assim, os Purity Ring fizeram-me colar em músicas como “Grandloves”, que ainda hoje me acompanha no meu aparelho portátil de ouvir a música, que ninguém me paga para mencionar marcas. “Shrines” era um álbum que ao fazer uma review, faria toda uma ode ao encanto e futurismo, mas é também a sombra que paira sobre este novo álbum da banda Canadiense.

Progenitores de Another Eternity, os Purity Ring vêm destabilizar certamente aqueles que se tornaram fãs da banda ao primeiro filho. Este segundo nasce da inseminação artificial do trap num óvulo de electro cliché, o que resulta num feto pop muito clean e pouco chorão, mas que depois de ser pesado e medido percebemos que se trata de uma criança muito frágil, e temos de ser sinceros, nem todos os bebés são bonitos. Este pode não ser o mais cutxi cutxi dos recém-nascidos, mas nasceu perfeitinho - Tem duas mãos e dois pés, e cinco dedos em cada um deles; tem uma cabeça com dois olhos, duas orelhas, um nariz e uma boca; e tem um rabinho para publicidades de marcas de fraldas – e cada parte do seu corpo é uma faixa. “Heartsigh” é a primeira impressão quando chegas à maternidade, é o colocares o dedo na mão deste novo ser, e sentires o apertar e o calor que algo tão recente já consegue transmitir, enquanto “Begin Again” é o espernear durante o choro de euforia por agora viver e querer crescer. “Sea Castle” é o traseiro, o local onde percebes o quão delicada é a pele do álbum, mas é também o portal por onde a musicalidade expele maior toxicidade, sendo portanto um dos seus momentos altos. “Stillness in Woe” é o momento em que reparas que estás a ser observado por aqueles olhinhos que ainda mal abrem, e reparas que o álbum te conquistou sem te aperceberes. Sentes-te preenchido e alegre por dentro, e a hora da visita já acabou. Percebes que a “visão” terminou, e agora dás conta que aquele pequeno ser que nasceu careca também nasceu sem pretensão de ser algo mais do que o amor criativo de quem o gerou.

Um filho será sempre um filho aos olhos de seus pais, mas para os amigos (que somos nós), esperámos da cria que siga ou supere os passos da outra cria que vimos crescer. Somos cruéis para estes pequenos seres que chegam ao mundo cheios de inocência e pureza, e mal se deparam connosco não os poupamos na sua desconstrução e a dizer-lhes o que realmente são e que papel ocupam no espaço-mundo-tempo. Numa outra eternidade talvez percamos este hábito de achar que todo é qualificável, e passemos a abraçar sem qualquer tipo de julgamento álbuns como Another Eternity.
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Purity Ring – Another Eternity
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