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Red Fang - Only Ghosts

Review
Red Fang Only Ghosts | 2016
Pedro Sarmento 02 de Dezembro, 2016
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Bon Iver – 22, Million


 

Red Fang, o quarteto norte-americano de Portland, Oregon, formado em 2005, responsável por temas que vão desde os clássicos “Prehistoric Dog” e “Wires” às mais recentes “Dawn Rising”, com Mike Scheidt dos YOB na voz, e “Blood Like Cream” (escolhida para apresentação na sua estreia televisiva), conta já com várias actuações em Portugal. Seja a abrir para os poderosos Mastodon ou a energizar as hostes do Milhões de Festa, os Red Fang apresentam-se sempre extremamente coesos ao vivo, sem erros técnicos nem falhas no seu stoner metal muito próprio, impecáveis nas vozes, e com uma presença em palco no ponto certo.

Depois de três vigorosos anos de tour, a banda, acompanhada por lendas da cena como o produtor Ross Robinson (Slipknot, Korn, The Cure, At the Drive-In) e o engenheiro Joe Barresi (Kyuss, The Melvins, Tool, Queens of the Stone Age), assentou finalmente para a gravação do seu quarto álbum de estúdio, Only Ghosts, lançado a 14 de Outubro deste ano.

A abrir, o pedal da bateria de John Sherman em “Flies”, primeira das dez faixas do álbum, dá o mote para o caos que aí vem, suportado pelo riff viciante em pulos de terceiras menores da guitarra de David Sullivan. A voz demoníaca de Bryan Giles surge rapidamente a rasgar, vertendo um ácido que só pára de corroer com a entrada do refrão mais melodioso e polido de Aaron Beam, sempre muito sólido nas linhas do seu baixo zangado. Isto é Red Fang e este primeiro momento electrizante e inflamador não deixa ninguém indiferente.

Ao longo do álbum é-nos dada a conhecer uma vertente mais exploradora do quarteto, guiado para novos territórios pelo comando de Ross Robinson, em que cada um dos elementos levou técnica e ideias a novos níveis, com especial destaque para o baterista, frequente alvo de “pedidos fora-da-caixa” por parte do produtor. Esta orientação fresca, para além de identificável na masterização mais grossa e rica, está bem patente, por exemplo, nas mudanças de compasso e tempo da “No Air”, no instrumental etéreo e experimental da “Flames”, nas vozes puxadas ao infinito e mais além da “I Am a Ghost” e “The Deep”, e também no cinco por quatro muito natural da “Shadows”, única faixa do álbum com direito a videoclipe, realizado pelo Whitey McConnaughy do costume, cheio de um humor muito próprio e da habitual boa disposição da banda (e cerveja).

Nas palavras sarcástico-humildes do amigável baixista/vocalista Aaron Beam, aquando da gravação do álbum e respectiva série de vídeos “In-Studio”, Only Ghosts “will sound a little bit less a sloppy Red Fang record, … but not much less”. É precisamente isto que este álbum representa: fiéis ao seu estilo mas à vontade para inovar, desbravando riffs tão pesados como cativantes, misturando nas letras um lado de gozo com uma perspectiva mais negativa e negra. Destaque para a “The Smell of the Sound”, sétima faixa de Only Ghosts, pausada, pesada, que cresce a partir de uma linha introdutória de um baixo distorcido, segue por entre versos e refrões temperados de reverb e partilhados pelos dois vocalistas, mergulhados num ambiente espaçadamente corrosivo, e corre para a parte final, com solos espaciais, refrões acelerados e riffs brutos e assertivos.

Em conjunto com Only Ghosts, a banda lançou também para promoção do álbum, através da sua editora de longa data, Relapse Records, o jogo Fangtris, onde o ecrã inicial nos pergunta “Can you help Red Fang stack their gear onstage before the gig starts?” e nos conduz para uma versão personalizada de Tetris a 16-bit em que as convencionais peças foram substituídas por equipamento musical, desde amplificadores a pedais de guitarra. Toda a experiência tem, evidentemente, o mais recente trabalho do quarteto como música de fundo.

Em suma, o estimulante contributo da equipa de produção, as novas experiências musicais aliadas à habitual solidez de arranjos instrumentais, variações e lírica, fazem de Only Ghosts uma viagem que flui agradavelmente tanto em ouvidos conhecedores da banda como desconhecedores. O quarteto deu alguns passos para fora da sua habitual zona de conforto, abrindo portas a novas influências e combinações, expandindo-se em várias direcções ao invés de aprofundar apenas uma. Trata-se provavelmente do álbum mais “acessível” que produziram até à data, o que lhes poderá granjear novos espaços e audiências, e facilitará certamente a realização de mais videoclipes repletos de humor e nonsense (e cerveja).

 

Nota: Este autor utiliza o Antigo Acordo Ortográfico.
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