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Rui Campos - Another Dark Mind

Review
Rui Campos Another Dark Mind | 2015
Rafael Trindade 11 de Março, 2015
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"Isto foi tudo produto do meu subconsciente" - Rui Campos.

Quem é Rui Campos? A pergunta correrá pela cabeça de provavelmente todas as pessoas que vierem a ler isto. Mas eu sei bem quem é Rui Campos, somos bons amigos. Campos consegue encontrar um equilíbrio pessoal e musical: é um músico perfeccionista mas não demasiado mesquinho. Ambicioso, mas que nunca deixa a humildade desabar em prol da pretensão. De facto, "Another Dark Mind" é um título bastante modesto a atribuir a um disco de estreia.

Mais importante que sublinhar as características de Rui Campos anteriormente mencionadas, é mencionar a seguinte: Rui é um indivíduo que incessantemente procura a obtenção e consolidação de conhecimentos. Em Another Dark Mind, retrata um personagem que serve de auto-biografia mais do que informativa. É em "Limbo" que o personagem em questão pretende ascender e prevalecer acima do nível cognitivo regular, procurando espiritualmente e ambicionando apreender na sua esfera o conhecimento que transcende o ser humano: o conhecimento metafísico.

O nosso personagem perde-se em densidades ambientalistas e sonoridades industriais, custando-lhe isto a própria vida. Um colapso mental é o que liga "Limbo" à deslumbrante mas desesperante "Shi" ("morte" em japonês), que se assume como uma autêntica marcha funerária na mente de Campos. Com isto, os consequente traumas pós-morte que nos são permitidos ouvir e presenciar na atemorizante "Chamber": tiros impetuosos e sonoridades minimalistas e prisionais mantém-nos a nós e ao protagonista num estado de paranóia tão acentuado que tudo se torna, por breves momentos, distorcido e tão real que se torna numa espécie de casa familiar e infernal.

Torna-se difícil deixar a tortura, a tristeza e o desespero quando deles já fizemos casa. A dificuldade e a luta contra a adversidade é ilustrada através de "Leaving Home", um denso e hipnótico tema de 12 minutos que se assume como um processo demorado mas recompensador. Chegamos a "All The Same", último tema do disco, que retrata um sentido de constância. Será a nunca misericordiosa morte uma dimensão tão brusca e cruel como a antagónica vida? Será a mente de Campos apenas mais uma mente conturbada, ou uma mente escura mas simultaneamente Conseguiu o personagem em questão atingir o conhecimento inatingível?

Somos deixados sem respostas ao som do término de Another Dark Mind. Continuemos a viver tranquilamente, lúcidos e conscientes daquilo que somos. Continuemos a procurar saber novidades da parte de Rui Campos e dos seus talentos artísticos promissores que lhe garantiram um disco de estreia surpreendente. Continuemos a procurar conhecimentos que nos enalteçam enquanto seres humanos e que atribuam respostas a todas às questões que nós, enquanto filantropos e bestas, colocamos.
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