23
TER
24
QUA
25
QUI
26
SEX
27
SAB
28
DOM
29
SEG
30
TER
31
QUA
1
QUI
2
SEX
3
SAB
4
DOM
5
SEG
6
TER
7
QUA
8
QUI
9
SEX
10
SAB
11
DOM
12
SEG
13
TER
14
QUA
15
QUI
16
SEX
17
SAB
18
DOM
19
SEG
20
TER
21
QUA
22
QUI
23
SEX

Sacri Monti - Waiting Room for the Magic Hour

Review
Sacri Monti Waiting Room for the Magic Hour | 2019
Beatriz Fontes 09 de Julho, 2019
Partilhar no Facebook Partilhar no Google+ Partilhar no Twitter Partilhar no Tumblr

The Black Keys - Let's Rock
No seu primeiro LP, em 2015, Sacri Monti desenterram a raça de rock psicadélico aliado ao heavy rock, uma banda de som apuradamente incontrolado de guitarras de rigidez arrastada. Em Burnout, inscrevem-se numa colaboração com Harsh Toke e Joy ao oferecerem duas músicas de corpo denso e uma maior insistência na voz, uma delas a cover de "Sleeping for Years" dos Atomic Roosters. Um álbum que desponta de uma descontraída coadjuvação de músicos, o lado atrativo da tendencialmente feia competição da indústria musical sobrelotada, onde o motto é a inofensiva afirmação: “só queremos fazer a nossa cena para nosso proveito” – e continuam refugiados nesta perspetiva.

Sacri Monti compõem música extraída da aparente espontaneidade de uma jam e que procura vindicar as raízes do rock psicadélico com referências musicais arcaicas modelares do género – “Affirmation” tem um dedo apontado a King Crimson, e encontram-se ainda lembretes de Funkadelic e Pink Floyd aqui e ali. Waiting Room for the Magic Hour é um disco assoberbado que, tal como o anterior, vive das sensibilidades e dos detalhes, com melodias apinhadas de teclas e sintetizadores de tons dos 70s e uma bateria robusta bem persistente. São respeitáveis por serem regulares sem que se tornem desinteressantes ou demasiado homogéneos, tendo como constante uma estima bem pronunciada por melodias espaçosas que deslocam a voz para trás das guitarras, deixando-a reverberar em gritos erosivos. Outra prescrição que lhes é ideal é de dar um fluxo natural a músicas voláteis, que se estende para a comunicação entre cada uma das músicas e a sua posição no álbum, estabelecendo um contacto entre o fim de uma música e o início de outra. Permitem assim que o ouvinte aprecie aquela sensação de peregrinação auditiva, crucial ao psicadelismo.

Esta impressão errante existe sobretudo em “Wading in Malcesine”, uma submersão aquática que pausa a trepidação delirante do álbum; assim como em “Starlight”, com uma capa de desconforto desconsolado, mas que, tal como em “Fear and Fire”, rapidamente oscila no temperamento e atinge o pandemónio convulsivo. “Fear and Fire” é uma música que mostra a competência progressiva de Sacri Monti, ao abrir enquanto figura policromática e, depois de umas ameaças, quebra finalmente numa elevação imponente - e nem demos por ali chegar, a beleza do progressivo. O álbum mantém-se assim, variável entre a suavidade alucinogénia e o arrombo total, até ao intervalo que é "Wading in Malcesine".

A confissão imprevisível de Waiting Room for the Magic Hour é seguramente “You Beautiful Demon”, solo virgem para a banda que optou aqui por introduzir o folk, sonoridade que é mantida em toda a música. É igualmente ignorada a tendência progressiva que é trocada pela uniformidade que termina o álbum. A variação súbita e a escolha de reservar esta música para o fim acorda uma certa curiosidade sobre qual a próxima intenção de Sacri Monti. Cancelando especulações, “You Beautiful Demon” mostra que os membros de do grupo também podem ser versáteis e igualmente vibrantes nesta versatilidade.

É um tipo de álbum para audições a solo, que viverá ainda mais em concerto, clima natural de Sacri Monti. Waiting Room for the Magic Hour é cheio, seguramente caprichoso, feito à guia do feeling e da excitabilidade, uma ilustração (não exclusiva) de como o rock psicadélico envelhece bem na intemporalidade.
por
em Reviews

Sacri Monti - Waiting Room for the Magic Hour
Queres receber novidades?
Comentários
http://www.MOTORdoctor.PT
Contactos
WAV | 2019
Facebook WAV Twitter WAV Youtube WAV Flickr WAV RSS WAV
Queres receber novidades?