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SASAMI - Sasami

Review
SASAMI Sasami | 2019 Indie Pop
Tomás Quental 21 de Março, 2019
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SASAMI: o que raio é isto? É o disco epónimo de Sasami Ashworth, ilustre desconhecida que assim edita o seu primeiro LP a solo. Antes já havia integrado os Cherry Glazerr e trabalhado em arranjos com nomes sonantes como Wild Nothing ou Curtis Harding. Mal se deixe tocar este disco, há uma comparação inevitável: a primeira faixa “I Was a Window” começa como uma versão lounge da discografia de Mitski. SASAMI, Mitski, as semelhanças vão mais longe e não seria de estranhar. Nas redes sociais trocam galhardetes quando podem e, além de já terem feito digressão juntas, referem-se mutuamente como “grande inspiração”. Esta progressão de acordes, a colocação da voz, bem como a força da letra, trazem memórias recentes de “Two Slow Dancers” de Mitski.

E que forma de arrancar com um disco. Há um quê de perfeição sintética nos versos que começam tudo isto: “There is a shadow over something that used to be a light / I was a window into something you didn't like / So you blamed it on me”. A faixa feita em colaboração com Dustin Payseur (núcleo duro de Beach Fossils) apresenta-nos o tom de todo o disco: uma frieza apática e calma que cria tensão, mas não a resolve; ensopa de emoção e depois é deixada a secar. Cimenta com “Not The Time”. A faixa que melhor sobrevive fora do grupo vem a pingar de shoegaze e produção à la “7” dos Beach House. A estética aplica-se como uma luva à sensação triste que envolve a nudez e crueza da voz.

Falando em pontos fortes, outros acompanham esta segunda faixa. “Pacify My Heart”, divide o disco a meio e vai puxar ainda mais comparações com Mitski. É um dos momentos em que a instrumentação funciona em sinergia com a composição, voz e poesia para culminar em algo que seria uma resolução caso a faixa fechasse o álbum e não a primeira metade. Inicia com o verso “Sometimes I wish I never met you” e vai só ganhando força em crescendo de marés de distorção, bebendo barris inteiros do mood opressivo e estranhamente aconchegante de Slowdive. Esta sinergia apanha-se na segunda metade com “Jealousy” e “Callous”, duas peças de puro magnetismo obscuro. A primeira como bruxaria naive de um conto de fadas catchy, a segunda como uma explosão pop concebida no ventre de Cocteau Twins em conjunto com Ride.

Não seria justo então ignorar os momentos em que esta sinergia não existe. O fator mais forte do disco é a tensão que SASAMI consegue gerar entre os instrumentos e a própria estrutura da composição, mas isto nem sempre acontece da melhor forma. “At Hollywood” fracassa, mostrando guitarras demasiado nuas, que não ajudam a desenvolver o tema e pecam por isso mesmo. “Adult Contemporary” tem bons elementos que, mais uma vez, não funcionam tão bem em conjunto.

Depois há o caso dramático de “Free”, a faixa assinada em dueto com Devendra Banhart. Será talvez o ponto de contacto para muitos novos ouvintes e teria potencial para ser das faixas do ano. A composição é magnífica, a letra é a melhor de todo o álbum, com pontos subtis e potentes como “I don't know what you're thinking / We both know what you're drinking /And my smokes are running out” ou “We walked as far as we could go / We had to choose, so we took off our shoes”. Versos estes que fariam a poesia sobreviver só por si, num misto de sentimentos e emoções por resolver que estão magnificamente codificados na letra, mas não difundem tão bem no final. Não deixa de ser uma boa faixa, mas acaba sendo o maior desperdício de potencial de todo o disco.

O extremo oposto ocorre no brilhante ponto final, ou reticência, deste baile debutante. “Turned Out I Was Everyone” faz com pouco o que “Free” não consegue com muito. A repetição hipnotizante é irresistível. Somos transportados para uma pista de dança quase vazia com confetti a preto e branco. A estrutura tripartida da letra resolve-se em si mesma ciclicamente, tal como a melodia com que é entregue. “Thought I was the only one / (To be so alone in the night) / Turned out I was everyone” trazendo de volta a simplicidade que dá início ao disco. Mas à medida que avançamos, perde-se esta resolução. A melodia que dantes fazia um loop perfeito, agora causa ansiedade. O pensamento que concluía com um “afinal estamos todos no mesmo” agora está incompleto, virado para dentro e sem catarse possível. É uma ode a estar sozinho na noite. Tão simples como comovente. E assim SASAMI nos engana a todos. Quando pensávamos ter nadado pelas marés de distorção e psicadelismo suave para chegar a algum lado, voltámos à mesma solidão donde partimos.

Sobre o contraste entre o processo de composição e posterior gravação, o site Fader cita a artista. Desde escrever com uma guitarra e GarageBand até gravar num estúdio pomposo: “it's kind of like emotionally scribbling a letter on a tear and snot-stained napkin and then re-writing it on fancy papyrus paper to make it look like you have your shit together." E não há dualidade que melhor defina este disco.

Assim só resta otimismo e expectativa. Esperamos voos mais altos para a não mais desconhecida. Que venha mais SASAMI.
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