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Savages – Adore Life

Savages

Adore Life | 2016

PONTUAÇÃO:

8.2

 

 

 
Muitos daqueles que duvidavam do poder que a figura feminina tem, principalmente na música, deixaram de o fazer aquando do lançamento de Silence Yourself, o primeiro álbum da banda londrina, lançado em 2013. Depois da explosão que foi o disco de estreia, com ‘’She Will’’ e ‘’Shut Up’’ a passar de boca em boca pelo mundo inteiro, as Savages deixaram a si próprias a difícil tarefa de manter o nível a que habituaram o público. Agora chega Adore Life, o segundo longa duração da banda, que comprova que o sucesso de Silence Yourself não foi, de forma alguma, algo momentâneo.

No seu lado mais profundo, Adore Life é um álbum que fala de amor da forma menos convencional possível. No single e faixa de abertura do disco, ‘’The Answer’’, Jehnny Beth repete quase incessavelmente “Love is the answer”; contrariamente a isto, em ‘’T.I.W.Y.G.’’ (acrónimo para This Is What You Get), ouve-se “This is what you get when you mess with love: A morning in darkness,The eyes of a storm.” Apesar de ser maioritariamente descrito como ‘’doença’’ e raíz de sentimentos como o ciúme e a inveja (If you don’t love me, You don’t love anybody) e cantado de forma algo agressiva e antónima ao seu suposto significado, o amor é visto principalmente como algo necessário e que nos move. Isto reflete-se em ‘’Adore’’, segundo single do álbum, no qual as palavras, assim como a sonoridade, são mais leves e de aceitação: “Maybe I will die maybe tomorrow, So I need to say, I adore life”.

As frases mais inocentes ditas da forma mais confiante possível fazem deste um álbum inteligente e único e a contrariedade destes dois fatores (a fragilidade que o amor traz e a confiança que é gritar a revolta contra ele) é uma característica que lhe dá ainda mais valor.

Adore Life explora o Post-Punk no seu lado mais puro, como tão bem fazem as bandas londrinas dos anos 90 e 2000. Tal como seria esperado, as Savages cresceram. O facto de a sonoridade característica da banda nos transportar para um ambiente irrequieto e de crescendos constantes não serve, naturalmente, de desculpa para a música ser feita ‘’à toa’’. Nota-se neste álbum que há um maior cuidado na composição e também em manter algum equilíbrio entre as partes mais fortes e as mais calmas, o que faz com que, na opinião desta que vos escreve, musicalmente este seja um melhor trabalho do que Silence Yourself.

Batidas bem fortes, guitarras bem altas, vozes que se fazem ouvir. Empurrões, saltos, berros, cabeças a abanar. Pés que não param, coração a mil, joelhos esfolados, mãos no ar. E a maior beleza no meio disto tudo? Savages.

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Por Inês Pinto da Costa / 16 Fevereiro, 2016
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