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Sensible Soccers - Villa Soledade

Review
Sensible Soccers Villa Soledade | 2016
Luís Sobrado 24 de Maio, 2016
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Cinco anos depois de termos conhecido o primeiro EP, um homónimo de apenas quatro faixas vibrantes e dançáveis como "Fernanda", "Twin Turbo" ou a fan-favourite "Missé-Missé", os Sensible Soccers alcançaram já um estatuto de banda de culto em Portugal. Seja pelo sentido de humor dos títulos das suas canções, pelo enorme sucesso feito internet meme "Sofrendo Por Você" ou pelo aclamado primeiro longa duração, 8, que esteve em tour um pouco por todo o país, a verdade é que estes Soccers sempre se demarcaram do resto que se fazia em Portugal. Tudo sem ponta de pretensiosismo.

Essa demarcação começou por ser, acima de tudo, musical. Numa altura em que o rock psicadélico, indo da dream pop ao stoner rock, crescia de popularidade em Portugal, com inúmeras bandas a aparecerem em força do Norte ao Sul do país, lançadas por editoras como a Lovers & Lollypops, os Sensible Soccers encontraram-se, ao início, num espaço musical não muito distante desse. Mas, embora a sua música possa ser descrita como psicadélica, é muito mais do que isso. Já em 8, o disco que antecede ao novíssimo Villa Soledade, sempre foi acrescentado um sentido mais nostálgico, introspetivo e quase conceptual às suas composições, que fez o agora trio nortenho facilmente se destacar do muitas vezes vazio e muitas vezes banalizado e constantemente mimetizado restante psicadélico português­.

Manuel Justo, Filipe Azevedo e Hugo Gomes, os três membros atuais da banda após a saída do guitarrista Emanuel Botelho, ensaiam habitualmente em Fornelo (como ficámos a saber no EP Fornelo Tapes de 2012), freguesia com pouco mais de mil habitantes, que fica sensivelmente a meio entre Vila do Conde e a Trofa, as duas cidades onde vivem os membros da banda. E é aí que começa a história de Villa Soledade, título misterioso e aparentemente sem significado que é pedido emprestado a uma casa também ela sui generis que existe na estrada nacional que leva os músicos até Fornelo e que é, segundo a banda, uma homenagem de um pai a um filho falecido.

Villa Soledade é em grande medida, isso mesmo. Uma ode a um filho já desaparecido, que é a infância e um passado vivido pelos músicos da banda num Portugal rural, suburbano e fortemente marcado pela industrialização que é, agora, decadente, como aquele que se encontra nas zonas de Vila do Conde e São João da Madeira, onde cresceram Manuel Justo, Filipe Azevedo e Hugo Gomes.

Entramos em Villa Soledade e "Clausura" abre o disco com um oxímoro e com uma melodia etérea, quase fantasmagórica, que nos transporta para um universo, à primeira vista, semelhante ao de 8. Mas, na verdade, “Clausura” representa o fecho de um capítulo: do cenário outonal, mais até do que invernoso, mas certamente cinzento e depressivo (como era a própria capa de 8), e a chegada da brancura de Villa Soledade, da presença de côr, da brancura e claridade que também está evidente na capa deste novo disco.

Lá mais para a frente no disco, chegamos ao pico do verão: "Bolissol" e "Nunca Mais Me Esquece" são duas canções que expressam bem a mudança de som do anterior disco para o mais recente trabalho dos Sensible Soccers. Irresistivelmente dançáveis, a guitarra gingona de Filipe Azevedo e os ritmos exóticos das eletrónicas siamesas de Manuel Justo e Hugo Gomes entram numa espiral de som festiva que culmina em crescendos kitsch, quase eighties. Decadentes, como a própria Villa Soledade.

Também "Shampom", uma composição épica de quase de 10 minutos, faz uma viagem por entre paisagens recônditas ao mesmo tempo que pisca o olho ao krautrock de uns Tangerine Dream, com órgãos intermináveis que nos recordam alguns dos pontos altos da carreira da banda, como "AFG" ou a já referida e mui popular "Sofrendo Por Você". As guitarras ziguezagueantes de Filipe Azevedo criam mais um crescendo apoteótico, que nos guia até "Apertura", a última canção do disco (e quem sabe, mais uma das várias referências futebolísticas obscuras da banda após “Sob Evariste Dibo”, “Zaire 1974” e algumas outras) que fecha de forma atmosférica e delicada, nuns dois minutos finais que deixariam uns Boards Of Canada orgulhosos.

Como já reparámos pelas Clausuras que abrem, as Aperturas que fecham e os crescendos decadentes, a banda adora oxímoros, trocadilhos e jogos de palavras, e o sentido de humor da banda é uma das facetas determinantes dos Sensible Soccers que, de certo modo, também justifica o seu culto. Ainda assim, que fique claro que é só natural que a popularidade do trio nortenho continue a crescer, mas não só por serem uma banda com graça (que são) e sentido de humor inteligente. Porque 2016 foi o ano em que lançaram, até à data, o seu melhor trabalho, e um dos melhores discos lançados em Portugal nos últimos anos. A escuridão é luz e a decadência é uma festa, em Villa Soledade.
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