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Shabazz Palaces - Lese Majesty

Review
Shabazz Palaces Lese Majesty | 2014
Luís Sobrado 06 de Novembro, 2014
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Há mais de 20 anos, em Brooklyn, New York - onde mais poderia ser? - Ishmael "Butterfly" Miller formou juntamente com Mary Ann "Ladybug Mecca" Vieira e Craig "Doodlebug" Irving um dos grupos mais menosprezados e subvalorizados da história do hip-hop. Os Digable Planets, com os mais certeiros samples de jazz e funk, foram pioneiros de um underground hip-hop que hoje se assume como um estilo de grande aceitação e que é associado a nomes como o lendário MF DOOM ou ao colectivo Odd Future.

E é do seio desses já esquecidos Digable Planets, e da mesma mente criadora de beats como os de "For Corners", "Rebirth Of Slick (Cool Like Dat)" ou "Where I'm From", que nascem os Shabazz Palaces. Ishmael Miller saiu de Nova Iorque, voltou à sua Seattle e juntou-se ao multi-instrumentalista Tendai Maraire para criar este projecto de um hip-hop assumidamente experimental e futurista.

Dois EPs (Shabazz Palaces e Of Light, ambos de 2009) e um longa-duração (Black Up de 2011) depois, Lese Majesty confirma a aposta da Sub Pop neste género (que só com estes mesmos Shabazz Palaces passou a contemplar no catálogo da editora de Seattle) como uma aposta mais que ganha. Psicadélico, enigmático e ultra-sofisticado - assim é o som dos Shabazz Palaces. Será também este o som do futuro do hip-hop?

A abrir, "Dawn In Luxor" e "Forerunner Foray" apresentam-nos de imediato o universo fantástico, excitante e "trippy" que já Black Up nos tinha oferecido há três anos atrás, com malhões da categoria de "Are You... Can You... Were You? (Felt)". Sem perder o faro jazzy, que estará certamente no sangue de Ishmael Miller, "They Come In Gold", "Harem Aria" ou a auto-homenagem "Ishmael" conferem um espírito também dançável a este disco.

"#CAKE" e "Colluding Oligarchs", com as suas batidas irrepreensíveis e instrumentais fantasmagóricos, ou "Suspicion Of A Shape", quase em estilo de lullaby, são provas da polivalência deste projecto, sendo que todo o perfeccionismo aliado a uma clara sensação de descomprometimento, elevam este disco a um patamar que poucos conseguiram em 2014.

Não se espere deste hip-hop muito "airplay". Isto não quer dizer, ainda assim, que malhões como a já referida "Ishmael", "Divine Of Form" ou a narcótica "Motion Sickness" não possam fazer deste álbum, mesmo contando com toda a atenção ao pormenor, todo o bom-gosto e todo o mood atmosférico e filosófico que o rodeia, um bom motivo para dançar.

Jazz, na sua vertente mais experimental, no know-how. Electrónica, na sonoridade. Hip-Hop, no motto. Fusão. É disto que se trata quando falamos dos retro-futuristas místicos Shabazz Palaces.
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