9
SEG
10
TER
11
QUA
12
QUI
13
SEX
14
SAB
15
DOM
16
SEG
17
TER
18
QUA
19
QUI
20
SEX
21
SAB
22
DOM
23
SEG
24
TER
25
QUA
26
QUI
27
SEX
28
SAB
29
DOM
30
SEG
31
TER
1
TER
2
QUA
3
QUI
4
SEX
5
SAB
6
DOM
7
SEG
8
TER
9
QUA

SikTh - The Future In Whose Eyes

Review
SikTh The Future In Whose Eyes | 2017 Progressive Metal
Pedro Sarmento 11 de Dezembro, 2017
Partilhar no Facebook Partilhar no Google+ Partilhar no Twitter Partilhar no Tumblr

Melvins - A Walk With Love & Death

Björk - Utopia

Estávamos no meio do verão de 2003 quando os SikTh abriram de rompante a Caixa de Pandora do metal matemático progressivo, libertando uma torrente demoníaca de ideias musicais inovadoras e arrojadas, seminais na definição de um estilo que floresceria mais tarde em peso, moldando bandas como Periphery, Protest The Hero e Tesseract. Passaram catorze anos desde The Trees Are Dead & Dried Out Wait for Something Wild, lançamento de estreia do sexteto de Watford, e o panorama de aceitação deste tipo de estilo alterou-se radicalmente. Pelo meio, a banda produziu mais uma obra-prima, Death of a Dead Day em 2006, refugiou-se e partiu-se num hiato de seis anos em que vários elementos se dedicaram a projectos laterais (Aliases, Primal Rock Rebellion, Sol Invicto, The HAARP Machine). O projeto reuniu-se novamente em 2014, e abriu mais uma vez as hostilidades com o excelente EP Opacities em 2015.

Mas afinal, o que é que torna SikTh numa voz tão expressiva e singular? Tudo. São o pacote completo, com um reluzente embrulho exterior e um valioso conteúdo interior. A dupla de vocalistas, Mikee Goodman e (desde a saída de Justin Hill) Joe Rosser, personificam na perfeição o dualismo polícia bom/polícia mau, explorando todas as possibilidades criativas do stereo, narrando e navegando através dos tempestuosos mares instrumentais. O baixo de James Leach, que num piscar de olhos passa de um tapping harmonioso para um slap agressivo e bombástico, as guitarras de Graham “Pin” Pinney e Dan Weller, que figuram em lugar de destaque no almanaque de estilo de qualquer guitarrista da cena do metal progressivo, e a bateria de Dan “Loord” Foord, que aglutina toda esta musicalidade aparentemente desconexa e lhe confere um aspecto arrumado e sincronizado à semifusa.

Todo este contexto histórico posiciona a barra de qualidade num nível muito elevado, mas The Future in Whose Eyes? está, pelo menos, ao nível dos trabalhos anteriores da banda. Produzido pelo guitarrista Dan Weller e masterizado e misturado por Adam “Nolly” Getgood (Periphery) o disco de doze faixas conta pela primeira vez com a contribuição de um músico exterior ao grupo, o incontornável Spencer Sotelo, “whose voice goes up like an angel and down like a wounded ox”, também dos Periphery. Os apetites foram previamente aguçados com “Vivid”, “Golden Cufflinks” e “No Wishbones”, e o seu lançamento antes do tempo deixou os fãs e aficionados a salivar por mais.

É precisamente por “Vivid” que o ouvinte começa a experiência auditiva, pontapeado e enxotado para todos os lados por uma linha introdutória de slap crocante e um riff maluco viciante. O duo de vozes entra finalmente ao serviço e somos novamente transportados para o início do milénio e para aquele sentimento interior em que nos perguntamos, atónitos, “Que caralho de bomba é que acabou de me atingir?”. O refrão está num ponto melódico sem ser cheesy, e o tema termina com uma redução agressiva de bpm’s que espanta e impressiona o quão natural soa. A vontade é de voltar atrás e ouvir tudo de novo, as vezes que tiverem que ser. No entanto, a curiosidade é muita e um pequeno deslize de segundos é o suficiente para ficarmos agarrados a “Century of the Narcissist?” e não ser mais possível inverter a marcha. É a escolha certa: sangue a bombar mais intensamente, harmonia de aceleração cardíaca e adrenalina, choque de notas e finalmente uns segundos de limpeza e paz, rapidamente trucidada pelo regresso do ambiente inicial.

“The Aura” completa o trio de faixas iniciais de álbum mais bem conseguido dos últimos tempos. Contrastante com as duas anteriores, o refrão é dos mais poderosos do trabalho e a crescente altercação de dinâmicas é hipnotizante. É a prova de fogo do novo vocalista Joe Rosser e o veredicto é mais do que positivo. A poesia foi sempre uma característica muito própria da banda, fazendo valer as enormes capacidades declamatórias de Mikee Goodman, e este álbum não é exceção, com exemplos como “This Ship Has Sailed”, “The Moon’s Been Gone for Hours” e “When It Rains”. A mensagem é passada, a interrupção temporária do caos musical é intencional e eficaz.

“Weavers of Woe” abre com a força toda, duelo de vozes de um lado para o outro, Goodman no seu growl tresloucado e Rosser à altura, e a muita aguardada “Cracks of Light” entra finalmente em cena. É nobre a colaboração entre a banda e Spencer Sotelo, sem preconceitos nem superioridades morais tecidas pela fama recente, e o resultado é o que se esperava e mais até: o tema flui espetacularmente, condensando em quatro minutos e pouco, muitos dos argumentos estéticos do metal progressivo que se pratica nos dias que correm.

O paladar sonoro dos mais cépticos poder-se-ia revestir de abafadores retóricos e apostar, num período prévio à audição do novo trabalho, no argumento de que “estão ultrapassados”, “deixaram o comboio passar” ou simplesmente “já não há nada para inovar”. É falso. Ninguém ficará desiludido com este trabalho: quem os conhece bem, quem os conhece mal ou quem não os conhece de todo. É reconfortante ter SikTh de volta ao leme do navio e espera-se ansiosamente por novos contributos e concertos. Sejam bem-vindos de volta!


Nota: Este autor utiliza o Antigo Acordo Ortográfico.
por
em Reviews

SikTh - The Future In Whose Eyes
Queres receber novidades?
Comentários
http://www.MOTORdoctor.PT
Contactos
WAV | 2019
Facebook WAV Twitter WAV Youtube WAV Flickr WAV RSS WAV
Queres receber novidades?