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Sr. Inominável – D’estalo

Sr. Inominável

D’Estalo | 2015

PONTUAÇÃO:

7.7

 

 

 
O passado mês de Setembro marcou a estreia discográfica do Sr. Inominável que, após presença na compilação Novos Talentos FNAC dois anos antes, decidiu traçar o seu caminho nestes caminhos infinitos da música Pop, neste caso, portuguesa (e em português) com o seu disco de estreia editado pela também novinha editora Azul de Tróia.

Logo em “Punhal”, a faixa que abre o disco, sabemos com o que contar: bom pop revivalista (há quem diga que a música pop é toda revivalista, ou seja, cíclica, mas isso fica para se discutir noutra ocasião). Esse mesmo pop é o que nos vai acompanhar na restante meia-hora de música acompanhado por uma boa componente lírica incidindo sobre os mais diferentes temas do quotidiano destes dois rapazes. Entende-se o single “Corre Por Aí” pela sua simplicidade, pelo sintetizador a preencher eximiamente a música, pela consecutiva repetição do refrão (“corre por aí que és a minha melhor canção, corre por mim berço do meu coração”) acompanhado pelo pedal da bateria como que a pedir palmas e coros em uníssono. Tem tudo para resultar bem ao vivo.

Tal como na generalidade do álbum, “P’ra Inglês” transporta-nos para um universo paralelo que, apesar de não o termos presenciado, sentimo-lo bem no nosso coração. Por mais que queiram, a memória não morre assim tão facilmente e após a sua primeira tentativa de extermínio salta de novo para a ribalta em “Diz Que Disse”, a música mais melancólica de todo o disco, no entanto, uma das mais belas, tanto no liricismo como na melodia. O jingle limpo de guitarra super sonhador é uma mais valia para a canção. (será arriscado mencionar uns Beach Fossils?) “Diz que foi o fim que te deixou assim, e o que te trouxe a dor diz que se chama amor” foi a frase que nos ficou na cabeça.

Em D’Estalo ouvimos os bons anos 80, o Rock Rendez-vous, as linhas de baixo groovy do (pós-)new wave presentes em bandas como os GNR, Ecos da Cave e mais tarde de uns Salto, talvez esta seja a comparação mais óbvia nos dias que correm. Os teclados regressam em peso durante “Pronto A Despir” (bom trocadilho!) que conta com a participação de Columbia nas vozes femininas. Mais uma boa descarga de bass lines funky antes da frase que dá nome à música ecoar nos nossos ouvidos (“Estás pronta a despir e eu pronto a te sentir”), primeiro pela voz de Pedro Rio-Tinto e, posteriormente, pela voz de Columbia.

A verdade é que este disco é bastante coeso na sua composição e na escolha dos temas. Todas as canções combinam incrivelmente bem, o feeling é praticamente o mesmo ao longo do disco e sua curta duração impede que nos fartemos dele tão facilmente como noutros casos. D’Estalo chega em boa hora, neste tempo que é o de decadência da natureza: o início de Outono. “Volto Já” termina o disco deixando implícito um novo recomeço. Recomeçamos. Escutamos “Perfeito Acaso” enquanto observamos o pôr-do-sol calmamente (que cada vez sai de cena mais cedo). E antes de regressarmos a casa constatamos que o Sr. Inominável é a banda revelação deste Outono.

“Foste o perfeito acaso para a minha imperfeição e eu fui a desordem que nos deu razão”

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Por Diogo Alexandre / 22 Outubro, 2015

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