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Sufjan Stevens - Carrie & Lowell

Review
Sufjan Stevens Carrie & Lowell | 2015
Luís Sobrado 15 de Abril, 2015
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Apesar de ainda nem ter completado 40 anos, o eternamente jovem Sufjan Stevens conta já com uma discografia de respeito em quantidade e, sobretudo, em qualidade. Depois de abandonado o 50 States Project (ideia megalómana de Sufjan que previa o lançamento de cinquenta discos, cada um tendo como tema um dos estados norte-americanos), chegou-nos aos ouvidos Age Of Adz, em 2010. Exuberante e sofisticado, complexo, enigmático e cerebral. Teatral, quase. Significou uma grande evolução na carreira de Sufjan. Por outro lado, Carrie & Lowell, é um regresso às raízes. Literalmente.

Comecemos pelo título. Carrie & Lowell é, assumidamente, uma homenagem à sua mãe, Carrie, e ao seu padrasto, Lowell. Muitas das canções fazem referência às viagens que Sufjan fazia com a família ao estado do Oregon durante a sua infância e à morte da mãe em 2012, pelo que facilmente descobrimos o porquê da melancolia, nostalgia e honestidade que são comuns a todas as onze canções do disco: na forma, no conteúdo, no propósito.

Como qualquer disco tão pessoal e autobiográfico, Carrie & Lowell foi gravado em casa. Depois de Michigan ou Illinois, dois mega-projetos parte do já referido 50 States Project, terem sido gravados em espaços amplos como a St. Paul's Church de Brooklyn, necessários para tamanha orquestração, este novo disco foi também gravado nesse borough de Nova Iorque, mas em casa de Sufjan. Algumas demos, aliás, foram gravadas previamente numa viagem do músico às Klamath Falls, no Oregon, local onde terá passado parte da infância com a sua mãe, tentando assim recriar parte dos momentos que relata nas canções do disco.

Desde a faixa de abertura, a maravilhosa "Death With Dignity", até ao final do disco com "Blue Bucket Of Gold", a simplicidade é palavra de ordem. As canções são aquilo mesmo que são, sem floreados nem adornos. São apenas um homem com a sua guitarra. São simplesmente algumas das mais bonitas melodias que podemos ouvir em 2015 e, ao mesmo tempo, fazem-se acompanhar pela voz em jeito de sussurro e pela escrita elaborada, repleta de imagens e metáforas, mas delicadamente trágica e espiritual de Sufjan. Essa mesma espiritualidade foi revelada em Seven Swans, de 2004, disco ao qual Carrie & Lowell mais se assemelha a nível sonoro e que está repleto de referências bíblicas (em "Abraham" ou "The Transfiguration", por exemplo). Ainda assim, a espiritualidade está algo escondida num disco que é, sobretudo, sobre si, Sufjan, e a sua família.

"When I was three, three maybe four / She left us at that video store" é uma das frases que não escapam a um highlight. Está presente em "Should Have Known Better", canção que relata o abandono protagonizado pela sua mãe, que sofria de esquizofrenia e toxicodependência e que faleceu em 2012. Nessa canção, é feita ao mesmo tempo a homenagem ao seu padrasto: Lowell revelou-se bastante mais próximo de Sufjan e hoje é um dos líderes da sua editora, a Asthmatic Kitty. Também "Fuck Me I'm Falling Apart" é possivelmente a frase mais repleta de honestidade saída de alguma canção de 2015 e, na verdade, resume boa parte da vertente introspetiva de Carrie & Lowell.

As onze canções do álbum falam-nos (ao ouvido) de perda, solidão, de fé e da falta dela. "I should have wrote a letter / Explaining what I feel, that empty feeling", canta também em "Should Have Known Better". A morte da sua mãe deixou-lhe esse vazio que o levou a beber ("Now I'm drunk and afraid / Wishing the world would go away"), às drogas, à perda de fé, à incapacidade de se relacionar ("You checked your text while I masturbated") e a questionar-se sobre a vida e a morte e o seu propósito ("Do I care if I survive this?").

Segundo Sufjan, este foi um álbum necessário para se afastar do sofrimento após a morte da mãe há três anos atrás. Entre as várias citações maravilhosas que encontrámos do músico sobre este álbum, uma destaca-se: "O álbum não tenta dizer nada de novo, ou provar alguma coisa, ou inovar. Parece-me até "artless", o que é bom. Isto não é o meu projecto de arte; isto é a minha vida". Sufjan bem pode perguntar "What's the point of singing songs / If they'll never even hear you?" em "Eugene". Celestialmente infernais, pelo que retratam, mas mais ainda infernalmente celestais são as canções com que Sufjan nos abala e faz chorar. Por isso não, Sufjan, nós não temos dúvidas que, de uma maneira ou de outra, elas, as canções, a ouviram, e ela, a tua mãe, as ouviu.

Só podemos desejar, por fim, que não sejam precisos mais cinco anos para que possamos voltar a ouvir canções vindas do génio um tanto ou quanto bipolar e, ironicamente, esquizofrénico de Sufjan Stevens. Porque, quer seja neste registo intimista, assustadoramente pessoal e autobiográfico de Carrie & Lowell, quer seja com a folktronica desconcertante de Age Of Adz, ou quer seja ainda com a indie folk orquestral de Illinois, é este o melhor songwriter do novo século.
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