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Sun Kil Moon – Universal Themes

Sun Kil Moon

Universal Themes | 2015

PONTUAÇÃO:

7.5

 

 

 
Depois de nos brindar com aquele que foi, para alguns, um dos melhores álbuns de 2014, Mark Kozelek tira mais um às do baralho e compõe um agradável sucessor para Benji: Universal Themes. As expectativas eram elevadas depois do disco que levou Sun Kil Moon ao seu auge, mas se Benji é o ponto mais alto, Universal Themes não está muito longe.
Sun Kil Moon não tem que rimar, a métrica não tem de ser perfeita e as dinâmicas pouco importam. As capacidades técnicas e o estatuto de prodígio nunca foram ambições que interessassem para Kozelek, ou pelo menos não em primeiro plano. Kozelek é aquilo que se compromete a ser: um contador de histórias por excelência.

Universal Themes não se afasta muito do estilo musical que caracteriza os restantes álbuns de Sun Kil Moon: um folk rock límpido e consistente, mas que conta agora com algum experimentalismo e elementos distintos. No entanto, Benji é o foco de comparação inevitável. Enquanto no álbum anterior são explorados à exaustão sentimentos mais poderosos e fortes (entre os quais o contacto com a morte, a perda, o crescimento e as vivências familiares), em Universal Themes o cerne da questão assenta em assuntos mais banais e acontecimentos quotidianos- tornando, assim, as canções mais “universais”.

O ambiente pesado e soturno das narrativas de Benji não se sente neste disco, ou pelo menos não de forma tão presente, e isso nota-se no preciso instante em que começa ‘’The Possum”. Não temos uma ‘’Carissa’’, mas temos ‘’Birds of Films’’; não temos ‘’Dogs’’, mas temos ‘’With A Sort Of Grace I Walked To The Bathroom To Cry’’. Se em ‘’I Love My Dad’’ pensamos ouvir Mark Kozelek na sua faceta mais doce e sensível, em ‘’Garden of Lavender’’ estas características elevam-se ao seu mais alto expoente (Was on a flight home from—well, it doesn’t matter/Eleven hours, a million thoughts were gathered/And my mind kept racing to my garden of lavender/I wanted to get to them so they wouldn’t die/When I got home, they were dry as weed).

Podemos, portanto, dizer que Universal Themes é uma versão ‘soft’ de Benji, mas igualmente bem conseguida e bastante aprazível. A reflexão constante que Mark Kozelek tem vindo a escrever há tantos anos continua a dar os seus frutos e o tamanho sucesso de Sun Kil Moon é a prova disso. Conhecemos Kozelek pelo que escreve, pelo que canta, pelo que interpreta de forma tão humildemente sentida e verdadeira. Uns escrevem um livro, têm um filho, plantam uma árvore. Sun Kil Moon fala desses, e de si, em álbuns como Universal Themes. E o resultado, por ser bom, sabe a pouco.

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Por Inês Pinto da Costa / 4 Agosto, 2015

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