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Swans - To Be Kind

Review
Swans To Be Kind | 2014
Rafael Trindade 23 de Junho, 2014
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Estamos em 1996. Após várias experimentações pelos campos do noise rock, gothic, no-wave, post-punk e rock alternativo, os norte-Americanos Swans (que não precisam de introduções) consagram nesse mesmo ano o seu nome como uma das maiores bandas de culto de sempre com o aclamado, opulente e célebre Soundtracks for the Blind. Um disco que incorporou tudo o que os Swans eram até ali, acrescentando à fórmula doses massivas de música post-rock, ambiente e drone. O clássico foi nada mais, nada menos, do que a culminação dos ideiais e das facetas musicais dos norte-americanos, desde os inícios dos anos 80 até ali. Um disco duplo que resumira 16 anos de carreira da maneira mais arrepiante, perturbadora e ainda assim gloriosa.


Após Soundtracks, a banda separa-se durante 14 anos. 2010 testemunhou o improvável mas surpreendente regresso das referências no campo da música experimental, com My Father Will Guide Me Up A Rope To The Sky, enquanto que 2012 foi o ano em que a banda lançou o controverso e obsceno The Seer, aquele que Michael Gira citou como "a culminação de 30 anos de carreira e de tudo o que os Swans tinham feito", e assim incorporando influências de música folk, tribal e étnica no já versátil e diversificado arsenal dos Swans.


Hoje. Tempo presente. Ano 2014. A banda liderada por Michael Gira lança o seu álbum mais letal e ambicioso de sempre: mais uma vez, um disco duplo com uma duração de duas horas na sua totalidade, no qual a música mais curta dura 5 minutos, e a mais longa, 34. Os resultados? Os Swans finalmente conseguem criar magia culminante e absolutamente horripilante, de novo.


To Be Kind é um álbum colossal em todos os sentidos: a sua duração? Extensa. A sua capa? Enigmática. As suas faixas? Todas as faixas são monstros de sete cabeças, tanto em duração como em versatilidade. A sua produção? Soberba. As letras? Deliberadas de modo hipnótico, repetitivas, retratadoras da nossa sociedade no seu mais repulsivo, bem como da dura realidade em que vivemos, sendo estes dois tópicos perspectivados “à Swans”, claro. Os vários grooves e ritmos que o álbum tem para mostrar? Irresistíveis. O fluir do disco? Sólido como uma muralha, perfeitamente consistente, sincronizado como uma aventura pelo desconhecido. A sonoridade? Visceral. As composições? Meticulosamente preparadas e cuidadosamente encenadas. A atmosfera do disco? Horripilante de arrepiar a espinha, assombrosa como nenhum material na discografia dos Swans tinha sido desde Soundtracks for the Blind.


To Be Kind abre bocas e literalmente parte-as com cada soco nos dentes infligido a cada compasso da efervescente, progressivamente mais demoníaca e intensa abertura que é a faixa Screen Shot. To Be Kind arrepia e assombra com o jazz/blues insanamente sabotado, quase que vindo das profundezas do Inferno, encontrado em Just A Little Boy, sendo a este acrescentados efeitos de gargalhadas maníacas, vocais quase esquizofrénicas do Sr. Michael Gira, secções rítmicas soberbas a manterem um groove indubitavelmente sólido e climaxes abrasivos, conclusivos, que gritam… Mais que gritar! Pintam, choram pura agonia.


To Be Kind lança-se à experimentação e impressiona com a consistência, intensidade, loucura, emoção, ambição, grandiosidade, visceralidade, beleza, peso e sobretudo com a versatilidade sonora, todas estas características a descobrir no pânico auditivo de 34 minutos/sinfonia perfeitamente orquestrada que é a faixa estrela do disco, Bring The Sun/Touissant L’Ouverture. To Be Kind aterroriza com cada palavra que Michael Gira paranoicamente pronuncia, associando cada palavra à sociedade do tempo presente, na sombria Some Things We Do, que fecha o primeiro dos dois discos.


Um álbum que faz o ouvinte pairar no horror sónico construído de modo progressivamente mais intenso em She Loves Us, faixa de abertura do segundo disco, apenas para sucessivamente ser amainado o ambiente em To Be Kind, emocionando e comovendo a pessoa a experienciar a aventura musical, com o tema Kirsten Supine e o seu poderoso climax… para mais tarde atormentar a mente do ouvinte com a agressão imensurável, as vocais agonizantes, os riffs distorcidos e desorientadores, as batidas desconcertantes e as paredes de som que Oxygen constrói e simultaneamente transcende.


O tema Nathalie Neal faz o ouvinte assistir a uma improvável mas demente colaboração entre os norte-americanos e a intérprete Annie Clark (mais conhecida pelo seu nome artístico, St. Vincent), e seria demasiado revelador descrever esta faixa que tanto contém em 10 minutos. A última e homónima faixa de To Be Kind parece ser o fim de toda a loucura e de todas as calamidades geradas pelos 9 colossais temas anteriores… mas a faixa apenas intensifica todo este masoquismo com um final aterrador, emocional, glorioso e, mais que poderoso: omnipotente.


“To Be Kind” é o fruto imaculado de 30 versáteis anos de carreira. Tal como Soundtracks for the Blind mostrou uma culminação de tudo o que a banda foi e era em 1996, To Be Kind é a culminação de tudo aquilo que os Swans eram (tanto nos 80’s de Filth, Cop e Children of God, como nos 90’s de White Light From The Mouth Of Infinity e The Great Annihilator), foram, hoje são (com The Seer na bagageira) e provavelmente alguma vez serão.


O novo disco dos Swans é um feito. Criativo, transcendente, inovador, diverso, colossal, consistente, pretensioso, letal, feroz, atroz, emocional, perverso, repulsivo, abrasivo, perturbador e conseguido da melhor maneira. Um marco em 2014, To Be Kind, tal como The Seer, é a maturidade de uma banda histórica, exibida em tela cheia na forma de um fenómeno musical abrasivo, consistente, versátil, experimental em todos os seus extremos, meticulosamente concebido e tortuosamente belo. Numa discografia repleta de álbuns seminais como a dos Swans, este é um dos maiores tesouros.


Em três décadas, e tal como vinho,… eles envelheceram tão bem.

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Swans - To Be Kind
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