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The Autist – Entangled EP

The Autist

Entangled | 2015

PONTUAÇÃO:

6.4

 

 

Decidi debruçar-me sobre um género de música ao qual tenho bastante ligações psicológicas mas que já não é prioridade nas minhas playlists do mp3. O Metalcore, como toda a música, passou por uma série de mudanças até cair numa “mesmisse” quase ao mesmo nível de uma tal de Neo-Psychedelia, mas isso agora não é para aqui chamado. Os The Autist surgem já num pós-Metalcore e após a fama que um subgénero de seu nome Djent (chamado assim devido ao som que a corda efetua em palm mute) adquiriu, sensivelmente, em 2010. Bandas como Messhuggah, Sikth, Tesseract, Vildhjarta e Periphery são exemplos disso. Tudo isto para enquadrar a banda no tempo e no espaço.

Os The Autist lançaram o primeiro EP em Dezembro de 2014 (lançado em formato físico já durante este ano) e não são uma típica banda de Djent nem uma típica banda de Metalcore, funcionam quase como uma espécie de híbrido das duas. A banda composta por João Prim (na guitarra e nas vozes), também membro de Wall Of Vipers e Burned Blood (bandas pesadas ambas pertencendo a subgéneros do Hardcore) pega no que de mais agradável se faz nos dois géneros, aos quais junta uma voz feminina, acabando por dar um contorno bastante interessante a este projeto. O contraste entre a voz doce de Edna Gutierrez e a voz rasgada de Prim funciona bastante bem neste primeiro EP da banda.

O disco começa com uma introdução digital de 1 minuto e 24 segundos, bastante comum em discos do género, antecedendo o apocalipse de “Stardust”, que detém diversos contra-tempos interessantes/breakdowns e até sessões curtas de blastbeats. Agarrando o lado Prog do Djent e o lado melódico do Metalcore.

“Age Of Leviathan” iniciada aos teclados, é tocada quase que em crescendo, cheia de groove, com vocais intensos e ritmos rápidos q.b. Mais 6 minutos impetuosos com uma forte componente ambiental, capaz de captar toda a atenção do ouvinte sem que ele sinta a necessidade de se desprender. É interessante a capacidade desta banda conjugar a melodia-força-melodia na sua sonoridade, recorrendo inúmeras vezes à utilização de sons poucos comuns dentro do género elevando a epicidade da sua música (as cordas têm um papel fundamental). “The Great Lioness” (que conta com a voz de Diana Rosa) é a malha mais groovy de todo o disco muito por culpa dos prolongamentos de notas que as guitarras praticam durante a canção, fazendo-nos agitar a cabeça de forma confiante.

“Loveless”, curiosamente escolhida como single, é a música menos conseguida de todo o disco, na minha opinião. Talvez uma melhor masterização não só deste tema mas de todo o disco, servisse para tornar a música e, principalmente, os vocais mais prazerosos. Esta canção mais calma, requer vocais limpos e bem audíveis, coisa que aqui não acontece. Destaque para os teclados “célticos” que irrompem aos 3 minutos.

Para terminar, “Ethereal”, cheia de sintetizadores, faz-me lembrar uns tais de Sonic Syndicate, que tão bem utilizavam esses efeitos no decorrer das suas canções. Não sabemos se a banda sueca é, efetivamente, uma das influências da banda mas calculo que sim. Aqueles sons tiveram que vir de algum lado. “I am at the end of the world” são as últimas palavras escutadas neste E.P. deixando presente que este é o primeiro volume de uma história ainda inacabada.

Os The Autist chegam tarde, é verdade, mas mais vale tarde do que nunca. Portugal já estava a precisar de uma banda assim.

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Por Diogo Alexandre / 16 Junho, 2015
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Um gajo que gosta de música e escreve coisas estranhas.

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