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The Avalanches – Wildflower

The Avalanches

Wildflower | 2016

PONTUAÇÃO:

8.5

 

 

 

Recuemos até ao ano 2000, ano em que ouviríamos falar pela primeira vez de Since I Left You, de um coletivo australiano de música eletrónica que se dava pelo nome de The Avalanches. Considerado um dos melhores álbuns australianos até aos dias de hoje, os The Avalanches, nesse longínquo ano, mostraram que era possível fazer coisas bonitas misturando muitos elementos, isto é, “samplando” excertos de música e de variados sons, criando um tipo de música novo, fresco e com uma vibe positiva.

Regressemos a 2016. Eles voltaram e voltaram a fazer um disco surpreendente que é dono de um espírito contagiante. Robbie Chater, James Dela Cruz e Tony Di Blasi permitem-nos uma viagem fabulosa pelas suas referências.  Imaginem uma visita aos quartos do Hotel Mon Signor (Four Rooms) e uma experiência completamente diferente em cada um desses quartos. Experiências improváveis. É essa a energia presente em Wildflower e é nesta perspetiva que o devemos ouvir. Cada faixa (ou conjunto de samples) transporta-nos para uma natureza diferente à medida que o disco vai girando. Permite-nos limitar estados de espírito à medida que a música vai soando. Uma viagem de comboio em que cada estação é bela, mas completamente diferente da anterior. Um disco que vale muito a pena ouvir do princípio ao fim, com o ouvido atento a todos os pormenores, uma vez que foi tudo foi feito com a mais rigorosa minúcia.

Logo no início ouvimos “Because I’m Me”, uma colaboração com Camp Lo e onde se ouvem pequenos excertos de Why Can’t Get It Too (Six Boys in Trouble), Want Ads (Honey Cone) e Bobby Sox Idol (King Houdini and His Calypso Parliament) que faz explodir ritmos de disco, R&B e hip-hop em pouco mais de quatro minutos. A transição é feita para “Frankie Sinatra” juntamente com King Houdini, Percy Faith & His Orchestra e até Kid Rock, onde o rap se faz ouvir com a ajuda de Danny Brown e MF Doom. É depois desse momento que entramos num metro em direção ao disco, com “Subways” e “Going Home”, onde se misturam Chandra (Subways), Graham Bonnet (Warm Ride), Patrick Simmons (Black Water) e um improvável Jean-Michel Basquiat. À saída do metro reconhecemos a voz que se segue e descobrimos que o indie se manifesta através de Chaz Bundick (Toro Y Moi) à medida que as suas palavras se misturam com elementos de Queens Of The Stone Age e Beach Boys. Seguindo para a faixa mais “estranha” do álbum, “Colours” é um original do grupo. Nada de misturas, nada de colaborações. Toda a sua essência é Avalanches e as estrelas ficam tão mais brilhantes ao som desta maravilha! Mas logo voltamos ao rap comThe Noisy Eater”, que tem como estrelas principais Biz Markie e o coro da “Come Together” dos Beatles. Em “Harmony”, recordamos a nossa infância. Todo aquele tempo passado a brincar, toda a magia de tudo o que era novidade e o fascínio pelas coisas mais simples. Elementos “samplados” de The Association (Everything That Touches You), da Rua Sésamo, entre outros, trazem essa nostalgia de volta. E que bem que sabe. Assim que acabamos de sonhar, Danny Brown junta-se à eletrónica de The Wozard of Iz, à soul de Darondo e o resultado é um hip-hop do qual não estaríamos à espera, mas que entra no ouvido sem pedir licença. Finalizando esta maravilha de álbum, os Avalanches permitem-nos relaxar ao som de “Saturday Night Inside Out”, uma colaboração magnífica com David Berman e Father John Misty, que faz acreditar que não havia outra forma de dar por encerrada esta hora de música refrescante que é compilada em Wildflower.

Quer pela sua variedade de estilos musicais, quer pela originalidade das suas criações, este disco dos The Avalanches tem o poder de criar sensações que, apesar de diferentes, se complementam à medida que vamos ouvindo todas as faixas. Este é um disco que deve ser contemplado pelo seu todo. Só dessa forma é possível perceber o êxito de “Since I Left You” e o porquê de um segundo disco ter sido tão aguardado.

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Por Diogo Rocha / 10 Janeiro, 2017

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