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The Body & Full of Hell – One Day You Will Ache Like I Ache

Review
The Body & Full of Hell One Day You Will Ache Like I Ache | 2016
João "Mislow" Almeida 18 de Abril, 2016
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Naðra - Allir vegir til glötunar

Jibóia - Masala


 

Full of Hell é uma das mais prolíficas bandas dentro da musica extrema do século XXI, com pouco mais de 6 anos, o grupo já coleciona uma amplitude vasta de registos ao longo dos anos. Com uma totalidade de 4 álbuns (dois deles em formato de colaboração), aproximadamente 5 splits e uma série de Eps, os californianos alcançam com toda a facilidade o objetivo que lhes tem tornado a banda que são hoje, “incendiar a normalidade na musica extrema”.

Cada lançamento recorre a uma mudança de planos, planos esses que podem dispersar-se desde a densificação do som, à elevação do caos e ao permanente acopolamento entre ruído e metal. Apesar do início profundamente alimentado por punk e d-beat, com o Roots of Earth are Consuming my Home a banda adotou elementos de crust, sempre motivando uma visão de som estritamente “straight-forward” e sem grandes merdas. O Rudiments of Mutilation, que não só desafiou o género do punk com inúmeras metamorfoses na escrita e no som, conseguiu também ganhar a incondicionável atenção de toda a comunidade do metal e do punk. Três anos depois, este continua a ser um álbum de grande destaque pela sua interpretação de punk em formato de power-violence, imerso na sua totalidade em sujidade sanguinária. Para além das claras tendências para o noise, a banda abraçou elementos de drone como elo de ligação entre os momentos de sossego e os de pura hemorragia mental. O álbum por si, desenrolou um papel crucial na direção da banda, desde então o underground tem cultivado atenção e antecipação no que toca a lançamentos e digressões da banda, isto graças especialmente ao contrato oficial pela Profound Lore Records.

Pouco tempo depois, a banda confirma o álbum de colaboração com Merzbow, um dos mais aclamados artistas de noise no Japão. Confesso que eu próprio nunca dei grande impressão a noise, portanto quando soube do lançamento, estava com a atenção mais focada na banda do que própriamente na colaboração. A banda não deixa espaço para dúvidas, e deixam perfeitamente claro que quanto mais inacessecível para o ouvido humano, melhor! Em comparação com lançamentos anteriores nota-se logo à partida: melhor produção, maior envolvimento musical, mais rápido, mais impiedoso, mais textura e acima de tudo, mais GRIND!

As intervenções exclusivas do Merzbow são raras mas isso justifica-se pelo contínuo envolvimento do japonês ao longo do álbum. Tanto os elementos individuais de Merzbow como a presença coletiva de Full of Hell encontram-se ambos a um nível bastante equilibrado, o que permite ao ouvinte o foco total no barulho coletivo e não apenas num só ponto. Ao lado deste registo, consigo equiparar poucos outros trabalhos que, tal como este, só virão a soar melhor com o passar do tempo. Álbuns como o Arise dos Sepultura, Utopia Banished dos Napalm Death, Hear Nothing... dos Discharge, Once Upon the Cross dos Deicide, Symbolic dos Death, Christs Redeemers dos The Body e Phantom Limb dos Pig Destroyer.

E secalhar é por encontrar o Christs Redeemers a um nível de qualidade tão semelhante ao de Full of Hell & Merzbow que não me espanta o avanço deste novo projeto entre os dois grupos.

The Body, para os mais desatentos, é um duo de Metal Experimental de Rhode Island, que à semelhança de Full of Hell, têm estado fortes e persistentes no lançamento de conteúdo ao público. Ativos desde 1999 contam com 5 álbuns de originais, 5 álbuns colaborativos (4 deles em destaque, trabalhados com Thou, Krieg e este mesmo, com Full of Hell) e uma quantidade impressionante de EPs e Splits. Outra coisa que lhes dão muita semelhança a Full of Hell é a invariável inclinação para a experimentação, algo que se nota notóriamente de lançamento para lançamento. A tendência está sempre debruçada sobre sonoridades densamente pesadas, cheias de textura e cor.

De sublinhar que música pode ser, por natureza, pesada mas ainda possuir vívidos vestígios de emoção humana e cor disso, algo que a banda consegue alcançar a partir de uma série de dualidades sónicas, trabalhando inúmeros contrastes entre música eletrónica (industrial, ambient, dark ambient e drone) e música instrumental. Havendo apenas guitarra, bateria e voz, as influências exteriores acabam por complementar a simplicidade dos instrumentais e ajudam a pintar panoramas arrebatadores de planos espaciais e sonhos cósmicos.

Eu sendo um obssecado por Sci-Fi e Cyber-Punk, encontro muito desse mundo na música de The Body, relembrando sempre algumas cenas arrepiantes no “2001: A Space Odyssey” do Kubrick, no “Stalker” do Tarkovsky ou até mesmo no “Alien” do Ridley Scott, e quando uma banda me consegue levar a outros cantos da arte, é meio caminho andado para me apaixonar pela música. Christs Redeemers retrata bastante bem essa versatilidade e mobilidade dinâmica da banda em recriar panoramas quase cinemáticos em formato de som. Telas aconchegadas por uma infinidade de cores, recriando uma câmara em slow-motion a divagar nos confins mais profundos do cosmos. Notam-se passagens interessantíssimas de peso esmagador em malhas como “To Attempt Openness”, “Fail to Desire to Communicate” e a minha favorita do registo “Bearer of Bad Tidings” cujo término do álbum é assinalado por um zumbido que vai progressivamente prefurando a barreira de som, numa frequência que por pouco conseguimos alcançar.

Com o I Shall Die Here, a banda tenta explorar os recurços mais debruçados para o peso esmagador que se fez conhecer aos poucos no Christs Redeemers. Agora com menos elementos de música orquestral, um ênfase parcial no peso da guitarra e na presença mais viável de synths, o duo tenta elevar o massacre auditivo a niveis que já mal conseguia imaginar, abrindo com “To Carry the Seeds of Death Within Me”, quase como uma sequela à ultima faixa do álbum anterior, e dando continuidade à opressão sónica que vos empurra a cabeça a uma cama de pregos, deixando cada vez menos espaço entre o crânio e um longo latido de osso a ceder. Um atrito incansável de uma dissonância quase desumana.

Fazendo por fim a ponte entre as duas bandas e a colaboração, e depois da primeira audição do trabalho final, consigo-vos dizer que não é de esperar mais The Body do que Full of Hell ou vice-versa. Raros são os momentos em que se destaca supremacia de uma banda sobre a outra. Na verdade, não consigo dizer que o resultado final me tenha agradado a 100% mas não me levem a mal, pode agradar-vos a vocês! É aqui que deixo a subjetividade assumir aquilo a que tem direito: opiniões diferentes. O que ouvi pareceu-me quase uma jam sesh de noise. Não posso dizer que tenha ficado satisfeito a 70% ou a 75 %, até porque a primeira parte do álbum, que é na sua maioria constituída por contínuos batimentos de ruído, sem ritmo definido e sem instrumental a acompanhar, deixa-me muitissimo a desejar em termos de acção. Muito pouco tangível em termos de atitude e forma. Para mim, não passa de Noise muito desinspirado, sem genica e a sangue quente.

No entanto (nem tudo é mau), a segunda parte do álbum conquista-me sem falhas. Música perfeitamente nojenta e desgostosa, que forma um híbrido monstruoso, com uma arquitetura com atitude e simultaneamente abstracta, cimento e mais cimento e mais cimendo. Por isso mesmo encontro dificuldade em olhar para este projeto como uma colaboração, tomando em conta que o Full of Hell & Merzbow teve uma mecânica de duas unidades independentes a construir algo em conjunto, e o One Day You Will Ache Like I Ache tem uma motivação perfeitamente unitária. Qualquer um encontra dificuldade em distinguir bandas e elementos neste tipo de panorama, o que pode agradar uns e desagradar outros. Cabe ao ouvinte decidir.

Deixo-vos o meu balanço, preferívelmente sem nenhum rasto de imparcialidade, evitando ferir suscetibilidades, este registo está longe de ser o melhor ou o mais destacável de ambas as bandas, encontro mais prazer em ouvir I Shall Die Here e o Rudiments of Mutilation, separados um do outro, do que propriamente a recriação de algo diferente e novo. Não me imagino a ouvir isto x vezes non-stop nas próximas semanas, mas sou capaz de revisitar a segunda metade do álbum, só mesmo para saciar a fome.

Deixo o resto, ao vosso critério. Este é o meu.

 
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The Body & Full of Hell – One Day You Will Ache Like I Ache
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