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The Dear Hunter – Act V: Hymns With The Devil In Confessional

The Dear Hunter

Act V: Hymns With The Devil In Confessional | 2016

PONTUAÇÃO:

8.5

 

 

 

The Dear Hunter têm-se estabelecido como um dos nomes mais subvalorizados do rock progressivo americano desde o seu nascimento em 2006. O colectivo proveniente de Providence, Rhode Island conseguiu desde então manter um output criativo bastante elevado, com uma discografia que conta já com sete LP’s, dois Live DVD’s e quatro EP’s.

Com menos de um ano desde o último lançamento chega-nos o Act V: Hymns With The Devil In Confessional, o penúltimo capítulo na história da vida atribulada e morte prematura de Hunter, história esta que tem vindo a ser contada desde o primeiro lançamento da banda. Neste álbum (SPOILER ALERT) acompanhamos a personagem principal após a sua ascensão a presidente da cidade sob a identidade do seu meio-irmão e vemos a forma como este se submete à vontade do principal antagonista, a única pessoa que sabe dos seus pecados do passado.

Com uma paleta musical extremamente variada Casey Crescenzo leva-nos mais uma vez numa viagem entre lugares e estados de espírito alucinantes, sublinhando a sua versatilidade enquanto compositor, interprete, produtor e contador de histórias. Neste álbum temos um pouco de tudo: canções folk reduzidas a uma guitarra acústica e uma voz, ensembles de cordas harpa que nos levam pela mão através das alucinações em ópio da personagem principal, canções de jazz dos anos 50 que anunciam a chegada de um novo adversário à cidade e ainda guitarras distorcidas acompanhadas por secções de metais que anunciam a revolta de um povo.

Quando o instrumental se concentra no núcleo rock do projecto o resultado são temas como “The Moon / Awake” e “The Revival” que demonstram grooves deliciosos por parte de Nick Crescenzo e Nick Sollecito, na bateria/percussão e no baixo respectivamente. Em temas mais íntimos e contidos como “Light” e “Melpomene” temos grande destaque para a guitarra acústica de Casey que, em faixas como “The Most Cursed Of Hands / Who Am I” colabora em perfeição com os teclados de Gavin Castleton. As guitarras eléctricas têm apesar de tudo um papel fundamental numa grande porção deste álbum, actuando como âncora em muitos dos temas mais atribulados. A entrada do álbum, “Regress”, por muito angelical que possa soar, prevê uma viagem muito negra e essa premonição é cumprida, levando a um clímax cujas repercussões só poderão ser conhecidas no último capítulo da série uma vez que Act V acaba com o equivalente musical de um cliffhanger. São feitos reprises de motivos e melodias de álbuns anteriores que se integram perfeitamente com o material harmónico novo, com um destaque especial para a secção da faixa “The March” que invoca não só a melodia como parte da letra de um tema do Act IV: Rebirth In Reprise intitulado “The Old Haunt”. Todas estas referências estão intrinsecamente ligadas ao conceito da obra e à história que está a ser contada, algo que pode ser facilmente verificado com o mínimo de atenção às letras que combinam um flow claramente musical com a capacidade narrativa de uma grande epopeia.

Numa perspectiva geral, este álbum não introduz grandes mudanças face ao trabalho anterior da banda, mas cumpre a função de continuar a sua história de forma coesa e apresenta elementos surpreendentes e inesperados. A produção é orgânica, clara e precisa, capaz de aglomerar todo o bolo sonoro de uma forma natural mas controlada, na qual são dados os destaques necessários a uns instrumentos sem afogar os restantes. A composição é impecável na forma como manuseia com mestria toda a instrumentação utilizada, com variações tímbricas e dinâmicas que prendem o ouvinte e fazem com que os 73 minutos de duração do álbum passem num ápice.

Nota: Este autor utiliza o Antigo Acordo Ortográfico

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Por Ricardo Rodrigues / 19 Dezembro, 2016

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