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The Go! Team - Semicircle

Review
The Go! Team Semicircle | 2018
João Rocha 07 de Fevereiro, 2018
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Já alguma vez se depararam com uma crítica que não vos esclareça se um álbum é bom ou mau? Pois bem, é exactamente isso que hoje vão encontrar aqui, pela simples razão que audição, pós audição ainda hoje não consigo decifrar este Semicircle dos The Go! Team. Enquanto escrevo estas palavras coloco-o uma vez mais a girar, e olho para as minhas notas dispersas e perco-me numa decisão. Uma coisa é certa, se já vos antevi que a minha impressão, ou ausência dela, não foi marcante e tal só se pode traduzir num álbum que se situa na posição central do espectro da qualidade: o medianismo!

Longe vai o ano de 2004 e da estreia explosiva da banda com Thunder, Lightning, Strike. O som único, enérgico e irreverente conquistou público e agradou a uma crítica apanhada de surpresa. A evidente inspiração no movimento Blaxploitation misturada com hip-hop primitivo, claques femininas, e adrenalina em forma de ritmos, fez durante muito tempo de Ian Parton e companhia ícones maiores da música alternativa. O grande problema destas sonoridades muito específicas, é que passado algum tempo, o processo criativo imutável gera um efeito de repetição que cansa e esgota quem o ouve, e os The Go! Team mantiveram-se fiéis a si mesmos álbum após álbum. A viragem, mínima, acontece com The Scene Between, como na altura tive oportunidade de escrever. Provocada, e um pouco forçada pelo hiatus que vários membros da banda, em 2015 Parton centra em si todo o projecto, e mantendo a quase aparente aleatoriedade de camadas sonoras, dá maior projecção aos instrumentos de estúdio, colocando em segundo plano os samples. Há uma abordagem mais pop, mas fielmente esquizofrénica, não causando uma cisão enorme entre a criação e o seu público.

Ora 2018, é o ano em que a banda volta a ter casa cheia (e o regresso de Ninja é o que mais celebramos neste novo álbum), e é o ano em que voltam a fazer uma outra curva, esta um pouco mais acentuada do que a anterior. Em Semicircle, os britânicos decidem todos tomar a medicação certinha, e entregam-nos composições bem estruturadas, com texturas bem planeadas, e uma total ausência de caos (o factor que fazia dos The Go! Team únicos). Os componentes são os de sempre, mas há uma abrupta mudança na forma de compor músicas, e a efusividade e ousadia não têm lugar aqui. Estes elementos sonoros mantêm-se, só passam é a ser trabalhados a régua e esquadro. De repente, Ian e companhia deixam de brincar com as figuras geométricas no infantário, para fazerem um exame de geometria no secundário, que o concluem todo a lápis de cera.

É assim que nasce Semicircle, um álbum upbeat, cheio de cor, onde o groove e o funk são reis, e a patetice ainda tem lugar. A presença do hip-hop e do cheerleading fazem lembrar, uma vez mais, os The Avalanches, só que desta vez com uma pitada a Saint Etienne. Os instrumentos de sopro voltam a fervilhar-nos os ouvidos e a serem a peça principal em músicas como “All The Way Live” - um dos momentos altos do álbum -, mas noutras alturas cedem o lugar a ?instrumentos? mais subtis como é o caso do telégrafo eléctrico em “Mayday”. Há ainda outros momentos onde a presença deles nem se nota, como é o caso da tropicalíssima “If There’s One Thing You Should Know”. No entanto o momento alto não se deve a nenhuma destas situações. É no regresso de Ninja à formação que percebemos a falta que esta fazia a ela. Em “She’s Got Guns”, a hip-hopper simplesmente arrasa e torna-se o momento, e elemento mais memorável de todo o álbum.

No entanto, e tirando os momentos citados anteriormente, Semicircle peca pela simplicidade e parca energia que emprega de forma constante. É certamente o álbum mais acessível de todo o percurso da banda, mas de longe também o menos memorável. Não causar estranheza, ou dificuldade, provoca também uma ausência de empatia ou desafio auditivo, e caso não sejamos obrigados, muito dificilmente sentiremos a necessidade de voltar a este trabalho de 2018. Esta falta de agressividade, disfarçada de simplismo, aproxima mais os The Go! Team do universo pop/rock do que do alternativo/experimental, e o que poderia ter corrido muito bem, correu assim-assim, o que em tempos como os de hoje onde há uma imensidão constante de música nova a acontecer, é o equivalente a correr mal.

A fanfarra voltou a sair à rua, mas desta vez ninguém deu por ela.
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The Go! Team - Semicircle
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