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The Go! Team - The Scene Between

Review
The Go! Team The Scene Between | 2015
João Rocha 13 de Abril, 2015
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Melómano - adj.,n.m. que ou aquele que tem paixão pela música;” assim define o Dicionário da Língua Portuguesa este conceito tantas vezes usado para elogiar as pessoas cujo seu gosto e conhecimento musical respeitamos quase de uma forma “pedestálica”. Estas pessoas para além de uma atroz sapiência na área, têm um ouvido tão delicado e seleto que são capazes de desconstruir qualquer música a todos os diferentes sons que ela compõem e como os seus ritmos se conjugam. Ian Parton, mentor dos The Go! Team é certamente um Deus da Melomania, não fosse este projeto de sucesso conhecido por construir músicas através da aglomeração de samples distintos de noise com cheerleading e instrumentalização de estúdio.

Depois de Proof of Yout e Rolling Blackouts onde se atiravam sem rodeios a esta técnica, com The Scene Between,Ian Parton impõe-se ditador e faz deste álbum um regressar a Thunder, Lightning, Stike, o primeiro álbum dos The Go! Team. Escreve, interpreta e produz cada uma das faixas do álbum, apenas não lhes dá a voz. Uma vez que neste álbum se dá mais valor às gravações em estúdio, aqui os samples funcionam não como peças de lego que se vão encaixando para construir uma melodia, mas sim como adornos de uma música já construída. Os coros à la Toni Brasil (“Hey Mickey”) também perdem espaço aqui, e o “barulho” reduz-se ao ponto de dar espaço ao lirismo e impacto das letras. É nesta refrescante abordagem que The Scene Between se transforma num delicioso e solarengo álbum de indie pop. Um álbum que viaja entre Camera Obscura e Alvvays, passando em certos momentos pelos Tennis.

Nas primeiras duas referências isso é logo notável na primeira faixa. “What D’You Say” é logo o anúncio desse registo diferente, com letras mais inspiradas e uma audição mais fácil. É a vontade de aumentar o volume e desfrutar de todo um álbum, durante uma viagem de bicicleta ao por do sol junto ao mar. Os Tennis podem ser encontrados em “Walking the Jetstream” onde se surfa numa “noise-wave” de ye ye. No entanto enganem-se se acham que não existem momentos tipicamente The Go! Team. Estes existem com grande mestria, como é o caso de “The Art of Getting By (Song For Heaven’s Gate)” possivelmente o ponto alto de todo o álbum. No entanto, é na faixa-título “The Scene Between” que encontrámos o momento mais catchy do álbum, o que explica o facto de ser o single de apresentação, e esta só funciona devido ao abandono excessivo de camadas que compunham as músicas dos The Go! Team. É na simplicidade e no toque delicioso de dream-pop que esta música tem o efeito que tem.

De facto esta abordagem musical fá-los perder na “epicidade” e no impacto criativo musical de soarem a diferente e díspar de tudo o que é feito, e portanto não é o mais memorável dos álbuns dos The Go! Team. De facto isto faz de todo este álbum uma espécie de chiclete que depois de mastigada e sem sabor, não se tenha grande necessidade de continuar a mascar. Não é um álbum para se ouvir em loop, mas essa é a ideia de Ian Parton, um álbum para ser desfrutado no momento e se deixar a flutuar neste novo sonho pop criativo que ele decidiu abraçar, e não há nada de errado com isso.
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The Go! Team - The Scene Between
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