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The Kills – Ash & Ice

Review
The Kills Ash & Ice | 2016
Hugo Fresta 08 de Janeiro, 2017
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Após um interregno de cinco anos desde o lançamento de Blood Pressures, os The Kills, duo composto por Alison Mosshart e Jamie Hince, regressam com um novo álbum intitulado Ash & Ice. Este relacionamento entre os dois músicos surgiu muito ligado aos blues e garage rock e, apesar de alguns diferentes componentes e divagações estilísticas entre os seus vários álbuns, a matriz inicial mais rockeira tem sido mantida como contraponto das inovações. Depois do álbum de estreia Keep On Your Mean Side, os The Kills têm procurado explorar outras sonoridades, como por exemplo a eletrónica em Midnight Boom ou a pop em No Wow.

Ash & Ice é até à data o álbum mais longo da banda – atinge a marca dos 50 minutos – e tem particularidades que sobressaem em relação a trabalhos anteriores, muito devido às circunstâncias associadas à construção do trabalho em si. Hence têm-se debatido com problemas numa mão, o que levou a que alterasse a sua forma de composição e execução, enquanto que desde o lançamento de Blood Pressures, Mosshart ocupou-se com a sua outra banda The Dead Weather (Jack White, Dean Fertita, Jack Lawrence). Todos estes fatores levam a que Ash & Ice soe a algo diferente daquilo a que os The Kills nos têm habituado e que sejam necessários mais músicos em palco para executar certas faixas deste álbum.

Apesar de à primeira audição parecer um álbum em que a banda procurou reduzir um pouco a sua energia, chegamos à conclusão que isso é uma falácia. Mesmo canções que parecem mais despojadas, mais cruas, como “Hum for Your Buzz” conseguem transmitir sensações poderosas através da voz de tabaco de Mosshart.

Além disso, excertos de letras como “I’m looking for answers to / my wishes and my prayers” em “Hum for Your Buzz” ou “Will you or won’t you / Cross that road in time? / Will you or won’t you outrun / what you know you must?” em “That Love” demonstram um exercício de auto-reflexão ou, podemos mesmo dizer, uma ternura que não encontramos em outros álbuns.

Os The Kills mantêm-se com um certo destaque que outras bandas da explosão do garage rock do início do milénio têm vindo a perder. A banda soube manter-se afastada dos meios mais comerciais e podemos dizer que permanecerem fiéis a si mesmos foi o fator chave. Ash & Ice não é um álbum que se possa considerar a sua magnum opus, no entanto mantém viva a chama de explorar novas sonoridades a que os The Kills nos têm habituado, mesmo que não seja uma obra de uma qualidade transcendente.
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