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The Raconteurs - Help Us Stranger

Review
The Raconteurs Help Us Stranger | 2019
Beatriz Fontes 24 de Junho, 2019
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O lançamento do single “Help Us Stranger”, no mês passado, legou a ideia de que a intenção para este novo álbum seria o de uma mudança para The Raconteurs. A capa do álbum instigava um certo afastamento da atmosfera do rock da Era da Glória composto “by the book” e o cheiro a mobília de carvalho vintage declarado em Consolers of the Lonely ou Broken Boy Soldiers, discos que mostraram funcionar, sobretudo, enquanto testemunho da capacidade de flexão de Jack White em direções diferentes daquelas que vergou com os White Stripes. Ainda assim, esta alteração expectável não foi óbvia. Em todos os seus projetos, os condimentos mudam, mas continua a ser o mesmo prato.

Apesar disto, e embora o vínculo estivesse lá, estes dois álbuns acabaram por criar uma identidade própria. No inverso, Help Us Stranger compartilha uma composição robusta de semelhanças com os discos a solo de White. Acaba por ser desnecessário referir que este álbum foi produzido pela Third Man Records, fundada pelo do-it-yourself man que é Jack White, o que acontecera desde sempre com Raconteurs, mas que neste momento se torna num possível indicativo de que White beneficiou de uma abertura dilatada para tomar decisões finais. O resultado é, portanto, um álbum de Jack White, e o ingresso em projetos de nomes diferentes torna-se um tanto descabido – sobretudo em “Don’t Bother Me” e “Shine the Light On Me”, músicas que se prendem mais diretamente com Blunderbuss.

A sua impressão digital mais óbvia são os agudos esganiçados que emulam uma guitarra, ou aqueles igualmente falseteados “WOW!” com os quais White abarrotou as suas músicas, de tal forma comuns que mais vale cunhá-los como “Wows do Jack White”. Para além de imoderados mais uma vez – em “Sunday Driver” contam-se três ou quatro ocasiões –, estão colocados em momentos que lhes são frequentemente reservados. Contemos com eles no meio de refrões ou no romper inicial de uma música; depois de uma curta introdução, faz-se uma pausa para riffs repetidos, chega o grito antes da junção dos restantes instrumentos, funcionando como uma espécie de apito de partida. Podemos vê-lo como uma particularidade caricata de Jack White enquanto artista, uma trademark, ou enquanto uma brincadeira já esgaça, dependendo do humor e da afinidade em relação a Jack White, em primeiro.

O distintivo mais palpável de Help Us Stranger é um “singalong effect” persistente. As vozes sobrepostas e o impulso dos refrões carismáticos deixam alguma vontade de atestar o seu efeito em concerto – e as “earworms” ficam como efeito secundário. É também incontestavelmente baseado no tema do bom humor pessimista, apesar da presença de canções como “Somedays (I Don’t Feel Like Trying)” ou “Only Child”, estas conseguem não ser totalmente pesarosas. “Thoughts and Prayers” é conduzida por um tom simpatizante de convicção na resistência e uma tensa mensagem de “boa sorte para a vida” que conclui o álbum. O peso dos temas líricos da consternação blues são cortados por trocadilhos descontraídos, tendo “Bored and Razed” como exemplo. A letra e a melodia formam um contraste, direcionando-se para o conformismo, como em “Live a Lie”, onde o punk arquetípico encobre o cinismo.

Conseguimos encontrar novos complementos: a inclusão da percussão a soar a um jambé nos segundos finais de “Help Me Stranger”, a vibração pulsada em "Now That You're Gone" ou a porção final do uníssono de vocais country de “Somedays (I Don't Feel Like Trying)”, são exemplos do fermentar num tubo de ensaio. White é um explorador curioso, com uma aptidão fascinante para dinamizar a utilização de uma multidão de instrumentos e fá-lo impecavelmente com a guitarra. Mas, e um “mas” com um eriçado abanar do dedo e pontos de exclamação, apreciar a receita de White não significa cancelar a constatação de que há um seguimento exageradamente implacável desta receita, que remove o impacto que muitas vezes o seu trabalho podia ter.

Afirma-se uma chamada de emergência pela inovação nos projetos obsoletos de Jack White, dos quais tende a tornar-se a peça central – quer como elemento de marketing, quer pela possível liberdade que acaba por ter como produtor. Help Us Stranger foi o suficiente a ser satisfatório, inserindo-se, por isso, no mediano. Observado panoramicamente, encontramos um esqueleto do rock purista, distorções com as garras de fora, contornos suados de folk e country com algumas inválidas tentativas de remodelação, escassas na dose. Aquilo que realmente não possibilita a desilusão face a este álbum é a apreciação da composição musical singular de Jack White. Ele é bom no que é bom.
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