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The Walks – Fool’s Gold

The Walks

Fool’s Gold | 2015

PONTUAÇÃO:

7.0

 

 


Chegou a hora de falarmos do primeiro longa-duração dos The Walks, banda que nos apresenta um rock, a roçar o garage, interessante e motivante, fiel ao género onde está inserido e fazendo juz à sua cidade berço, Coimbra. Começa-se a pensar que não existe nada que saia de Coimbra que não seja minimamente bom. Não querendo enfatizar demasiado o movimento artístico conimbrense, partamos imediatamente para o disco porque é para isso que aqui estamos, salvo seja.

Ao olhar para Fool’s Gold a primeira coisa que vem à cabeça são algumas capas de fanzines e cartazes punk dos anos 80. Convém também referir que se a capa fizesse parte do reportório dos próprios The Parkinsons, ninguém a estranharia. Isto tudo antes de sabermos que o próprio Victor Torpedo participava no disco. Parece que afinal não estávamos assim tão errados. Também achámos interessante o facto de uma das canções se chamar “Midas Touch” (instrumental) e da “bolacha” do disco ser dourada, remetendo ao próprio título do álbum.

“Clockwork”, o primeiro avanço deste trabalho, é logo a faixa de abertura onde os metais marcam (mais uma vez) presença. Uma presença importante para a coesão desta canção, uma canção que é capaz de agitar qualquer plateia, cheia de groove e bom feeling. A letra de fácil interiorização e o ritmo simples ajuda ainda mais ao delírio do ouvinte. “We should be there on time!” Toda esta adjetivação é comum ao disco inteiro, tirando alguns temas em que os metais não entram. O ritmo principal é sempre algo simples (3/4 acordes) acompanhado por bass lines cheias de groove e, muitas vezes, solos no final das canções: é a fórmula destes The Walks e do género musical em que se enquadram, resultando geralmente bem.

O disco é bastante coeso e ideal para se ouvir do início ao fim, de preferência com o volume das colunas bem elevado. Não existem quebras ao longo dos 12 temas e quem gosta de uma das músicas, muito provavelmente, irá gostar das restantes. À exceção de “Redefine” e “Out Of Luck”, as duas canções mais diferentes deste trabalho, a primeira já conhecida do público em geral, que se mostra mais como uma canção de indie rock (ou rock alternativo, como preferirem) com a secção dos metais a fazer maravilhas (parabéns ao Fábio Matias e Serrano) e a segunda com forte influência folk a sossegar o ouvinte, porém, sem quebrar toda a “onda” das 10 músicas anteriores. Todas as outras, sem desprimor, seguem o registo rock/garage deste coletivo.

“Inside Out” fecha muitíssimo bem o disco com os seus quase 7 minutos de duração e os seus solos não tão violentos como noutras circunstâncias. A escolha deste tema para encerrar o disco revelou-se numa jogada de mestre. Após uma sossegada canção como “Out Of Luck” (teclados muito bem utilizados), arrancar com um tema mais rápido como “Hell Of A Dream” ou “Move Along” a fechar, iria soar estranho e quebraria o ritmo do disco. É neste aspeto que Fool’s Gold prima pela perfeição: as malhas funcionam melhor no conjunto do que individualmente e a escolha da ordem dos temas revelou-se importantíssima para o bom funcionamento deste álbum. O estável e algo psicadélico solo final de “Inside Out”, encerra o disco na melhor forma possível fazendo-nos querer recomeçar a viagem assim que esta termina. Muito bem jogado!

Em suma: Fool’s Gold é a continuação esperada do E.P. R (de onde foram resgatados os temas “Redefine” e “Riding The Vice”) e, acima de tudo, um bom disco de rock.

Pontos altos:
“Move Along”
“Redefine”
“Inside Out”

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Por Diogo Alexandre / 6 Outubro, 2015

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Um gajo que gosta de música e escreve coisas estranhas.

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