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Thee Oh Sees - A Weird Exits

Review
Thee Oh Sees A Weird Exits | 2016
Marco Montenegro 09 de Dezembro, 2016
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Live Low – Toada

clipping. - Splendor & Misery


 

Há que dar crédito aos Thee Oh Sees. Não é seguramente fácil, para quem lança o seu décimo terceiro registo de estúdio, e o faz ininterruptamente desde 2006, manter elevados níveis de criatividade. É frequente, para quem se lança em tanta empreitada, perder-se em repetições de fórmulas já testadas até ao limite, ou simplesmente, cair num vazio qualitativo, despido de pujança ou vigor. Mas não é o caso deste novo rebento da banda liderada por John Dwyer. A Weird Exits ataca com precisão e nada tem de incolor ou inodoro.

(E enquanto ainda se organizam textos, este incluído, em redor de A Weird Exits, já Thee Oh Sees forjaram An Odd Entrances, segundo álbum para 2016.)

Este é um capítulo de Thee Oh Sees em que a máquina de etiquetar teima em encravar, apesar da persistência em tentar usá-la, ao contrário de outros registos como Floating Coffin de 2013 ou Mutilator Defeated at Last de 2015, montados e cavalgados por trips pulsantes de psicadelismo e noise rock mais descarado, em que se torna mais fácil carimbar e embalar. Baptizá-lo, é assim uma tarefa complicada, com necessidade imperiosa de misturar várias águas benzidas. Como seria de esperar, está presente o rock psicadélico, mas está também o krautrock, o garage e o punk de inspiração proto-stoogiana. Mirra o noise, em quantidade considerável.

Instinto ou premeditação da banda? A pergunta é pertinente. Mas é possível supor que possa ter alguma coisa a ver com o novo line-up dos californianos, com a entrada de Dan Ricon e Ryan Moutinho, ambos para a baterista, e a transformação, assim, de trio para quarteto.

Cirurgicamente, é possível dividir, o disco em duas partes distintas, ainda que isso não seja tão óbvio na line-up da recente gravação da banda de São Francisco. Por um lado, malhas como “Dead Men’s Gun”, “Ticklish Warrior” ou “Gelatinous Cube”, comprimem-se em formato de canção mais tradicional, desenrolando-se em escassos 3 minutos. E, para quem acompanha o agora quarteto (desde 2015), sabe o quanto isso é, ao mesmo tempo, estranho e novo. Por outro, registos como “Jammed Entrance”, “Crawl Out From The Fall Out”, ambas instrumentais, ou “The Axis”, esta cantada, desenham prolongadas viagens hipnóticas e misteriosas, mais em concordância com o legado da banda. A diferença está mesmo na redução nos níveis de noise, e na introdução de borrifadelas krautrock que lhe imprimem a ambiência.

A introdução pode ser muito bem a conclusão. A Weird Exits não é a simples soma das suas partes. Cada música organiza um todo que torna o disco num dos casos sérios de 2016. E se falarmos, especificamente, no universo do rock psicadélico/garage rock, então, ainda mais interessante.

[Este autor escreve segundo o Antigo Acordo Ortográfico
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