23
SEG
24
TER
Mallu Magalhães
Teatro Tivoli BBVA - Lisboa
Jameson Urban Routes (Dia 1)
Musicbox - Lisboa
25
QUA
Drew McDowall
Galeria Zé dos Bois - Lisboa
Steve Hauschildt + Jari Marjamaki
Igreja de St. George - Lisboa
Jameson Urban Routes (Dia 2)
Musicbox - Lisboa
26
QUI
Jameson Urban Routes (Dia 3)
Musicbox - Lisboa
Nouvelle Vague
Aula Magna - Lisboa
Black Bombaim & Peter Brötzmann
Passos Manuel - Porto
27
SEX
Os Courettes
Cave 45 - Porto
Semibreve 2017 (Dia 1)
Theatro Circo / gnration - Braga
Jameson Urban Routes (Dia 4)
Musicbox - Lisboa
Nouvelle Vague
Convento de São Francisco - Coimbra
For The Glory + Destroyers Of All
DRAC - Figueira da Foz
Noiserv
Teatro José Lúcio da Silva - Leiria
28
SAB
Semibreve 2017 (Dia 2)
Theatro Circo / gnration - Braga
The National
Coliseu dos Recreios - Lisboa
Royal Blood
Campo Pequeno - Lisboa
Jameson Urban Routes (Dia 5)
Musicbox - Lisboa
Black Lips
Maus Hábitos - Porto
Mark Eitzel
Auditório - Espinho
The Parkinsons + Killimanjaro + Ermo
SHE - Évora
29
DOM
And So I Watch You From Afar
Hard Club - Porto
Semibreve 2017 (Dia 3)
Theatro Circo - Braga
Mark Eitzel
Galeria Zé dos Bois - Lisboa
Nouvelle Vague
Casa da Música - Porto
Alter Bridge
Coliseu dos Recreios - Lisboa
30
SEG
And So I Watch You From Afar
Musicbox - Lisboa
Shields
Stairway Club - Cascais
Metronomy
Coliseu dos Recreios - Lisboa
Moonspell
Lisboa ao Vivo - Lisboa
31
TER
John Maus
Maus Hábitos - Porto
Moonspell
Lisboa ao Vivo - Lisboa
Shabazz Palaces
Lux Frágil - Lisboa
1
QUA
2
QUI
Shabazz Palaces + Ângela Polícia
gnration - Braga
Omnium Gatherum + Skálmöld + Stam1na
Hard Club - Porto
3
SEX
TOPS
Maus Hábitos - Porto
Omnium Gatherum + Skálmöld + Stam1na
RCA Club - Lisboa
4
SAB
The Band of Holy Joy
Cave 45 - Porto
5
DOM
6
SEG
The Goddamn Gallows
Stairway Club - Cascais
7
TER
8
QUA
The Bug Vs Dylan Carlson of Earth
gnration - Braga
9
QUI
10
SEX
11
SAB
12
DOM
Dying Fetus + Psycroptic + Beyond Creation + Disentomb
Lisboa ao Vivo - Lisboa
13
SEG
Lamb
Coliseu do Porto
14
TER
Lamb
Coliseu dos Recreios - Lisboa
15
QUA
16
QUI
Black Bass - Évora Fest (Dia 1)
Sociedade Harmonia Eborense - Évora
The Picturebooks
Sabotage Club - Lisboa
Spoon
Coliseu do Porto
17
SEX
Fai Baba
Maus Hábitos - Porto
Sinistro
Hard Club - Porto
Hercules & Love Affair
Lux Frágil - Lisboa
Spoon
Coliseu dos Recreios - Lisboa
18
SAB
The Fall + 10 000 Russos
Hard Club - Porto
Sinistro
Le Baron Rouge - Amadora
19
DOM
20
SEG
Father John Misty + Weyes Blood
Coliseu dos Recreios - Lisboa
21
TER
Epica + Vuur + Myrath
Sala Tejo (MEO Arena) - Lisboa
22
QUA
Epica + Vuur + Myrath
Hard Club - Porto
23
QUI
Review
A Tribe Called Quest We got it from Here... Thank You 4 Your Service | 2016
António Pedro Vieira 13 de Dezembro, 2016
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O ano de 2016 está a ser mais um ano glorioso e radiante para quem segue os fenómenos urbanos e criativos das rimas e batidas, e de todos os seus derivados.

Um ano que pode apresentar como prova de vida o regresso de El-P e Killer Mike com os seus Run the Jewels, que apresenta também o regresso tão esperado do mago Danny Brown com sua Odd Future e com mais um marco no mundo do hip-hop, de seu nome Atrocity Exhibition (o toque de Midas deste senhor é incomparável e único), que vê Vince Staples lançar uma pequena amostra que pode bem suceder ao seu imaculado Summertime 06, e que abre o apetite para um novo álbum a sair em 2017. Kendrick Lamar com mais uma bomba, Frank Ocean, Common e Skepta pela parte do grime mais atual que se faz em terras de Sua Majestade. Este que valeu mesmo um Mercury Prize a Skepta que poucos vaticinariam, dada a trágica morte de David Bowie meses antes e pela qualidade do seu Blackstar. Isto mostra indelevelmente que o underground por essas terras vale ouro; sem esquecer Anderson .Paak ou Chance the Rapper pelas partes mais melódicas, carregadas de soul e gospel.

Ou seja, não há nada que se possa comparar ao hip-hop em termos de criatividade, de tão elevado número de projetos onde a qualidade não é apenas um substantivo.

Serve, já longa e exaustiva nota introdutória, para apresentar o álbum que todos os apaixonados e fieis amantes do movimento esperavam (e desesperavam) há quase vinte anos. E que, desde o trágico falecimento de Phife Dawg em março, se tornou o acontecimento mais expectável e agridoce do ano. Sobretudo depois de sermos alertados por Q. Tip que seria o último trabalho nesta já longa viagem.

Para final de caminhada, não poderíamos desejar melhor, e fica aqui a prova de tudo o que representaram estes senhores, no reconhecimento e motivação artística de uma forma de fazer, estar e ser. Tudo que os tornou famosos ao longo do tempo, passando por todas as variantes musicais que fizeram desta tribo uma das mais sublimes histórias que o movimento já viu nascer e crescer, está aqui assimilado, durante estas dezasseis faixas, divididas em duas partes. We got it from Here... Thank You 4 Your Service conta com convidados como Elton John, Kendrick Lamar, Anderson.Paak, Busta Rhymes, Jack White, Andre 300 e até mesmo Kanye West está aqui presente.

Atrevo-me mesmo a dizer que desde 1998, ano do seu último trabalho The Love Movement, além de permanecerem completamente atuais no seu hip-hop carregado de influências jazzísticas, não perderam rigorosamente nada na sua sonoridade, contemporaneidade e atualidade. Com um conjunto tão vasto e abrangente de convidados, com toda a qualidade que acrescentaram à sua já de si vasta panóplia de recursos, não havia forma de não resultar e de não voltarem aos seus tempos de bastião da comunidade.

Acrescentando a isto o facto de terem tanto para dizer, num ano e numa época que tem sido de si uma confusão e um desnorte total: ouça-se “Donald” e percebe-se instantaneamente o porquê da citação ou não tivessem os E.U.A sido arrasados pelo "furacão Trump", onde não poderiam faltar as referências e evocações ao seu companheiro desaparecido tão precocemente. A obra torna-se intemporal, e entra para a galeria dos melhores álbuns da sua já longa e intocável discografia.

Com um flow do melhor que já se viu no hip -hop  desde os seus primórdios, e que marcou claramente a diferença desde o início da sua já longa carreira, com samples que vão buscar elementos tão distantes e ao mesmo tempo tão próximos na sua classe e integridade social (ouça-se "Dis Generation" que usa de maneira vibrante os grandes Musical Youth, e que é aqui mais um exemplo do quão grande pode ser Busta Rhymes, com as companhias certas e uma produção exímia).

Deparamo-nos com um nível estético e lírico irrepreensível, de onde poderemos destacar faixas como "We the people”, “Mobius" com o rei do freestyle Busta Rhymes, "The Killing Season” com Talib Kweli que ainda este fim de semana brilhou intensamente no Vodafone Mexefest, "Conrad Tokyo" com Kendrick Lamar "himself", e "Kids" com Andre 3000.

Atrevo-me a dizer que quando começarem a sair as listas do ano com os álbuns que realmente importam, vejo muito claramente este We got it from Here... Thank You 4 Your Service ombreando e disputando palmo a palmo os lugares cimeiros, com nomes como os de Nick Cave & The Bad Seeds, David Bowie e Leonard Cohen, que marcam o ano pelas mais dramáticas e tristes razões, e que por tudo que envolveu as suas últimas obras terão um lugar mais do que merecido e reservado.

Tenham uma longa e feliz caminhada depois da tribo ter o seu fim camaradas Q-Tip, Ali Shaheed Muhammad e Jarobi White.  Phife Dawg estará orgulhoso e com o sentimento de dever cumprido, lá onde quer que ele esteja.
por António Pedro Vieira
13 de Dezembro, 2016
2016, album, review, A Tribe Called Quest, We got it from Here... Thank You 4 Your Service
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