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Tycho - Epoch

Tycho - Epoch - 2016
Review
Tycho Epoch | 2016
Diogo Rocha 07 de Fevereiro, 2017
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SOHN – Rennen

Emptiness - Not For Music


 

Foi em 2011 que Scott Hansen começou a desenhar um triângulo que tinha como premissa a originalidade de todos os seus vértices, que seriam resultado da sua própria evolução. Nesse mesmo ano, o primeiro vértice desenhado foi Dive, uma longa viagem pelo oceano onde encontrar a costa não tinha importância. Em 2014 foi criada a aresta que nos unia ao segundo vértice, Awake. Sentados num areal qualquer, depois da longa caminhada por ondas e marés, avistávamos, no horizonte, o sol a cair no dourado do mar e aí ficávamos, paralisados pela luz e imponência do astro. Agora, em 2017, a trilogia é finalizada e, por fim, o terceiro vértice acontece. Epoch fecha o triângulo de adoração ao Sol, não só pelas melodias com que nos brinda, mas também pelo grafismo presente nos álbuns, ou não fosse o mentor de Tycho um artista gráfico!

Epoch é um álbum com uma sonoridade que não foi aquela a que Tycho nos habituou. Menos downtempo e mais pop, o desejo de dar mais vida às guitarras e percussão, para além dos seus sintetizadores e materiais electrónicos, veio ao de cima e existe uma linha de baixo claramente marcante ao longo de todas as faixas. Talvez, pelo facto de tentar tornar as suas prestações ao vivo mais marcantes e dançáveis, a integração de Zac Brown e Rory O’Connor possa ter influenciado a maneira como este registo foi construído e, também, o seu resultado final. A viagem que Tycho nos proporciona, com Epoch, não é tão espacial, não nos submerge na sua aura, mas relaxa-nos o corpo e alegra-nos o espírito.

É “Glider” que dá inicio ao álbum e é logo aí que nos deparamos com a ideia de que isto pode não ser o que estamos acostumados a ouvir. Uma bateria rápida e constante acompanhada pelos sintetizadores pouco profundos e loops curtos de guitarras, são o mote para se estranhar a primeira audição. A mesma fórmula é usada em “Horizon” e “Slack”, até chegarmos a “Receiver”, a melhor faixa do álbum. É neste instante que nos reencontramos com a aura prometida e não fazemos nada mais senão flutuar em direcção ao Sol. Esta é uma sensação única em todo este novo registo de Hansen que é desfeita por “Epoch”, faixa que empresta o seu nome ao álbum e se assume como responsável por agarrar nos nossos corpos desamparados e colocá-los a dançar, em terra firme. A partir desse momento, a caminhada até “Fields” não é longa nem inesquecível, aliás, é bastante vulgar. Nada de fantástico é adicionado às nossas emoções e, a nível sonoro, as melodias tornam-se banais.

Assim que termina a audição de Epoch, fica-se com a sensação de que a viagem prometida nunca chegou e o êxtase que ansiamos atingir não aconteceu. Recordamos o que sentimos com os vértices anteriores do triângulo, e a sede por um novo trabalho não foi saciada. A expectativa era grande, talvez em demasia e, desta vez, não foi correspondida. O álbum é bom, mas os fantasmas que o antecedem são bem melhores.

Nota: este autor usa o Antigo Acordo Ortográfico.
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