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Tyler the Creator - Cherry Bomb

Review
Tyler the Creator Cherry Bomb | 2015
Rafael Trindade 02 de Junho, 2015
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A minha relação com o Tyler the Creator sempre foi uma de altos e baixos. Ora adorei a figura irreverente do rapaz, ora detestei todo o pretensiosismo imaturo do artista. Embora nunca tenha recorrido frequentemente ao cancioneiro discográfico de Tyler, ainda gosto moderadamente do primeiro projeto pertencente ao mesmo, Bastard. Já o sucessor, Goblin, é na minha opinião um desequilibrado e masturbatoriamente ambicioso projeto que diria, usufruindo dos vocábulos do próprio Tyler, grita “BORING” por tudo quanto seja lado. Wolf foi de facto uma melhoria, embora não se tenha escapado à indulgência à qual Tyler tão pertinentemente e insistentemente nos habituou desde que se revelou à luz do dia.

Cherry Bomb foi uma surpresa recebida com muito agrado por parte dos seguidores adjacentes ao trabalho do fundador do coletivo Odd Future, e questiono agora: qual é o propósito de Cherry Bomb? Respondendo a esta questão, o propósito de Cherry Bomb é exclusivamente comprovar factos. Em primeiro lugar, comprova que Tyler the Creator é ainda uma das figuras mais imaturas da indústria musical da atualidade. Sim, “a posteriori“ das publicações no Instagram de fotos da sua própria diarreia e dos infames versos de “Tamale” em que nos ordena que nos babemos nos seus genitais, Tyler ainda consegue assinalar a negrito toda a imaturidade que já parece ser constituinte de todo o seu ser.

Comprova também que Tyler the Creator é verdadeiramente um impostor e um bebé chorão. Cherry Bomb sofre daquilo a que gosto de chamar “SHPD” (Síndrome de Hipocrisia Pura e Dura). Existem dois tipos de discos que sofrem desta condição: No primeiro grupo entram discos como o celebrado Yeezus de Kanye West (que com toda a sua falta de criatividade temática e lírica ainda conseguem manter um sentido de estética e de sonoridade interesantes). No segundo grupo, podemos inserir discos como o mais recente de Lana Del Rey, Ultraviolence, que nem instrumentalmente conseguem fugir da sua própria indulgência.

Cherry Bomb atribui toda uma nova conotação negativa ao termo “horrível”. Produção horrível, composições sem qualquer foco ou núcleo central e letras santimoniais ao nível de um George W. Bush constroem toda a diversificada mixórdia de coisas que Tyler não consegue manusear, fazendo isto do novo disco de Tyler the Creator a caricata personificação lírico-musical da sinistralidade rodoviária na Grécia em 2015. Metade dos temas é facilmente olvidável e a outra metade fica na memória do ouvinte pelas piores razões possíveis. “Deathcamp” é um desinteressante hino à imaturidade característica de Tyler e “Fucking Young/Perfect” é composta por uma batida tolerável e por trabalho lírico execrável. “Find Your Wings” é o momento em que encontramos um Tyler a cair de cara chapada no ridículo clichê que tanto condena e “Run” é simplesmente insuportável.

Mas o pior de tudo é ainda a faixa que atribui a Cherry Bomb o seu absurdo título, um tema que traz à memória e aos infelizes tímpanos auditivos uma banda de garagem amadora a tentar mimicar o som característico de projetos como Death Grips e Dalek. Tyler the Creator encontra-se praticamente inaudível e afogado em todo um oceano tormentoso de “glitch” que tem a capacidade de sugar toda a vontade que sobrava e toda a esperança que restava no ouvinte relativamente ao novo disco do rapper.

Nem a amálgama do paupérrimo Goblin e do entediante Wolf consegue abater as elevadas taxas de ridículo que podemos encontrar no novo projeto de Tyler the Creator. Cherry Bomb é um espetáculo mórbido do qual podemos rir insanamente que nem pecadores ou chorar por compaixão pela miséria que nele habita. O pior de tudo? Tyler finalmente tem todos os holofotes incididos sobre ele. O ator principal do espetáculo que tanto regozija a gozar com outrem é agora o alvo de chacota. Boa sorte para a próxima, Tyler.
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