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Vitorino Voador - O Dia Em Que Todos Acreditaram

Review
Vitorino Voador O Dia Em Que Todos Acreditaram | 2015
Diogo Alexandre 20 de Abril, 2015
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Foi já há mais de dois anos (o tempo passa a voar) que João Gil ousou sair de terra e nos presenteou com o seu Vitorioso Vôo, primeiro EP da sua carreira a solo que foi apresentado numa noite chuvosa lá para os lados de Alcântara. Um ambiente que condiz em tudo com a sua música: apaziguadora e algo triste.

Neste ano de 2015, o artista lança-se ao seu primeiro longa duração: O Dia Em Que Todos Acreditaram. Mantendo a experimentalidade e ambientalidade a que já nos habituou e fugindo ao (quase) lo-fi do primeiro registo, Vitorino Voador apresenta-nos um disco bem trabalhado/produzido capaz de se entranhar na vida de qualquer pessoa que lhe preste o mínimo de atenção.

Logo a abrir, o disco amarra os ouvintes a um conjunto de cordas penetrantes, fazendo-nos lembrar, em parte A Vida Secreta Das Máquinas (de um tal Rodrigo Leão) misturando sonoridades mais “clássicas” com os efeitos especiais da maquinaria eletrónica. A maquinaria mantém-se em “Sede de Água”, poema musicado de António Gedeão, controlado nas teclas e descontrolado nos efeitos, no bom sentido. João Gil conta um pouco do seu caminho na versão mais dub possível. Iniciado sobre uma guitarra acústica que às tantas se transforma em teclado, João Gil aproveita para, numa curta letra, revelar o seu caminho aos ouvintes, sem arrependimentos (“sou quem eu sou porque o escolhi”). A música flui de forma impecável (tal como todo o disco) criando insights prazerosos ao longo da sua audição. De realçar a presença de um excelente arranjo de sopros (algo dub) já na segunda-metade da canção.

Voltamos às cordas na faixa introdutória de “Ser Alguém, Sem Ninguém”, sendo, esta última, a malha mais rock (mas não rockeira) deste disco, muito devido aos seus riffs eletrificados e à furiosa bateria que os acompanha, acabando com o domínio perentório do teclado. “Viver Bem Ou Morrer Mal” mantém o rock, desta feita, aliado ao precioso ritmo do sintetizador ao mesmo tempo que Vitorino profere as suas palavras de ordem, algo vagas, deixando-nos a pensar do que realmente trata esta faixa. “Chegar a horas não é ser pontual, inteligente é andar a pé no Marquês de Pombal”. Não poderíamos estar mais de acordo.

“Venha Ele”, o single, é a representação perfeita desde disco. Calminho, em crescendo, criando planícies sonoras densas, terminando como começou. “Quem não precisa? Quem não precisa de afeto?” A terminar, uma malha já conhecida, a primeira do EP e a última deste álbum, com a particularidade de ter o dobro do tamanho (enquanto introdução) e diferentes arranjos: mais uma vez, as cordas entram em ação, juntando-se ao riff já conhecido, tudo se desvanecendo num ritmo de percussão altamente sonhador, que nos faz pensar em tudo e em nada.

Já embalados pelo ritmo da percussão final de “Mensagem II” e pelos 2 minutos de silêncio conseguintes, chega-nos a “Balada Do Filho Da Puta”: tema mítico que o músico já vinha tocando ao vivo (desde 2012) e que decide, finalmente, registá-lo em formato físico e com boa qualidade sonora. “Vou-te apanhar e vais levar nesse grande par de cornos” (enquanto se ouve uma mulher furiosa a gritar “Parto-te essa boca toda!” no background), é a frase que encerra, definitivamente, este disco que demonstra ter tanto de doce e calmo como de furioso. Concluo que João Gil não fez este disco com a cabeça mas sim com o coração.

Sejamos sinceros, ninguém ouve este álbum se se quiser sentir feliz. Isto é para ser apreciado numa madrugada de insónia, na mais calma das noites, sozinhos na cama, a sonhar com a tal e a fitar o teto como se ele dependesse disso para se manter estável. Este é um disco pós-rockeiro que nos faz lembrar, por vezes, a pop clássica de uns These New Puritans, cheio de tristeza, harmonia e esperança/sonho, tudo ao mesmo tempo. É impossível este trabalho passar despercebido a quem o ouça, seja essa pessoa fã de música alternativa, ou não. O Dia Em Que Todos Acreditaram é um enorme passo na carreira do brilhante músico João Gil, e um grande passo em frente na história da música portuguesa cantada em português. Uma agradável surpresa que nos vai dar imenso jeito quando se iniciar a decadência do Verão, lá mais para Outubro.

Até lá, ficamos à espera dos concertos de apresentação!
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