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Waste of Space Orchestra - Syntheosis

Review
Waste of Space Orchestra Syntheosis | 2019
João "Mislow" Almeida 10 de Abril, 2019
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The Drums - Brutalism

Weyes Blood - Titanic Rising
Tanto Dark Buddha Rising como Oranssi Pazuzu dispensam grandes apresentações. Ambos são declaradas forças num nicho exclusivo e muito próprio da música extrema na Finlândia. Apesar das espinhas dorsais derivarem de influências semelhantes, o som encorpado de uma é completamente diferente da outra. No entanto, ambos representam um baluarte nórdico no domínio da tonalidade, do ruído, da estética e da atmosfera. Por parte de Dark Buddha Rising, desde a sua origem, sempre se deixaram vaguear pela exploração dos graves, ritmos lentos e lascivos, tal como a densidade absurda de distorção que frequentemente transborda para o drone e noise. Quanto aos Oranssi Pazuzu, a sua pronúncia psicadélica de black metal tem criado alguns dos discos mais memoráveis da última vaga do género com Värähtelijä e Valonielu. O som destes nativos de Tampere é distinto, bizarro e uma ostentação do ortodoxo onde se associa uma encruzilhada entre o black introspetivo e de uma soundtrack de Goblin. O ano passado, os grupos de Tampere cruzaram-se em Tilburg a propósito de uma peça exclusivamente comissionada para o Roadburn.

A performance seria designada por Waste of Space Orchestra e, a partir desta, o coletivo finlandês ambicionou não só uma simples colaboração (no sentido literal da palavra), mas sim uma fusão de energias. Uma convergência entre o mundo lúbrico e volátil de Oranssi, e o opressivo e esmagador sufoco de Dark Buddha Rising. Com uma receção tão positiva, os dois grupos decidiram materializar, em abril de 2019, o disco Syntheosis sob o nome dessa mesma colaboração. A compatriota Svart, já familiar aos dois grupos, prometeu identidade física e digital ao lançamento e, um ano depois da sua formação, aqui se reúne.

O disco arranca como um build-up imediato a levar à explosão. Passando para “Void Monolith” que se define pelo downtempo vagaroso, a faixa arrasta a distorção das guitarras que tão bem acompanham a melodia do órgão, numa espiral de contraste puro. “The Shamanic Vision” é uma daquelas faixas sobrenaturais que ficam na cabeça para o resto dos tempos. Sem dúvida uma das melhores do álbum, a par de “Seeker’s Reflection”. Os vocais criam atrito imediato com toda a atmosfera e aura da música, mas quer seja numa, onde a aceleração progride num vórtice nebuloso, ou noutra, onde a batida dançável lhe descomprime a estética goblinesca dos filmes de Dario Argento, é memorável e assombrosa a dissociação que este coletivo cria.

Há que destacar a produção. Cristalina, opressiva e claustrofóbica até dizer chega. Julius Mauranen encontrou o ponto de equilíbrio perfeito entre quantidade e qualidade. Com um plantel tão grande a invadir o estúdio, há que encontrar as características principais de cada banda sem ofuscar nem omitir a mais pequena nuance da colaboração. Conseguir fazê-lo sem atordoar a confusão ou desorientação na mixagem, ainda melhor! Syntheosis engloba um variado leque de pressões atmosféricas. Desde a mais leviana e refletida “Journey To The Center Mass” e a monstruosamente incrível “Wake Up The Possessor”, testemunham-se facetas tão diversas e dinâmicas que sublinham a qualidade de escrita. Esta última traz à superfície um pouco mais de Oranssi Pazuzu, brindados por vocais femininos em camada ecoada, e a assombrar o bass estrondoso da produção. Upbeat e vertiginoso, com um desenvolvimento infecioso e cativante.

“Vacuum Head” alinha-se em perfeita harmonia com a ritualística e tribal “Infinite Gate Opening” para uma queda em forma de trepidação e tremor. O ritmo mais irrequieto e o deslavar das cordas em cascata banham em ouro este fulgurante portal de cores, formas e ferocidade. Syntheosis é exatamente aquilo que ambiciona. Não só uma amalgamação entre os universos de Oranssi Pazuzu e Dark Buddha Rising, mas também a própria criação de um novo e distinto universo. Muito mais transversal relativamente aos projetos que o compõe, esta é uma identidade que entende e sente-se confortável nos momentos de exploração e divagação atmosférica, mas os melhores instantes passam pelos build-ups, clímaces e explosões, concluindo sem se apontar uma única faixa que adormeça por falta de ideias. O peso não pode ser o único foco num disco destes. As harmonias, as pronúncias do órgão e até os próprios vocais brutos e amplos fazem desta colaboração uma das melhores que já vimos até agora. Só esperamos que a peça exclusivamente comissionada para o Roadburn não seja assim tão exclusiva quanto isso. Isto deve ser digno de se ver ao vivo.
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