wav@wavmagazine.net | 2014 | PT
a
WAV

Xiu Xiu – Plays The Music of Twin Peaks

Xiu Xiu

Plays The Music of Twin Peaks | 2016

PONTUAÇÃO:

9.0

 

 

 

Fazer um álbum de versões não é fácil, são poucos os que o conseguem fazer, principalmente quando se trata de material de base tão adorado como o de Twin Peaks, uma série com um enorme seguimento de culto, amada e relembrada por fãs de todo o mundo. Mas se há alguém que já provou ser capaz de tal proeza são os Xiu Xiu, uma banda experimental californiana que a meio da sua vasta e diversa discografia lançaram “Nina”, um álbum em que apenas constam covers da célebre Nina Simone. Em 2016 apresentam “Plays the Music of Twin Peaks” a sua interpretação da maravilhosa banda-sonora original de Angelo Badalamenti que para os fãs da série continua tão cativante, arrepiante e misteriosa como há 25 anos atrás.

O LP começa com “Laura Palmer´s Theme” que de imediato provoca um sentimento nostálgico e, simultaneamente, a sensação refrescante de algo novo. Inquietação, suspense, intriga, tudo isto está presente na primeira faixa, que muito bem define a sonoridade atmosférica e envolvente do que está para vir.

Tendo em conta que o álbum é maioritariamente instrumental, as poucas faixas em que se ouve a perturbante voz de Jamie Stewart são um incontestável destaque. Desde a primeira vez que a ouvimos em “Into The Night” até à sua frenética prestação na peculiar “Sycamore Tree” o sentimento presente na voz de Stewart encaixa na perfeição com o do resto dos instrumentos que se dão a ouvir no disco. Outra faixa em que se ouve a sua voz é “Falling”, o tema que certamente os fãs da série recordam com mais clareza. Sem surpresas, a banda faz justiça a uma das composições mais conhecidas no mundo do pequeno ecrã. Se a original é famosa por invocar uma explosão sensorial e sentimental ao ouvinte, a rendição dos Xiu Xiu é simplesmente uma experiência transcendental.

Para muitas pessoas, nomeadamente fãs da série, este é o primeiro contacto com a banda, e este álbum apesar de ser dos mais acessíveis do seu catálogo, não é de todo uma audição fácil. Mas para os que embarcaram nesta experiência e ficaram até ao seu sinistro fim, presenciaram um dos álbuns mais criativos, atmosféricos e gratificantes de 2016, onde o respeito pelo material de base é evidente embora resida o sentimento de que este não é um mero álbum de covers.

Share Button

Comentarios

comentarios

Por Nuno Ramos / 12 Janeiro, 2017

Deixar um comentário

About the author /


~