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Estereótipos musicais. Verdade ou perspectiva?

26 de Abril, 2014 ArtigosJoaoSimoes

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Há uns tempos li uma frase que me despertou a atenção relativamente a esta problemática: "Sou metaleiro, mas às vezes gosto de ouvir estilos diferentes, desde de Katy Perry até Naldo. Sou hipócrita?"

Sempre me intrigou a forma como tudo é estereotipado. Claramente que é um método unicamente baseado no facilitismo, de maneira a agrupar determinados padrões. Os rótulos ajudam em diversos aspectos, mas não quando falamos de uma componente artística! Em contrapartida vai dificultar o aproveitamento de grande parte que a diversidade musical tem para oferecer.

Ora, focalizando um pouco mais na temática que aqui importa, neste caso uma arte, fico impressionado com as etiquetas colocadas nos nichos de pessoas, que têm um gosto em comum. Como por exemplo os “Metaleiros”, “Roqueiros”, “Punks”, etc. E não, não estou a incluir o conceito visual das pessoas que se inserem nestes grupos, apenas o conceito auditivo a que cada uma se refere.

Mas vejamos então o exemplo da 7ª arte: o Cinema! A cinematografia divide-se em géneros, como em qualquer outra arte. Sejam eles: o Romance, o Drama, a Comédia, o Horror ou outro qualquer. No meu entender, não existe os “Romanceiros” ou os “Drameiros” e por aí em diante. Quem gosta de ver filmes, gosta de vários géneros, obviamente que não são todos, mas sim uma maioria. Com certeza que, grande parte das pessoas está afeiçoada a um espectro de géneros a nível pessoal. O mesmo acontece com a Pintura, com a Literatura, com o Teatro, ou seja, o mesmo acontece com a música. Quem a aprecia, gosta de vários géneros, pode até possuir um favoritismo especial pelo “Trash” e ainda assim apreciar música clássica pura. Desta forma, se te consideras Metaleiro e gostas de ouvir Katy Perry e Naldo, não deverás, em circunstância alguma, ser considerado hipócrita nem “Poser". Obviamente que fico a duvidar um pouco do teu discernimento musical, mas de longe considerar algo assim um acto de hipocrisia.

Por coincidência ou não, enquanto escrevi esta crónica, iniciei-a a ouvir “Yiruma”. Passei uns ouvidos nostálgicos pela antiga “Avril lavigne”, devido a este lançamento viral do seu último single: “Hellow Kitty”. E terminei a escrita a ouvir “Chvrches”. Ou seja, a aventura musical começa num dos melhores compositores de música clássica contemporânea, viaja por um bom exemplo de “Punk Rock” dos inícios deste milénio, e é concluída num tom “Indie Electrónico”.

Será que isto faz de mim um “poser” ou faz de mim alguém que aprecia e visualiza a música como uma arte? Acho que a resposta está dada para quem conseguiu receber a mensagem. Mas bem, perspectivas são como os géneros musicais, existem muitos e cada um escolhe aquele que mais gosta.
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