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On DG: Uma revisão do percurso até ao presente

14 de Março, 2015 ArtigosRafael Trindade

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Death Grips

Os Death Grips transcendem a própria arte que é a música. Ponto. Eis a minha tese. E tenho argumentos suficientes para a fundamentar. Primeiro: as atitudes sociais da banda são mais radicais do que a música de qualquer banda metal ou punk dos últimos 30 anos. Desde cancelamentos de tournées e mangalhos eretos em capas de discos disponibilizados para download gratuito (e consequentemente, a expulsão por parte da editora à qual pertenciam), até à anunciação de um término antecedente a Jenny Death, a segunda parte do disco duplo The Powers That B, o projeto mais ambicioso que a banda já planificou. Segundo: o conteúdo musical do catálogo discográfico da banda, cujo vale sempre a pena recordar:

Temos hip-hop caótico: O destruidor tom de voz rígido de um personagem primitivamente esquizofrênico justaposto com música industrial, hardcore punk e samples intrínsecos dos trabalhos primordiais dos Pink Floyd, tudo no primeiro disco do trio Californiano, Exmilitary. Em The Money Store temos aquele que é para mim o melhor disco da década, que assistiu à reinvenção de um trio ao conseguir equilibrar a acessibilidade, a infecciosidade e a experimentação num só epicentro. No Love Deep Web levou a sonoridade da banda a extremos, retirando várias ideias dos dois discos antecessores e acrescentando influências de música trap à já agressiva e nunca misericordiosa fórmula. Com Government Plates, foram- nos concedidos instrumentais ainda mais pesados, letras ainda mais crípticas e esotéricas, impactos sonoros ainda mais brutalmente imediatos. E com Niggas On The Moon, testemunhamos o exorcismo do frontman MC Ride (Stefan Burnett, para os amigos e família), reforçado por instrumentais mais temerosos que a própria mortalidade do ser humano.

Para um ouvinte que esteja a par do trabalho da banda, é impossível não colocar especulativamente a questão: “O que é que eles vão fazer a seguir?”, constantemente sucedida pela segunda questão: “Será que eles conseguem fazer algo ainda mais estranho que isto?”. Na reta final de 2014, tivemos “Inanimate Sensation”, primeiro tema que conhecemos de Jenny Death; o resultado foi um tema de 6 minutos que apenas se consegue designar como uma abrupta e hipnótica explosão auditiva. Também tivemos o disco de instrumentais, Fashion Week, que se mostrou promissor, embora seja um projeto que padece devido à ausência das vocais de Ride. E eis que nos é entregue, de bandeja e de modo nu e cru, o tema mais longo, deprimente e suicida da carreira da banda: “On GP”.

Death Grips

On GP” é um tema tão surpreendente que só por si é merecedor de uma crónica dedicada ao mesmo. Mas o que é que há de tão especial acerca do nono tema do antecipado Jenny Death? Simples: é uma reinvenção completa de uma banda que permanece em constante mudança, encontrando-se esta num período de tempo de 6 minutos e meio. Comecem as piadas e os memes de “My Bloody Death Grips”, “Godspeed You! Death Grips”, “Hella Grips” e todos outros “puns” possivelmente ecoáveis. Não só os Death Grips mantém o cunho pessoal do costume em “On GP”, como também nos presenteiam com uma súbita alteração de fórmula, consistente em elementos variados que vão desde o rock progressivo até ao pós-rock e até ao próprio shoegaze.

O trabalho na percussão de Zach Hill é o som da destruição de um kit de bateria. Andy Flatlander atira riffs de guitarra elétrica contra as suas batidas “glitch” como nem o mais maníaco produtor atiraria. MC Ride vomita fora o seu sistema respiratório ao gritar confessionalmente, “I’ve tried nothing, everything works / For less I’m worth, I served my bid / All fuck life wasn’t what it is / All fuck life was just a bridge”. Minuto e meio passa e o tema toma uma vertente melancólica que traz um fugaz pós-rock que fornece o cenário perfeito para a reveladora, contundente, derradeira “suicide note” de um homem que não é mais o demónio MC Ride, mas sim o atormentado e possuído ser humano que é Stefan Burnett. “On GP” é o som de um ser humano a abolir todos os produtos sobrenaturais e atemorizadores do seu subconsciente, e citar trechos do processo literário seria revelar uma caixa de surpresas que deve ser aberta e recebida de braços abertos e na sua integridade.

Eu sou um fã ávido e quase obcecado pelo trabalho dos Death Grips, desde o primeiro instante em que ouvi The Money Store. O que me fez considerar o trio de hip-hop experimental como uma potência artística instantaneamente genial foi a sua capacidade de polarização. Quando ouvi The Money Store pela primeira vez, senti-me dividido e não consegui concluir ao certo se aquilo tinha sido a experiência mais desprezível da minha vida ou o produto sonoro mais genial e brilhante que alguma vez tinha ouvido. Pensei nunca mais vir a sentir aquilo na minha vida inteira mas, Niggas On The Moon fez-me sentí-lo de novo. “Inanimate Sensation” polarizou-me completamente. “On GP” talhou a minha alma ao meio: destruiu a minha capacidade de decisão racional através do seu instrumental abrasivo e simultaneamente belo, e obliterou as minhas emoções através da literatura que no decorrer do tema descende da garganta de Stefan Burnett e escorre pela sua boca.

Assumo com compromisso: os Death Grips estão significativamente distantes dos seus contemporâneos e são, para mim, o acontecimento musical mais radical, importante e miraculoso do século XXI. Vem daí, Jenny. De preferência, a 240km e pela autoestrada. Não toques à campainha, entra logo. Deixo a chave de casa e a arma debaixo do tapete da varanda.
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