25
SAB
26
DOM
27
SEG
28
TER
29
QUA
30
QUI
1
SEX
2
SAB
3
DOM
4
SEG
5
TER
6
QUA
7
QUI
8
SEX
9
SAB
10
DOM
11
SEG
12
TER
13
QUA
14
QUI
15
SEX
16
SAB
17
DOM
18
SEG
19
TER
20
QUA
21
QUI
22
SEX
23
SAB
24
DOM
25
SEG

Quando o espaço desceu à Terra e aterrou em Valada

13 de Outubro, 2014 ArtigosJoana Brites

Partilhar no Facebook Partilhar no Google+ Partilhar no Twitter Partilhar no Tumblr

Misty Fest: A melhor música nas melhores salas

Cosmic Mess: Agora Organizamos Viagens ao Espaço
15292740736_0d2e8c69b3_o - Cópia
20 horas de música, 4 horas para dormir. 2 dias, 40 horas de música e 8 para dormir.

 
Numa mata ali pelas margens do Ribatejo, a pacata vila de Valada teve assim um encontro imediato de 4ºgrau com o melhor do psicadélicósmico que por aí se faz, por lá teve lugar aquele que provavelmente É o melhor festival por terras nacionais, aquele que provavelmente É o grande paraíso musical. Aquele que para o ano tem de acontecer, e depois, e depois e depois.

Com dois dias de pura alucinação cósmica onde ao almoço começavam os primeiros acordes e ao pequeno-almoço acabavam os últimos, o Reverence provou que não era um festival para meninos, era pesado, puxado, forte e espetacular. O facto de passarmos grande parte do festival a viajar entre galáxias fazia com que o tempo fosse só mais uma coisa que trazíamos ao pulso, um acessório.

O público que por lá andava, vindo de todo o lado, especialmente europeus, estavam em casa, como todos nós, numa harmonia sideral, onde cada acorde marcava uma rotação lunar diferente. O cartaz era espetacular, tudo era bom e imperdível, do início ao fim, não era permitido descansar porque isso podia significar perder um dos concertos mais míticos. Mas deixem-nos descrever o cenário:

Imaginem o Rio Tejo com uma Mata ao lado, depois imaginem os dias e noites quentes de verão, com céus límpidos. Tínhamos livre passe para sair da estratosfera quando nos apetecesse, tocávamos na ursa maior, high five na Cassiopeia e dizíamos olá à Andromeda, deitados na erva, com um toldo embalado pela brisa quase marítima, empurrados para o além da nossa perspetiva, assistindo a uma alucinação espacial coletiva, vibrando com cada distorção, e debatemo-nos com a realidade de quem está a produzir estas melodias que nos envolviam de tal forma que o Éter somos nós. Mas também havia nuvens que nos prendiam a visões psicadélicas, disformes e belas, puxados contra ritmos bruscos e arrastados da vastidão de tudo. Também cantamos, entoamos o ritmo espacial e voamos como cometas no céu das pessoas. Tudo termina com um extâse enfumado acompanhado de um sol quente nascente na margem do rio, ouvimos o chamamento à Terra, enfeitiçaram-nos em tom Indiano, descemos bamboleando em nós próprios. Isto foi o Reverence.

15292768736_0180228927_o The Asteroid #4

Dentro de tudo isto que nos fazia viajar, eis o que marcou mesmo:

Lá a meio da tarde do primeiro dia, o palco Rio fica inundado de Califórnia e a plateia também. Com um público sentado no início, os Asteroid #4 deram um concerto onde se notava que estavam todos a gostar de estar ali, Ryan, Scott, Matthew, Eric e Adam ainda disseram que a Califórnia é que é o Portugal da América. Uns senhores americanos que estavam na plateia quiseram chamar o pessoal para a frente e assim uma front line se foi formando para engolir estes belos sons psicadélicos. No fim pedimos mais música, deram-nos mais uma (''Let It Go'') e acabou em grande festa. Como não tinham setlist, escreveram umas de propósito para o pessoal levar para casa, ofereceram autocolantes e pins e tudo se tornou num ambiente super amigável e simpático, como se Valada fosse a casa deles, e a nossa.

Um dos maiores momentos esteve a cargo dos Sleepy Sun que nos ofereceram um dos melhores concertos do Reverence. Apesar de grande parte do público estar sentado, tudo se levantou ao som de “Sandstorm Woman” e no meio dos sons violentos do baixo e da histeria do vocalista, os Sleepy Sun levaram-nos com eles para outras dimensões, onde a harmónica marcava o tempo que por lá ficávamos. Infelizmente esse tempo foi só meia hora, o que deixou uma sensação de terem cortado o clímax a meio.

Lá pelo palco principal, os Red Fang apresentaram um concerto coerente com os seus três álbuns de estúdio. Deram o mote aos primeiros grandes moches ainda aos primeiros crowdsurfs, acabando o seu alinhamento com “Prehistoric Dog”. Já depois dos Graveyard terem "despachado" o seu concerto, a acabar o dia neste palco os Electric Wizard fizeram aquilo que já se esperava, puseram os milhares em head bang com o seu stoner/sludge vindo diretamente do inferno. Ouvimos músicas do Dopethrone, não esquecendo os outros álbuns. O concerto findou com “Black Mass” deixando o público com água na boca e sedento por mais, esperemos que voltem.

Red Fang @reverence Red Fang

A fechar o primeiro dia de festival estiveram os Ingleses The Cosmic Dead. E que encerramento brutal! Após um concerto a meio-gás por parte dos Black Bombaim, que nos pôs em delírio absoluto em algumas músicas e quase a dormir noutras, os Cosmic Dead mostraram que apesar da hora, a energia continuava presente no nosso corpo e pronta a ser libertada. Foi um concerto intensíssimo com a banda a pendurar guitarras nas colunas e gritar pela independência da Escócia. Aconteceu tudo naquela curta meia hora. Os endiabrados Omar, Lewis, Julian e James deram tudo o que tinham, provando que valeu a pena termos ficado no recinto até tão tarde. Queríamos mais mas não houve tempo, pois mal o concerto acabou, os seguranças correram connosco do recinto. Não houve tempo para conversas, restou-nos apenas a força de nos deslocarmos até à tenda após esta dose de morte cósmica e tentarmos ganhar forças, porque dali a umas horas havia mais.

The Cosmic Dead The Cosmic Dead

Já no segundo dia, os Air Formation tomaram de assalto o palco Rio para de repente nos vermos imersos num clima dreamy tanto ou quanto depressivo. O público, que era embalado pelas bandas stoner e psicadélicas que andavam por ali, não lidou bem com a estranheza sonora que pairava, sucedendo uma espécie de diáspora para o palco Sabotage. Porém, os que ficaram trataram de fazer com que o concerto e o ambiente fosse inesquecível. No final, já depois de terem arrancada um grande aplauso, a banda veio falar com o público para saber o que tinham achado. Uma boa reunião, que ao contrário do que acontece na maioria dos casos, não foi apenas feita pelo dinheiro.

A abrir o Palco Reverence estiveram os Nova-Iorquinos, de Brooklyn, A Place To Bury Strangers, que mesmo com pouco público, deram o melhor que conseguiram, incendiando as almas dos mais desprevenidos com o seu shoegaze barulhento e violento. Estes senhores sabem muito bem o que fazem. A maioria da plateia desconhecia-os por completo e o trio soube jogar com isso a seu favor, partindo guitarras, deslocando amplificadores, atirando baixos ao ar infinitas vezes (sinceramente, não sabemos como é que o baixo não se partiu). Os A Place To Bury Strangers deveriam-se chamar A Place To Bury Guitars e o túmulo daquela Jaguar foi Valada, com o cemitério na parte de trás do palco e ainda com o espírito dos Graveyard pairando no ar, estes assassinos de instrumentos sentiram-se em casa.

A Place to Bury Strangers A Place to Bury Strangers

A segunda banda a atuar no palco Reverence foram os Psychic TV. A banda era maioritariamente desconhecida pelo público, no entanto, ao longo do concerto foi conquistando lugar no coração e nos ouvidos dos presentes. Era difícil superar a estrondeira dos A Place To Bury Strangers mas estes Psychic TV mostraram que fizeram o trabalho de casa. Músicas de dez minutos super psicadélicas encantaram a audiência, vimos muitos de olhos fechados a sentir o smog sonoro emanado do palco Reverence. ''After Your Dead, She Said'' e ''Suspicious'' foram os momentos altos da sua atuação, encaixando perfeitamente após a atuação dos Nova-Iorquinos.

Assim chegava a hora da estreia dos míticos Hawkwind em Portugal. Existentes desde 1969, é incrível como estes Senhores (com 'S' grande) do Roque Espacial nunca cá tinham vindo. Foram precisos 55 anos para eles pousarem a sua nave neste retângulo à beira mar plantado. Os Hawkwind fizeram a festa de uma maneira que só eles a poderiam fazer, e apesar de um início um bocado atribulado, fecharam em grande para regozejo dos presentes. Os momentos mais festejados do concerto foram, precisamente, os três últimos: “You'd Better Believe It” (com Tim Blake a fazer magia no theremin), “Orgone Accumulator” (quem nunca sonhou em cantar isto de pulmões ''abertos''??) e “Hassan I Sahba” (Hashish, hashish, hashin) música que nos transportou diretamente para o Médio Oriente.

Hawkwind Hawkwind

Quando inacreditavelmente ou não, são 6:30 da manhã, o sol já nasceu e as Índias e Áfricas emergem no meio do fumo denso do palco Sabotage. A espera vale a pena e JIBÓIA fecha o festival com um concerto onde o tribalismo nos circulou pelas veias e dançamos as danças todas aos deuses todos. Veio o sol, veio a chuva, tudo funcionou, era um êxtase onde cada um se libertou à sua maneira, a terra húmida deixava os movimentos fluírem e as árvores dançaram connosco. Não se sabe bem o que aconteceu, desde teclados frenéticos a guitarradas hipnóticas com gritos em canto que nos obrigavam a viajar numa atmosfera mágica e imparável. JIBÓIA enfeitiçou-nos como se a cobra fossemos nós e ainda não estamos com os pés assentes na terra.

O Reverence foi tudo isto, foi viagens, foi boa música, foi um exagero excelente. Talvez já tenhamos todos descido à terra, mas quando pensamos, voltamos lá:


Texto de Diogo Oliveira e Joana Brites

Vê aqui a foto-reportagem completa


 
por
em Artigos


Quando o espaço desceu à Terra e aterrou em Valada
Queres receber novidades?
Comentários
Contactos
WAV | 2022
Facebook WAV Twitter WAV Youtube WAV Flickr WAV RSS WAV
SSL
Wildcard SSL Certificates
Queres receber novidades?