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The Strokes - Is This It (2001) | Máquina do Tempo #1

08 de Janeiro, 2015 ArtigosEzequiel Peixinho

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The Strokes Is This It

Não estou a exagerar quando digo que foi o álbum mais importante dos últimos 15 anos. Isto não é dizer que é o melhor nem mesmo aquele que agarrou mais pessoas, mas sim aquele que marcou um momento e fez com que as coisas seguissem um trilho diferente daquele que estava a ser desenhado.

2001. Nu-metal a dar com pau e girls/boys bands a esmagarem nos tops. Se o segundo fenómeno é impossível de combater, o primeiro era simplesmente uma moda irritante de putos a tocar e outros putos a ouvir… Todos eles a querer ter a atitude certa tocando e ouvindo as coisas erradas. Parecia que ninguém ouvia mais nada… Que não havia mais nada. Só aquela mistura desnaturada de guitarras pesadas e scratch inconsequente em cima de canções terríveis.

Falando de mim… O meu 2001 foi um pouco diferente. Era simplesmente uma criança de 8 anos a virar para os 9, mais preocupada com o português, a matemática e o estudo do meio e em jogar à bola nos intervalos e conseguir ser o Van Hooijdonk ou o Sabry (toda a gente queria ser o Sabry, não é?).  Nem ligava muito à música, não como hoje. Em casa ouvia coisas como os Supertramp ou os Mike & The Mechanics, Tina Turner ou Madonna, rádio TSF ou VH1 por cabo (é o que dá ter uma mãe com gostos muito datados e uma irmã mais velha que começava a ter mais posters na parede do quarto da Britney Spears que do Kurt Cobain). Ou seja, lá no fundo, não ouvia nada.

Até que algures em 2002, já depois do 6º lugar, do Boavista campeão e do “deixem jogar o Mantorras”, do 11 de Setembro e das outras coisas da altura, apanho um concerto dos Strokes na MTV, que anos mais tarde vim a descobrir através do youtube… Era no $2 Bill concert series da MTV.

MTV2 "$2 Bill" Featuring The Strokes

Na altura agarrou-me. Não vi programa todo e provavelmente só ouvi 2 ou 3 músicas, nem me recordo hoje quais. O que me ficou foi o som, o cenário, as roupas, o estilo. Não havia calças largas com trinta mil bolsos nem camisolas pretas com mensagens agressivas, nem caras de maus ou poses intimidatórias. Nem tatuagens, nem rastas, nem piercing. Nada disso. Eram só 5 gajos bem vestidos, a tocar tranquilamente as suas canções rock num palco pequeno rodeado de público a 360. Não precisavam de saltar nem gritar histericamente para o público, só precisavam de estar ali e tocar. As canções faziam o resto.

No Verão de 2002 consegui que me comprassem o Is This It, em CD. Acabada a escola primária, eu ia agora entrar para o 5º ano, ou seja, ia passar a ser da escola dos mais velhos e deixar de ser uma criança. Nada mais falso… Ia continuar tudo na mesma, a diferença é que ia ter mais aulas e professores, mas o resto ia continuar na mesma. Ia continuar a ter os mesmos amigos, a ter burros na turma, os mesmos bullies, miúdas a andar aos pares e gajos que viviam para o pokemon versão vermelha nos seus game boys color.

Voltando ao verão, passei agosto de 2002 a ouvir os Strokes. Aos 10 anos descobri o álbum da minha vida e acho que nunca mais irei sentir o mesmo em relação a um álbum. Na altura, a passar os dias de praia no algarve, em Quarteira, o meu discman e o CD dos Strokes eram inseparáveis. Apesar de já saber umas coisas em inglês, a maior parte das letras escapava-me. Ao longo destes últimos 10 anos o Is This It continuou a ser uma descoberta por isso mesmo: as letras começaram a fazer sentido, após o som o ter feito em 2002. Tiradas como “it’s them it’s not me”, "trying to catch her eye", "somehow he was trying too hard to be like them", "like my sister don't give a fuck" ou "I don't see it that way”… Não poderiam fazer sentido aos 10 anos, mas começaram a fazer ao 13, eram tudo aos 16 e, agora aos 22, continuam a dizer-me tudo.

Provavelmente 99% dos que estão a ler esta tentativa de “review” já ouviram o Is This It de uma ponta à outra. Para uns será um grande álbum, para outros não merece o hype; haverá os que não conseguem gostar e os que gostam, mas que não adoram nem acham que é um álbum merecedor de devoção; haverá os que não perceberão a crítica ao nu-metal e ficarão ofendidos com o que penso dos limpa bizkoitos.

No essencial, o Is This It é um grande álbum. Algumas grandes bandas, maiores que os Strokes, terão gravado albuns melhores. Podemos concordar, discordar, concordar em discordar… Mas aquilo que eu tenho a certeza que é distinto neste disco de 2001 é isso mesmo: é um disco distinto. É um marco na história e uma pedrada no charco. Uma referência no tempo.

“Is This It” é a canção que abre o disco. O tom arrastado das palavras confunde-se na toada melancólica das guitarras e na cadência lenta mas assertiva da bateria. A linha de baixo aqui é das coisas menos faladas de sempre, o que é uma injustiça. “The Modern Age” é a canção que define os Strokes. Monolítica, assertiva, clássica. O solo do Nick Valensi fez-me querer aprender a arranhar a guitarra que hoje consigo tocar. “Soma” é a definição de classe e também a definição do riff à Strokes, num estilo que se estende em outras canções deles, como a “Take It Or leave It” ou a “Reptilia”. “Barely Legal” é capaz de ser a minha letra favorita. Em relação à música, é Strokes por todo o lado. A sequência de acordes simples, o riff básico do Albert a abrir, a brincadeira do Valensi entre versos e o “stop and go” do Julian a fazer o resto. “Someday” é das músicas mais bonitas e nostálgicas dos Strokes. O riff é melódico e define a canção. Tem o vídeo-clip mais cool da história e a Marlboro agradeceu.

“Alone Together” foge um bocado à toada das cinco primeiras músicas e é um pouco mais pesada. As guitarras intercaladas, com o Valensi a tocar o riff mais pesado e o Albert a tocar uma cena mais light… A bateria monorrítimica o Julian a cantar como se não quisesse saber da coisa. Isto tudo depois junta-se num refrão de muitas palavras e lá para o fim da música vai dar num solo muito clássico do Valensi e num grande final de música, fechando a abrir. Segue-se “Last Nite”, o primeiro single do álbum. É a música com mais ginga dos Strokes, é um clássico rock da década passada. "Last niiiiite, she saiiiiiid... Oh, baby, don't feel so down... Oh, it turns me off... When I feel left out". A música começa a um ritmo frenético e não vai mudar de velocidade até ao fim. O solo do Albert é clássico clássico clássico.

“Hard To Explain” é a música mais diferente do disco. É estranhamente nostálgica, algo depressiva… Tem talvez a letra mais escura do disco, ainda hoje a acho imperceptível. Parece uma música liga à máquina, tal é a precisão do ritmo e dos tempos e deve ter sido uma dificuldade ensaiá-la e gravá-las das primeiras vezes. A ultra-saturação da guitarra do Albert define o som da música. No refrão a guitarra do Valensi faz coro com o Julian e a música acaba com muito estilo: “it’s hard to explain”.

“New York City Cops” é uma malha típica dos Strokes. As guitarras encontram-se e desencontram-se, o solo do Valensi já começa aqui a mostrar a marca dele e o refrão contagia: “new york city cops… new york city cops…”. Ficou de fora do alinhamento original do álbum nos EUA, em 2001, por razões óbvias. No seu lugar estava a “When It Started”: uma música saltitona, com uma letra giríssima. Uma vez mais, tem uma linha de baixo que merece destaque. E o solo… É Valensi.

“Trying Your Luck” volta a ser Strokes vintage. Rock clássico e bem escrito. A música vai crescendo nos versos até ao refrão, no qual o Albert ataca com um riff pesadão, enquanto o Fab rebenta com a tarola. O som do solo do Albert no fim tem qualquer coisa de Brian May nos anos 70… Já me disseram que sou o único a ouvir isto, mas mantenho a minha. “Take It Or Leave It” fecha o disco de forma brilhante. Ritmo monolítico do Fab, riff simples e repetitivo à Albert, linha de baixo do Fraiture pesada a entrar nos espaços e o Julian a cuspir uma letra que define os Strokes… Cantando por vezes com despreocupação, outras com raiva, agressivo no refrão, despreocupado nos versos. O solo do Albert é outra vez clássico e dipensa mais palavras. Esta canção é Strokes por todo o lado e fecha o disco e normalmente os concertos.

Provavelmente o hype na altura fez com que muita gente visse os Strokes como os meninos bonitos da imprensa… A verdade é que hoje, passados quase 15 anos, o disco continua a ser um conjunto de 11 (ou 12) canções enormes. O que tornou este disco importante foi o facto de ter sido um virar de página. O que faz deste disco um marco intemporal são as suas canções.
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