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NOS Primavera Sound 2022 - Dia 2 [10Jun] Texto + Fotos

01 de Julho, 2022 ReportagensJorge Alves

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NOS Primavera Sound 2022 - Dia 3 [11Jun] Texto + Fotos

NOS Primavera Sound 2022 - Dia 1 [9Jun] Texto + Fotos
O segundo  dia do NOS Primavera Sound foi marcado por dois acontecimentos indiscutivelmente marcantes: a estreia  dos Pavement , heróis incontornáveis do indie dos anos 90,  e o regresso ao Porto de Beck, 25 anos depois da passagem pelo já extinto  Imperial ao Vivo, acompanhado na altura pelos Smashing Pumpkins e Skunk Anansie.

Contudo, as novidades também se fizeram sentir, e de que maneira! A começar com a deslumbrante Rina Sawayama , cantora nipo-britânica que é hoje uma das mais entusiasmantes artistas da actualidade, muito graças ao surpreendente  álbum de estreia que lançou há dois anos. O hype  é fácil de entender: navegando pela pop feminina  de transição dos 90 para os 2000 -  fala-se aqui de Christina Aguilera,  Britney Spears ou, já mais para a frente, Lady Gaga, de quem até fez uma cover de “Free Woman” - e bebendo igualmente à fonte do nu-metal consolidado pelos Korn e Limp Bizkit , a sonoridade de Sawayama afirma-se como um revivalismo modernizado, de certa forma adaptado a um presente bem  diferente do passado que o fez nascer. Nem  chega bem a soar nostálgica, ainda que recorde glórias passadas, pois é claramente um produto do agora e do amanhã. Prova dessa relevância  era o grupo de fãs nas filas da frente que a acarinhavam como se fosse a atração principal, apesar de estar a atuar ao final da tarde, o sol abrasador a bater fortemente nas  caras da multidão que preenchia o Palco Cupra. É uma estrela em ascensão, disso não há dúvidas, e deu provas irrefutáveis da sua grandeza ao  protagonizar uma atuação que respirou ambição e vitalidade num formato admiravelmente refrescante. E como se as malhas da sua potentíssima estreia não fossem suficientes, fez questão de transcender o mero concerto para se instalar no campo do espetáculo vibrante e eclético , adicionando à equação duas bailarinas que pareciam reagir  fisicamente aos sons que dali brotavam como se por eles estivessem enfeitiçadas. Dinâmica, confiante e charmosa- decorem  o nome dela porque ela veio para ficar!

E  se Rina Sawayama  constituiu a novidade que, no fundo, é um vislumbre do futuro, os Slowdive  proporcionaram aquele reconfortante  contato com um pasado “quentinho” e ainda relevante. Sempre foram um dos mais  criativos  e envolventes nomes do movimento clássico do shoegaze, e por muito que já tenham estado por cá, tanto em nome próprio como em festivais( incluindo no próprio Primavera, aquele concerto em 2014 deixou memórias que o coração não permite esquecer), conseguem sempre cultivar uma familiaridade altamente irresistível, pois cada concerto é uma prenda para a alma. Nem é preciso muito, basta mergulhar no encanto poético daquelas canções românticas e graciosamente oníricas para a mente poder viajar. E depois, claro, há os hinos obrigatórios que nunca falham , malhas icónicas como “Crazy for You”,  “ When the Sun Hits”  ou a preciosa cover de “Golden Hair” , tesouro de Syd Barrett que os Slowdive restauraram como seu. Uma prestação bonita e luminosa( literalmente, porque foi banhada pelo sol), que mostrou como estes britânicos ainda têm muito para dar.

Num limbo entre a familiaridade e a novidade esteve o também britânico King Krule, ele que há cinco anos tinha já passado por Paredes de Coura. E se há algo bem interessante no trabalho deste singular artista, é o contraste de sensações que exemplarmente provoca, ali entre uma garra post-punk irreverente e audaz e uma clara apetência para livres explorações sonoras que até ao jazz o levam. É quase um yin e yang musical, melodia sensível e distorção selvagem a unirem-se para formar um só. O resultado foi uma atuação super satisfatória que efetivamente provou que este rapaz é digno de ser seguido.

Parte 1 - Montanhas Azuis, Beach Bunny, Rina Sawayama

Parte 2 - Slowdive e Shellac

Parte 3 - King Krule e Rolling Blackouts Coastal Fever

E  o que dizer do espanto que foi aquele concerto - ou melhor, aquela festarola doida  e alucinante - oferecida  pela dupla fabulosa conhecida como 100 Gecs? Do início ao fim isto foi surrealmente divertido, uma dose colossal de hyperpop aliciante,  esquizofrénico e musicalmente “dadaísta”. Até na imagem que ostentam o fascínio pelo absurdo vem à baila, com  Dylan Brady a aparecer em palco com um engraçadíssimo chapéu- cone amarelo; todavia, tudo parece ser feito com o objetivo de desencadear um sentimento de liberdade inspirador, encorajar a ser diferente porque, caramba, qual é o mal? Talvez a alma queer da dupla - um dos pontos mais fascinantes dos 100 Gecs, e que em pleno “ Pride Month” ainda mais pertinente se torna - influencie essa despreocupação e desinteresse por estéticas convencionais, mas a atmosfera de segurança e harmonia que espalharam foi espantosamente gratificante, contribuindo para tornar um simples concerto numa celebração estupenda.

O resto, claro,  ficou entregue à intensidade daquele cocktail sonoro marado, mistura mirabolante inspirada pela excentricidade da Internet, como uma colagem aleatória despoletada por um algoritmo sem filtro. E por muito que isto possa enfurecer as sensibilidades de puristas obsoletos, os 100 Gecs , não restem dúvidas, são punk até ao osso: na postura ousada e desafiante que exibem sem qualquer timidez( ser brutalmente honesto e transparente sem querer saber de nada , haverá atitude mais punk do que esta?) e no modo como, numa toada mais eletrónica que respira ares contemporâneos, conseguem recriar o  sentimento de grupos como os Blink- 182 ou Paramore: a energia contagiante  e jovial, a garra deliciosamente orelhuda, tudo está presente com a mesma genialidade e amor, apenas com olhos bem postos no futuro.O resultado foi um concerto fulgurante, vital, inacreditavelmente enérgico, que pôs a malta toda a dançar como se esta fosse a derradeira noite para saborear a vida.

As duas  grandes atrações, como já tinha sido referido no início do texto, foram o regresso de Beck e a aguardada estreia dos Pavement. O primeiro  acabou por dividir a opinião pública, mas  logo aos primeiros minutos  da atuação escutou-se  a seminal “Devils Haircut” e a  vontade foi  mesmo dar tudo, não fosse esta uma malha imortal dos anos 90 que ainda hoje “bate” imenso, nem vale a pena resistir. E de 1996 passou-se logo  para 2015 com “ Dreams”, naquele que foi um alinhamento em modo “best of ”( com uma ou outra cover atirada pelo meio, incluindo a de “Everybody's Got to Learn Sometime” dos britânicos The Korgis) , interpretado praticamente sem pausas, por vezes a um ritmo intenso e frenético ( possivelmente para tentar equilibrar a discografia vasta com os cerca de 60 minutos de antena que lhe foram atribuídos)  por Beck e os dois elementos que o acompanhavam em palco. Foi notório o desejo de enfatizar a sua fase mais dançável ( “ Up All Night”, por exemplo, revelou-se um dos momentos mais festivos e “saborosos” destes 60 minutos),  mas houve na mesma espaço para a faceta mais acústica e introspetiva através de “Morning” e “ Lost Cause”, não se falasse aqui de um homem para quem a música sempre se traduziu numa espontânea, colorida e  imprevisível “colagem” de sons  sem barreiras de género. Extremamente comunicativo,  terminou em grande com a  mítica "Loser'', ainda tão revigorante como quando veio ao mundo naquele clássico que é “Mellow Gold”, e depois com “Where  It's At”, do igualmente lendário “Odelay”. Pode não ter sido consensual, mas foi muito bom (re)ver Beck, sinceramente. Ainda está em forma, ainda se recomenda vivamente e, curiosamente, ainda voltaria a aparecer neste mesmo fim de semana…

Quanto aos Pavement, havia muita curiosidade para ver em que estado se apresentariam: por outras palavras, se isto seria uma prestação penosa, sem alma, puramente motivada por fins mercantis típicos de “reunion tours”,  ou se a coisa até correria bem.  Felizmente que foi a  segunda das opções a triunfar, pois  o concerto acabou por se revelar uma boa surpresa. Na verdade, só o facto de se ter realizado constituiu um autêntico acontecimento,  concretização solene de um “sonho molhado” para muitos que com eles cresceram e construíram a banda sonora das suas vidas. Foi perfeito? Do ponto de vista da execução não, mas os Pavement nunca foram essa banda , pelo que a imperfeição aqui acaba, paradoxalmente, por ser perfeita ou, pelo menos, acarinhada.

E, honestamente, há algo de inacreditável e utópico nesta reunião do grupo californiano(independentemente  de o dinheiro ser ou não um fator determinante), que é o modo como os Pavement pareciam realmente estar a divertir-se, a saborear o tempo em palco, quando antigamente nem juntos na mesma sala conseguiam estar. Agora, pelo contrário, mostram-se mais pacíficos e colaborativos; por exemplo,  não foi apenas Stephen Malkmus a ser o centro das atenções, o percussionista Bob Nastanovich também teve os seus momentos para brilhar e toda a banda parecia estar a trabalhar em equipa. Os fãs agradecem a reconciliação, pois assim recebem o presente de  poder escutar  malhas de um passado delicioso e jovial, um passado que sempre pareceu romantizar o encanto despreocupado da cultura “slacker”. Fala-se aqui de malhas como a incrível “Trigger Cut”( retirada dessa preciosidade do indie que é o lendário “Slanted and Enchanted), “Serpentine Pad”, “ Cut Your Hair” ou a gloriosa “Shady Lane”. Pode não ter sido muito mais do que uma sessão de nostalgia, mas nada mais necessitava de ser.

Num dia  em que a adesão ao festival foi relativamente menor, os Pavement fizeram com que muitos tivessem abandonado o recinto de coração cheio.

Parte 4 - 100 Gecs, Pavement e Chico da Tina
por
em Reportagens


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