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Primavera Sound Porto 2023 – Dia 2 [8Jun] Texto + Fotogalerias

24 de Junho, 2023 ReportagensCatarina Nascimento

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Primavera Sound Porto 2023 – Dia 3 [9Jun] Texto + Fotogalerias

Primavera Sound Porto 2023 - Dia 1 [7Jun] Texto + Fotogalerias
O segundo dia de Primavera Sound Porto estendeu a chuva da noite anterior, que se prolongou durante o decorrer de todo o dia. Agora menos intensa, mas mais prolongada, foi precisamente por esse percalço climático que os concertos de Surf Curse e Núria Graham ficaram por ver, mesmo que durante a tarde alguns raios de sol fizessem o público mais esperançoso. Os primeiros, indie rock fácil de escutar que está a chegar a ouvintes com números impressionantes. A segunda, catalã efusiva do jazz, folk e rock que tantas vezes marca presença no nosso país, e que consecutivamente estamos de braços abertos para a receber.

O palco Plenitude passou a ser o destino para as bandas de rock, punk e eletrónica, sendo até o lugar para estar e descobrir artistas que poderiam passar ao lado para os que se deslocam ao Primavera para grandes nomes que enchem a sala. Foi o caso dos The Murder Capital. Estes irlandeses que brilham no post punk que melhor se tem feito atualmente trouxeram “Gigi’s Recovery”, lançado em janeiro deste ano. Acompanhando guitarras cerradas, a voz de James McGovern carrega uma frustração declamada que aumenta o seu nível de lamento e sentimento nas suas letras cada vez mais pesadas emocionalmente. Mesmo com um instrumental incrivelmente vivo, são estas letras que lhes dão humanidade. Não faltaram “Return My Head”, “Only Good Things”, e para terminar, a apaixonante “Ethel”.

Com a ameaça da chuva, Arlo Parks subiu ao palco Porto com um sorriso encantador e uma voz trémula ao agradecer a permanência do público mesmo debaixo de chuva. Foi logo a seguir a uma súplica por aproveitar aquele momento para trazer apenas energias positivas que o sol reapareceu, formando um arco iris. E foi debaixo dele que a sua música parecia ser banda sonora de um largar de preocupações. Parks é mestre em criar atmosféricas vibrantes. Tem consigo um indie pop abrilhantado com letras poéticas e batidas animadoras, dignas de sol. E é a dançar que o público a recebe, mais uma vez, após a sua prestação em Paredes de Coura.

Dois anos depois do seu lançamento, a banda de Michelle Zauner levou o seu “Jubilee” a Portugal. Japanese Breakfast deu um espetáculo engrandecido pela presença de um enorme gongo no meio do palco, que a vocalista demarcou com entusiasmo logo na primeira “Paprika”. Este é um disco tremendamente mais alegre do que os álbuns previamente editados pela banda, e essa energia contagiante sente-se desde a apresentação, cor vibrante, vibranção em palco e corridas rodopiantes entre músicas. Quando as mais calmas “Kokomo, IN” e “Posing in Bandage”, o recinto torna-se uma serenata à chuva. Nas mais antigas “The Woman That Loves You” e “Everybody Wants to Love You”, num saltitar dançante. Foi um concerto leve, despreocupado, intenso e agradável.

Parte 1
Galeria com Murder Capital, Shellac, Arlo Parks e Japanese Breakfast.
 

Enquanto as atenções se voltavam para Fred Again..., as nossas não desgrudavam do palco Plenitude para o concerto de Gilla Band. Anteriormente conhecidos como Girl Band, a banda natural de Dublin aprimorou o seu post punk misturado com noise rock neste último “Most Normal”, lançado em 2022. É certo que existem elementos constantes nas suas músicas, tal como o soar demorado na mesma nota e distorcido na guitarra e a proclamação imersiva das letras quase como que de um entoar se tratasse. Mas o que é inegável é que quem se deixa ficar naquela exploração, encontra um som imprevisível, que vai se aprofundando em camadas cada vez mais magnéticas. É um trabalho que ao vivo ganha um mistério com a prestação inquieta de Dara Kiely, já que esta tem algo que queremos desvendar. Mas contentamo-nos em observar, mesmo que o que consigamos ver seja apenas a superfície desta inquietude. Não se contentado com um género musical fixo, os Gilla Band brincam com um pouco de rock industrial, a própria voz surge aqui como elemento em sons com eletrónica e várias vezes atiram um noise cru para o centro da mesa. Não há entraves e são genuinamente pessoas a dissecar a sua criatividade ao vivo. Terminaram com uma “Eight Fivers” com o público a harmonizar em bom som o refrão. E, para surpresa da maioria, foram das únicas bandas a descer do palco para cumprimentar os fãs e dar alguns autógrafos.

Rosalía volta ao Primavera Sound, agora com estatuto de super estrela internacional e com um espetáculo que dá jus a essa fama megalómana3 que atingiu. Quer queiram quer não, estamos perante uma artista completa, que arrasta multidões para a ver, cantar e dançar com ela. Se as influências no flamenco a levaram ao topo da indústria musical, são essas mesmas raízes que se recusa a abandonar, mas agora junta-lhes reggaeton, hip-hop, jazz, eletrónica e até drones. Com uma versão pocket da tour que passou por Portugal no ano passado, Rosalía deu um vislumbre do seu poder em palco, dando um espetáculo com performance, coreografia, cinematografia, atuação teatral e carinho pelos fãs. Falou com sotaque em português, cantou bem perto dos fãs (dando até o microfone a um deles), chorou, dançou flamenco em ”LA FAMA”, anunciou o lançamento de “TUYA” (que saíu naquele dia), tocou piano em “HENTAI”, andou de trotinete em “CHICKEN TERIYAKI” e voltou a tocar “MALAMENTE” no Parque da Cidade. Se em 2019, o palco parecia grande para ela, em 2023 ele diminuiu-se com a quantidade de motivos para respeitar o seu trabalho. A sua postura confiante domina o espaço, assim como o quanto ela se diverte em concerto, e isso passa para quem a vê. Ainda fez cover de “Héroe” de Enrique Iglesias e cantou duas músicas do novo projeto com o noivo Rauw Alejandro. É uma energia que se espalha e uma visão tão inventiva e bem conseguida que prende totalmente o olhar. É refrescante ver o que se passa em palco e, nos ecrãs, toda uma perspetiva diferente e calculada por esta através de filmagens em tempo real.

Devido aos horários tardios, roupas encharcadas e um vento cortante, Jockstrap ficou em falta. Um dos espetáculos mais aguardados não contou da lista, mas fica aqui um apelo a escutar o seu disco de estreia. Georgia Ellery, guitarrista e violinista de Black Country, New Road dá a sua voz ao projeto com Taylor Skye e juntos produziram um álbum repleto de influências de jazz pop eletrónico com EDM e baladas à mistura. Foi sem dúvida um dos melhores trabalhos de 2022, surpreendente e criativo como poucos são capazes de atingir.

Parte 2

Galeria com Gilla Band, Bad Religion e Jockstrap.
por
em Reportagens


Primavera Sound Porto 2023 – Dia 2 [8Jun] Texto + Fotogalerias
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