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Primavera Sound Porto 2023 – Dia 3 [9Jun] Texto + Fotogalerias

25 de Junho, 2023 ReportagensCatarina Nascimento

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Primavera Sound Porto 2023 – Dia 4 [10Jun] Texto + Fotogalerias

Primavera Sound Porto 2023 – Dia 2 [8Jun] Texto + Fotogalerias
Foi com um dia caloroso que o Parque da Cidade recebeu os festivaleiros no terceiro dia do Primavera Sound Porto. A saudade de passar tardes a explorar nova música estendidos na relva já apertava e os Terno Rei cumpriram a sua parte ao entregar um som propício ao convívio nas colinas do palco Super Bock. Com o seu indie entranhado de música popular brasileira, captam a atenção pelo à vontade em palco e riffs memoráveis com uma cadencia alegre de banda despretensiosa. A alegria de estar no Primavera Sound Porto está chapada nos seus sorrisos e, pelas palavras de Ale Sater, vocalista do grupo de São Paulo, estar ali é um sonho tornado realidade. Este canta sobre amores e desamores, numa lírica agradável e cativante. O instrumental combina com início de tarde e ainda é só o começo.

O dia sentia-se com mais liberdade em termos de horários do que os dois anteriores que se passaram, já que, mesmo com bons nomes a fazer parte do plantão de sexta-feira, não havia grandes conflitos de concertos e nenhum estava propriamente a chamar multidões para o festival. O melhor é que isso significa menos confusão, menos pressão e mais deixarmo-nos ficar quando somos surpreendidos. Foi o que aconteceu em Wednesday. A banda norte-americana encantou os presentes com o seu rock alternativo meio grunge meio shoegaze. Karly Hartzmann dá voz a uma angústia adolescente, voz essa mais trémula devido à exaustão que desabafaram ter em palco por estarem em tour há algumas semanas. A sua primeira. Com um estilo meio country, mesmo no vestuário, deixaram claras as suas influências de North Carolina, com uma cover de “She’s Actin’ Single (I'm Taking Doubles) e uma “Chosen To Deserve”, onde o lap steel de Xandy Chelmis atingiu o seu potencial máximo, já que confere os solos harmónicos prolongados certos desse género musical. A certa altura, Karly estava tão impressionada com o recinto que se questionou se estaria a dar um concerto nos seus sonhos. De alguma forma, nós chegámos a essa fase onírica em “Bull Believer”, que oferece um final incrível com um clamor profundo e a distorção certa, o tipo de sonho que viveríamos vezes sem conta.

Enquanto o sol se punha, o público era acarinhados pela presença de Anderson .Paak que, acompanhado de Knxwledge, levou o flow, soul, funk e disco para o Palco Vodafone. O duo NxWorries é daquelas colaborações que enchem a alma e voltarem neste momento é o culminar perfeito. Com um disco lançado em 2016, e depois da fama absurda que .Paak alcançou, este retorno é iminente. Apenas os dois em palco, Knxwledge na sua mesa de som devidamente envolta de leds que, juntamente com um ecrã gigante, espalhavam tanto vídeos como animações em volta de todo o palco, enchendo-os de cores vibrantes. Mas o que prendia o olhar era mesmo a envoltura, estilo e confiança de .Paak, que parece ser a personificação do groove. Assim que este se muda para um fato completamente rosa-choque, já ninguém desvia o olhar da sua presença em palco. A sua voz é a combinação perfeita das samples escolhidas por Knxwledge, que aposta dos sons mais lentos, sensuais e cheios de gingada. Para além de músicas de “Yes Lawd!”, levaram duas faixas novas. Enquanto “Where I Go” se foca no hip-hop e R&B, “Daydreamin” almeja o slow jam dos anos 80, com fortes inspirações em guitarras à Prince. No final, algumas mulheres do público juntaram-se em palco para um verdadeiro show-off de dança, com direto a performances a dois com Anderson .Paak.

Parte 1
Galeria com Wednesday, Blondshell, My Morning Jacket e Built To Spill.

 

O cabeça de cartaz da noite eram os míticos Pet Shop Boys, que não chamaram tanto público como antecessores Kendrick Lamar e Rosalía. Enquanto tocavam, Self Esteem começava a despertar algum interesse no palco ao lado. O projeto de Rebecca Lucy Taylor, que integrou a banda indie folk Slow Club, é como um recomeço para a britânica. Agora num registo mais pop, ela abraça com todas as suas forças este novo título de diva pop sem medo de expor as suas inseguranças, medos, críticas à sociedade e luta contra preconceitos. Esses temas aparecem em “Prioritize Pleasure”, de 2021, que apresentou no Palco Plenitude. No público, a paixão com que os fãs proclamavam as suas letras mostra este vínculo com uma comunidade farta de represálias e de serem ostracizados. Não só a sua voz é encantadora, como toda a sua performance detalhadamente calculada e coreografias de danças teatrais criaram um ambiente de resiliência e superação. A sua vulnerabilidade em palco é visível, acolhendo o choro e o abraço sentido com as suas companheiras de palco.

No palco Vodafone, St Vincent já tinha os céus de Nova Iorque estampados no seu palco. Annie Clark, Portugal já é considerado um habitué nas suas tours e é sempre recebida de casa cheia. A maioria deslocou-se para ver a nova persona que a artista norte-americana encarnou em “Daddy’s Home”, o mais recente trabalho de St. Vincent. Agora com inspirações nos anos 70, Annie fez um disco intimista, e talvez o mais pessoal, que retrata os tempos de encarceramento do pai. Puxando influências em Pink Floyd, Clark deslumbra sempre na guitarra e consegue dar um pouco mais de si cada vez que volta. Não faltaram as suas outras fases musicais, começando com “Digital Witness” e “Birth in Reverse” do álbum homónimo, passando pelo aclamado “Masseduction” com “New York” e “Los Ageless” e até “Cheerleader” e “Year of the Tiger”, de “Strange Mercy”.

Por aqui, os cabeças de cartaz eram Le Tigre. O trio, formado em 1998 pela Bikini Kill Kathleen Hanna, continua a ser um pináculo do movimento riot e feminista, cheio de revolta e celebração como era esperado. Juntamente com Johanna Fateman e JD Samson, Hanna é um símbolo da força punk na crítica político-social, elevando a voz e fazendo com que nos juntemos a ela através de todas as letras visíveis no ecrã. Em “Keep On Livin”, Hanna exibiu compaixão por vítimas de abusos sexuais, incluindo-se. Mesmo “existindo dias que não consegue sair da cama”, dá força já que “todos os dias em que estão cá já é um dia melhor”. Com músicas extremamente ativistas, esta partilha o que outrora disseram de a banda ser “de karaoke” e orgulhosamente diz que tudo o que vêm é feito pela banda, desde coreografia, a música e vestuário. Neste seguimento, existe um apelo a que artistas continuem a fazer a sua arte, sem desistir. Com elementos de punk, pop, eletrónico e noise, tornaram o palco Vodafone numa pista de dança, principalmente em “Phanta”, “TKO” e na final deslumbrante“Deceptacon”. Parece que a chuva esperou que se ouvisse “See you later” na última música para que chuviscos caíssem, terminando um dia menos intenso, mas devidamente cheio de pontos fortes.

Parte 2
Galeria com St. Vincent. Le Tigre e Darkside.

 
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