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Royal Blood + Bad Breeding @ Coliseu dos Recreios – Lisboa [2Abr2015] Texto + Fotos

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Eram 20 horas e já a fila à entrada do Coliseu dos Recreios era grande. Última data da tour dos britânicos Royal Blood e a sua estreia no nosso país.

Às 21 horas em ponto, sobem ao palco os, também Ingleses, Bad Breeding. Donos de um noise punk de fazer inveja a muita banda atual venerada pelas massas ditas “especializadas”, estes Bad Breeding agitaram o Coliseu de tal maneira que só não se abriu uma fenda no chão porque o terreno ainda estava muito pantanoso. Energia, loucura e interação não lhes faltava. Faltava era interesse por parte do público, maioritariamente constituído por rapazes e raparigas entre os 14 e os 17 anos, que, possivelmente, não estavam à espera de levar uma chapada na cara tão forte, e então, para afogar as mágoas, decidiram meter a conversa em dia nas redes sociais. Não os censuramos, pois já sabemos como funcionam as coisas hoje em dia. Quem viu, quis ver, e, certamente, teve histórias para contar quando chegou a casa: o momento em que o guitarrista decide ir tocar para o meio do público que estava nos balcões ou quando o vocalista decidiu ir ver como estava o “clima” nas filas da frente. Iceage, quem são vocês afinal?

Sensivelmente meia-hora depois do término da atuação dos Bad Breeding e após um forte coro em uníssono durante o tempo em que “R U Mine”, dos Arctic Monkeys, passou nos altifalantes do Coliseu, sobe ao palco a banda mais desejada da noite. “Hole” (lado B de Little Monster) abriu as hostes e à segunda música (“Come On Over”) já se tinham aberto dois pits, um de cada lado, que no final se viriam a juntar e a formar um pit gigante de uns 20 metros de comprimento, mas já lá vamos.

Foi apenas no final da quarta música (“Figure It Out”) que Mike Kerr (vocalista da banda) se dirigiu pela primeira vez ao público. O público aplaude efusivamente e o show continua com “Better Strangers” a mostrar o quão White Stripes são estes jovens de Brighton: sempre na escala do grave-agudo-grave fazendo lembrar um tal de Jack White, acusado de ser o salvador do Rock do século XXI. Longe vão os tempos em que se julgava o rock morto… agora se evoluiu ou não, isso já é outra conversa.

“Little Monster”, a música preferida de muitos (pelo menos das jovens que estavam ao nosso lado), exalta ainda mais o publico: o potentíssimo riff, cheio de groove, é incapaz de deixar alguém indiferente. Resultado: plateia do Coliseu (quase esgotada) toda aos saltos e a entoar toda a música de braços abertos e em plenos pulmões!

A verdade é que estes Royal Blood não são particularmente diferentes ao vivo, comparativamente com o registo de estúdio, jogam pelo seguro, portanto. Era nítido o cansaço da banda neste, que era o último concerto de 20 realizados na Europa, as pausas de, por vezes, mais de um minuto entre as músicas eram uma constante já na parte final do concerto.

Loose Change” e “Out Of The Black“, as mais violentas do álbum, foram guardadas para o fim, esta última com direito a versão extensa. A loucura instalou-se no Coliseu e o que outra foram dois mosh pits separados, agora passaram a ser dois unificados (perdoe-se a referência à Alemanha). Um longo mosh pit de um lado ao outro do Coliseu, digno de ser registado para a posteridade, que animou os muitos que já se encontravam sem t-shirt. Uma bela forma de acabar um concerto, tanto a banda como o público encontravam-se numa simbiose temporal perfeita. Ben Thatcher (“half man, half bull, half crazy”), com uma bandeira Portuguesa no dorso, despede-se do público português, Kerr, pouco tempo depois faria o mesmo. O público pedia mais mas não foi recompensado. Não havia alinhamento para mais. Uma hora de concerto, muita energia, muito suor e muito rock foi o resumo do(s) concerto(s) desta noite.

Se os Royal Blood, que já provaram ser um caso de sucesso mundial, enchem um Coliseu com o seu álbum de estreia, nem imaginamos o que poderá acontecer daqui a uns tempos quando a banda estiver mais madura e o segundo disco chegar às lojas. Até lá ficamos com as boas audições que este homónimo nos reserva.

Por Diogo Alexandre / 3 Abril, 2015

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