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Super Nova c/ Sunflowers, Scúru Fitchádu e Stone Dead - Maus Hábitos, Porto [7Abr2018] Texto + Fotos

14 de Abril, 2018 ReportagensJorge Alves

Três bandas, uma digressão, várias cidades: é esse o conceito da Super Nova, iniciativa que tem tido nos últimos tempos um papel crucial na divulgação da nova música portuguesa. O espaço escolhido para o primeiro capítulo desta nova aventura foi o Maus Hábitos, no Porto, que encheu para testemunhar uma memorável noite de concertos.

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Maus Hábitos

Sleaford Mods - Hard Club, Porto [16Abr2018] Texto + Fotos

Tremor é um sonho do qual não queremos acordar (Texto + Fotogalerias)
Não se pode negar o peso que a entrada livre teve no sucesso deste evento, mas sente-se que há efetivamente uma vontade genuína em apoiar – ou, em certos casos, descobrir – o que por cá se faz e experienciar a magia desse dinamismo cultural, sobretudo numa altura em que a música portuguesa atravessa um período áureo e constitui uma aparentemente inesgotável fonte de criatividade.

Os responsáveis por iniciar a maratona de concertos foram os Sunflowers, em fase de promoção ao novo trabalho Castle Spell. Desde o primeiro até ao último momento assistimos a uma impressionante sessão de pancadaria sonora proporcionada por uma banda que tem no palco o seu habitat natural, oferecendo constantemente atuações absolutamente devastadoras. A música que praticam não é complexa nem inovadora, mas o charme está nessa maravilhosa simplicidade, na maneira como nos cativam com um rock directo e frenético, recheado de psicadelismo mas também da irreverência típica do punk. Oh Sees ou King Gizzard & the Lizard Wizard são óbvias referências modernas no universo do duo portuense (nesta ocasião em formato trio), mas o legado dos históricos MC5 parece também povoar o imaginário do grupo, especialmente ao vivo. Festa, energia e riffs poderosos – são estes os ingredientes da explosiva receita dos Sunflowers.

Seguiram-se os Scúru Fitchádu, projeto liderado por Marcus Veiga onde a agressividade do punk coexiste com uma eletrónica densa e os ritmos exóticos do funaná, expressão musical de origem cabo-verdiana. Autêntica revolução sonora marcada por um cruzamento de estilos, ideias e mesmo nacionalidades (Marcus vive em Portugal mas é filho de imigrantes africanos), que se traduz numa fórmula pesada mas ritmada, vanguardista mas simultaneamente rica em tradição. O que aqui ouvimos é único, o resultado das vivências de um melómano tão fluente nas linguagens extremas dos Atari Teenage Riot ou Discharge como nos sons quentes dos Bulimundo.

Contudo, o carácter singular de Scúru Fitchádu não fez com que a audiência deixasse de se identificar com o poder destas malhas; a exemplo dos Sunflowers, estamos perante música perfeita para ser interpretada ao vivo, atingindo aí todo o seu potencial. À nossa volta víamos pessoas a dançar ou a fazer mosh, e era isso mesmo que se pedia: reacções físicas a sons viscerais. Uma actuação triunfal que certamente conquistou novos seguidores.

A noite de concertos terminou com os Stone Dead, ainda a promover o aclamado Good Boys, um dos grandes destaques nacionais do ano transato. Menos violentos musicalmente do que as bandas anteriores, acabaram por proporcionar o ambiente ideal numa altura em que precisávamos de um descanso da brutalidade sonora ao qual tínhamos sido submetidos. Contudo, não se pense que esta prestação não teve garra e energia, pois é de rock que aqui falamos - rock clássico adaptado aos dias de hoje; há Beatles, The Kinks, The Who e ainda um espírito punk que evoca o legado dos The Clash, Ramones ou mesmo o proto-punk dos The Stooges. É precisamente no diálogo constante entre esse lado corrosivo e as melodias delicadas e cuidadosamente estruturadas que reside o encanto do colectivo de Alcobaça, recebido de forma calorosa mal entrou em palco. De resto, os Stone Dead estiveram iguais a si próprios: confiantes, descontraídos, a saborear cada momento da sua ascensão metódica. O rock está vivo e a música portuguesa também.

por
em Reportagens
fotografia Hugo Adelino


Super Nova c/ Sunflowers, Scúru Fitchádu e Stone Dead - Maus Hábitos, Porto [7Abr2018] Texto + Fotos
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