20
SAB
21
DOM
22
SEG
23
TER
24
QUA
25
QUI
26
SEX
27
SAB
28
DOM
29
SEG
30
TER
31
QUA
1
QUI
2
SEX
3
SAB
4
DOM
5
SEG
6
TER
7
QUA
8
QUI
9
SEX
10
SAB
11
DOM
12
SEG
13
TER
14
QUA
15
QUI
16
SEX
17
SAB
18
DOM
19
SEG
20
TER

Vodafone Paredes de Coura 2015 [22Ago] Texto + fotos + vídeo

27 de Agosto, 2015 ReportagensWav

Partilhar no Facebook Partilhar no Google+ Partilhar no Twitter Partilhar no Tumblr

Vodafone Paredes de Coura 2015 [19-22Ago] Texto + fotos + vídeos

Vodafone Paredes de Coura 2015 [21Ago] Texto + fotos + vídeo


19 | 20 | 21 | 22




 

 

 

IMG_6943

Chegava o último dia de Vodafone Paredes de Coura, mas, apesar do muito cansaço de campistas e não campistas que marcavam presença no Vodafone Paredes de Coura há pelo menos três dias, o dia de sábado do festival prometia um grande piscar de olho à dança. Ratatat e Lykke Li encabeçavam um último dia de festival, que prometia ainda dar o mote para mais uns passos de dança no palco secundário com o duo Sylvan Esso.

Naquele que foi, provavelmente, o dia mais inconsistente de festival, Lykke Li, apesar de atuar antes de Ratatat, era o nome mais aguardado pelos mais de 25 mil espectadores. Ainda para mais, a fasquia estava colocada muito alto devido às várias notícias que saíam sobre o concerto "especial" da sueca, alguns meses de já ter terminado a sua digressão, abrindo uma exceção para vir a Paredes de Coura.

Mas a hora de concerto de Lykke Li, de regresso a Portugal após ter atuado a uma hora ingrata no Super Bock Super Rock de 2011, ao mesmo tempo que os cabeças-de-cartaz e em curva ascendente Arctic Monkeys, acabou por saber a pouco. Não que nessa hora não tenham cabido muitos dos hits da princesa da pop nórdica, como "Get Some", "Little Bit" ou "No Rest For The Wicked", mas a verdade é que o som não estava, de todo, bem afinado. A voz de Lykke Li parecia completamente perdida em todo o espaço que envolvia o palco Vodafone, e os instrumentos da sua banda algo abafados.

Apesar da enérgica presença em palco de Lykke Li, tal não foi suficiente para um concerto que apesar das inegáveis boas canções, exigia demasiada atenção para que fosse possível desfrutar-se dele. Algo aborrecido, conseguiu ter, a espaços, alguns excelentes momentos: num dos mais intimistas, não exigindo tanto da parte instrumental que teimava em falhar no concerto, o próprio público participou em massa: "Hold On, We're Going Home", cover de Drake, foi o grande momento alto do concerto.

Até final, não poderiam faltar "I Follow Rivers" e "Never Gonna Love Again", mas em geral não se alterou alguma letargia do concerto, coisa que não seria, de todo, de esperar, tal o faro pop da sueca e tal a qualidade da sua indie pop. Uma das grandes desilusões do festival, que não ficou concluída sem uma saída de palco completamente "a seco", e a deixar muita água na boca.



É no Palco Secundário que se coroa o último dia do Paredes de Coura, e se lá não estiveram, já perceberão o porquê.

Digamos sem medo, Sylvan Esso foi a surpresa desta edição. O duo electropop seduziu todos os sortudos que se deslocaram até ao palco Vodafone.FM, levando-nos um êxtase esquizofrénico, de tal forma que eles não conseguiam esconder os sorrisos de contentamento de estarem a atuar. E nós também não, enquanto o suor nos escorria pela cara. Nick atirava os beats, e Amelia partia tudo com a sua voz coordenada com os movimentos mais sexys que vimos em Paredes de Coura. “Play it Right” e “Hey Mami” foram os momentos altos de um concerto de promoção do álbum homónimo, inserindo Sylvian Esso no grupo de artistas cujas versões ao vivo têm muito mais impacto do que a audição do álbum.

Ainda os Fuzz estavam a aquecer, com os Temples a tocarem no Palco Principal, já uma boa data de pessoas vibrava ao som de quartos de música. Ainda o concerto não tinha começado e já Ty Segall atirava baquetas para este público que teve o privilégio de ver um show antes do concerto. Estávamos lá, e garantimos que ainda no aquecimento este trio já tinha mostrado que ia partir tudo.

Quando efetivamente sobem ao palco para o concerto, o Vodafone.FM encontrava-se à pinha, não fosse Ty Segall um nome maior desta geração de músicos. Lá da frente, logo no início da primeira música entregámo-nos ao mosh e não demoraria muito para o crowd surfing começar também. Era a loucura total nas filas da frente, e mais para o fim do concerto, quando nos vimos obrigados a virmos para trás, é que nos apercebemos que o fim do mundo (em forma positiva) estava a acontecer um pouco por toda a parte (sim, até atrás da mesa de som onde não se tinha vista para o palco). É rock’n’roll puro e duro como todos gostamos (parafraseando a mítica Rute Remédios), onde “What’s In My Head” e “Sleigh Ride” foram rainhas. Certamente um dos concertos mais memoráveis desta edição do festival, fica na mente a interrogação de como seria Fuzz no palco principal. Esperemos não ter de esperar muito para ver esta pergunta respondida.



O fim de tarde algo húmido em Paredes de Coura permitiu, ainda assim, que os Woods dessem um concerto à sua maneira: bem soalheiro. Saídos de Brooklyn mas com pinta de quem, na verdade, habita numa reserva de agricultura biológica perdida no Iowa e grava as suas canções numa qualquer praia à saída de Laurel Canyon.

Canções de uma folk psicadélica com uma pitada de surf pop como "Cali In A Cup" iam alternando com composições mais prog ou, mais para o fim, numa grande interpretação de “With Light And With Love” liderada pelo singer-songwriter e guitarrista virtuoso Jeremy Earl. Concerto muito competente e que trouxe algum sol a um fim de tarde algo nublado.

No palco secundário, a música bem-disposta de Natalie Prass, que este ano lançou o seu aclamado primeiro disco homónimo, animava também a moral de um público já cansado e, sobretudo, molhado. O sorriso irresistível da songwriter de voz doce que é mentorada por Matthew E. White não deixou indiferente o público que se juntava timidamente ao palco Vodafone até deixar bem composta a plateia do cenário secundário de Paredes de Coura.

Para além de canções bluesy e soul como "Your Fool" e da emocionante "My Baby Don't Understand Me", houve ainda tempo para uma rendição imaculada do single um tanto ou quanto datado de Janet Jackson "Any Time, Any Place", mas numa versão mais simples e crua, que não terá passado indiferente aos que reconheceram o sample em "Poetic Justice" de Kendrick Lamar.



Ainda se faziam sentir algumas pingas de vez em quando, mas numa multidão de pessoal dançante elas não faziam mossa. Os Ratatat podem não ser um duo que consiga echer um palco, mas encheram (e de que maneira) todo o recinto com o seu rock-electro/dance. Depois de uma pausa de cinco anos, trazem na bagagem o recente Magnifique, no entanto a setlist não esqueceu músicas como “Seventeen Years” do álbum homónimo ou “Lex” de Classics. Os riffs a fazerem lembrar o melhor do glam rock, adornados com eletrónica a puxar para a dança, levaram ao desespero os seguranças que se viram obrigados a suar para apanhar tanta gente que descia colina abaixo no crowd surfing.

Estávamos no último dia, e era o dar tudo por tudo, e nessa perspetiva a organização acertou na muche ao escolher os Ratatat para fecharem o palco principal. Não era só a música convidativa ao deixares-te desprender que fez do último concerto do Palco Vodafone algo delicioso, para isso também contribuiu o facto de Mike e Evan brindarem-nos com um excelente espetáculo (absurdamente sincronizado com a música) de luz e som, que fez muita gente revirar a cabeça até às árvores para assistir aos efeitos.

“Abrasive” pode bem ter sido o momento alto de todo o concerto (fazendo o grupo ao nosso lado afirmar que sentiam estar num concerto dos Daft Punk), mas cá para nós tudo foi uma festa, uma excelente festa de encerramento, que de seguida veria a sua cereja no topo do bolo com o after dos The Soft Moon.

Projetados pelo lançamento de Deeper, este ano, o projeto liderado por Luis Vásquez e baseado em Oakland ofereceu um dos concertos mais hipnóticos e intensos, fechando assim com chave de ouro a edição de 2015 do Vodafone Paredes de Coura.

A percussão nervosa e o dark ambient de uma das mais criativas bandas do momento reporta-nos a uma enorme quantidade de estilos que, nas doses certas, formam o som dos Soft Moon, sejam eles o krautrock, o electropunk, a world music ou o rock psicadélico.

"Far" e "Being", duas das faixas retiradas de Deeper, foram dos momentos altos de um concerto que contemplou ainda uma demonstração de percussão que mais parecia retirada de um qualquer concerto de música étnica. Absolutamente eletrizante.



A edição deste ano do Vodafone Paredes de Coura não foi histórica apenas pela primeira vez a esgotar as bilheteiras. Apesar do medo de que uma enchente pudesse causar um mau ambiente, o espírito do festival não abalou minimamente. A confraternização e a partilha em torno de um amor comum manteve-se como todos os anos, e para isso contribuiu um cartaz incrivelmente coeso e diversificado, que só demonstra que Paredes de Coura não corre os riscos nefastos da massificação: conhece bem o seu público, o que ele quer e como o lhe oferecer, e é esta relação de amor recíproco que fez e continuará a fazer com que todos voltemos ano após ano.

 

Vídeo resumo


 


 

Outras galerias


 




Texto: Luis Sobrado e João Rocha

Fotografia: Bruno Pereira e Hugo Adelino

Vídeo: Mariana Vasconcelos
por
em Reportagens


Vodafone Paredes de Coura 2015 [22Ago] Texto + fotos + vídeo
Queres receber novidades?
Comentários
Contactos
WAV | 2022
Facebook WAV Twitter WAV Youtube WAV Flickr WAV RSS WAV
SSL
Wildcard SSL Certificates
Queres receber novidades?