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Yves Tumor + Império Pacífico - Galeria Zé dos Bois, Lisboa [1Fev2020]

07 de Fevereiro, 2020 ReportagensRafael Oliveira

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Galeria Zé dos Bois

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A noite prometia-se intensa, ou pelo menos seria essa a expectativa, especialmente após o anúncio de lotação esgotada para Yves Tumor – o motivo da enchente para este Superballet. O tiro de partida foi dado pelos Império Pacífico, duo lisboeta composto por Funcionário e trash CAN. A sonoridade demonstra-se maturada, mais complexa e diversificada, caracterizada pelo uso de pads que complementam a bassline densa de inspiração IDM. Destaca-se a continuidade com que se prendem em criar a paisagem sonora, bebendo de várias influências e técnicas. A criação é constante sem interrupções, esbatendo-se loops, pads e texturas minimalistas, cedendo-se ao drone por vezes apenas texturizado pelos graves do baixo. Os Império Pacífico demonstraram ser uma boa escolha para abertura do que surgiria a seguir, parando apenas a sua entrega de múltiplas influências eletrónicas e o ritmo demarcado para a entrada de Maria Reis em duas faixas com voz. Esta mudança orgânica destaca a dinâmica do novo projeto (com saída marcada para dia 22 de fevereiro) Exílio, do qual Maria é colaboradora. Os reverbs na voz proporcionam uma noção ainda mais maleável da construção sonora que presentearam até ao momento, demonstrando uma nova dinâmica que encaixa com o minimalismo da produção apresentada.

A cortina de fumo inicia-se. Densa e fantasmagórica, no abismo consegue-se percecionar o som triunfal que dá início ao concerto de Yves Tumor, bem como a faixa que inicia o seu álbum Safe in the Hands of Love, editado pela Warp – “Faith in Nothing Except in Salvation” denota desde o princípio o registo que irá ser aprofundado. O destaque recai na presença de apenas Sean Bowie, sozinho enquanto artista e performer, bem como do setup em que o próprio demarca o ritmo do concerto. Servindo-se apenas da mesa para lançar os seus hinos, socorrendo-se da sua voz e entrega para os interpretar. Entrega esta que foi sempre proporcional à dissipação do nevoeiro, sempre sem pausas. No início havia apenas um vislumbre, que foi cedendo cada vez mais à imagem de um pop performer desprovido de barreiras – de botas brilhantes de saltos altos, luvas, óculos de sol e demais parafernália – estabelecendo a sua iconografia de fruto distorcido na experimentação sonora.

O público demonstrou-se bastante recetivo aos hinos emocionais de Yves Tumor. “Noid” foi um dos momentos acutilantes da noite, onde a persona performativa de Sean, esbatida em várias influências, se entrega ao canto em uníssono com a audiência; para culminar, proferindo um por todos “fuck the police”. Nesta sua “nova” faceta recai o patamar a que chegou enquanto artista. Se em lançamentos anteriores se verificava a multiplicidade de elementos que o formam, com este concerto e com o trabalho apresentado ganha-se certeza da edificação de uma nova espécie de popstar performativa para revolucionar, emocionar e relembrar a humanidade, distinta que ajuda a relembrar o carácter mutável inerente à alma humana, vulnerável e de entrega pessoal. O espaço da Galeria Zé dos Bois seria o ideal para trabalhar temas antigos de texturas mais noise e exploratórias, mas o público ficou ternamente agradecido pela estrutura da canção permear esta noite tão especial. Quanto ao futuro, a certeza de que será sempre a crescer, a esbater fronteiras sonoras e a conspurcar géneses sónicas. Aguarda-se com ânsia o próximo vislumbre.

Fotografia da autoria de Vera Marmelo, gentilmente cedida pela própria e pela Galeria Zé dos Bois.
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em Reportagens
Bandas Império Pacífico , Yves Tumor

Yves Tumor + Império Pacífico - Galeria Zé dos Bois, Lisboa [1Fev2020]
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